O coloproctologista Gustavo Becker explica como inteligência artificial e robótica estão chegando à prática médica.
Acervo Pessoal / Divulgação
O coloproctologista Gustavo Becker explica como inteligência artificial e robótica estão chegando à prática médica.

Inteligência artificial, robôs e técnicas menos invasivas estão deixando de ser apenas projeções sobre o futuro da medicina e ganhando espaço na prática de diferentes especialidades. Na cirurgia colorretal, essas tecnologias já são discutidas como ferramentas capazes de auxiliar médicos no planejamento e na realização de procedimentos.

O tema esteve entre os destaques do 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, realizado entre 24 e 26 de setembro, em Balneário Camboriú (SC). Presidido pelo coloproctologista Gustavo Pereira Becker, o encontro reuniu especialistas brasileiros e cerca de 20 professores internacionais.

“A inteligência artificial deixou de ser apenas uma perspectiva futura. Ela já está presente na medicina, seja no auxílio à análise de exames e imagens, na endoscopia, na organização de dados clínicos, na pesquisa científica, na educação médica e até no planejamento e suporte à tomada de decisão”, explica Gustavo Becker.

Cirurgias mais precisas
Outra transformação discutida no congresso envolve a cirurgia robótica e os procedimentos minimamente invasivos.

Segundo Gustavo Becker, laparoscopia e cirurgia robótica já são utilizadas em diferentes situações dentro da cirurgia colorretal. A expectativa é que o avanço tecnológico permita ampliar a precisão e auxiliar o cirurgião em diferentes etapas.

“O próximo passo provavelmente não será apenas operar por incisões menores, mas utilizar tecnologia para aumentar precisão, previsibilidade e segurança”, afirma.

Durante o evento, profissionais também puderam acompanhar 12 cirurgias ao vivo. A proposta foi mostrar não somente as técnicas, mas decisões, dificuldades e adaptações que podem ocorrer durante procedimentos reais.

Tecnologia não substitui o cuidado
Apesar dos avanços, Gustavo ressalta que incorporar novas ferramentas não significa colocar a tecnologia acima das necessidades individuais de cada paciente.

“Porque a coloproctologia é muito maior do que a cirurgia. O nosso paciente não pode ser reduzido a uma técnica ou a uma plataforma tecnológica”, destaca.

Além de IA e robótica, o congresso abordou câncer colorretal, doenças inflamatórias intestinais, alterações do assoalho pélvico e outras condições tratadas pela especialidade.

Para Gustavo Becker, o desafio agora é fazer com que os avanços tecnológicos se traduzam em melhorias concretas na assistência.

“Gostaria que cada participante retornasse para casa com pelo menos uma ideia capaz de melhorar efetivamente o cuidado de seus pacientes”, conclui.

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