
Durante muito tempo, a alta performance no mundo dos negócios esteve associada a agendas lotadas, jornadas extensas e poucas horas de sono. Estar constantemente ocupado chegou a ser tratado como sinal de produtividade e até de sucesso.
Para Renan Bastos, fundador e CEO da RC Crown, essa lógica começou a dar espaço a uma visão diferente: desempenho sustentável depende não apenas da intensidade do trabalho, mas também da capacidade de preservar energia, concentração e saúde ao longo do tempo.
“Por muito tempo, criou-se essa ideia de que, para empreender, você precisa estar disponível o tempo inteiro, dormir pouco e fazer do trabalho a sua vida. Hoje eu penso diferente. Não adianta construir um negócio e, no processo, deixar a própria saúde de lado”, afirma.
Na prática, Renan diz que passou a observar não somente quantas horas dedica ao trabalho, mas a qualidade dessas horas.
Para ele, uma agenda cheia não necessariamente representa produtividade. A capacidade de tomar boas decisões, manter concentração e executar com consistência também depende de como o empresário administra o próprio corpo e os períodos de recuperação.
Alta performance além das horas trabalhadas
Popularizado nos últimos anos, o conceito de wellness costuma aparecer associado a exercícios, alimentação, descanso e autocuidado. No ambiente empresarial, no entanto, a discussão começa a ganhar outra dimensão: como manter um nível elevado de desempenho sem transformar excesso de trabalho em método permanente de gestão.
Renan afirma que deixou de enxergar esses cuidados apenas como atividades paralelas à rotina profissional.
“Eu não vejo wellness como uma questão puramente estética. É conseguir acordar bem, ter disposição, cuidar do corpo, descansar e também entender que existem momentos em que você precisa sair do modo trabalho. Isso interfere diretamente na maneira como eu tomo decisões e encaro o meu dia”, conta.
A mudança também alterou sua percepção sobre produtividade.
“Trabalhar 12 ou 14 horas não significa necessariamente produzir mais. Às vezes você está trabalhando há muitas horas, mas sua capacidade de decisão e concentração já caiu muito. Para mim, alta performance não é simplesmente trabalhar mais. É conseguir estar realmente bem quando você precisa performar”, afirma.
Nesse sentido, descanso e recuperação deixam de ser vistos como o oposto da produtividade e passam a fazer parte dela.
Saúde precisa entrar na agenda
Para empresários e executivos, um dos principais obstáculos é justamente a ausência de uma rotina previsível. Compromissos, decisões, problemas operacionais e oportunidades surgem constantemente.
Renan afirma que, por isso, deixou de esperar por períodos menos movimentados para cuidar da própria saúde.
“Quem empreende sempre vai ter alguma coisa para resolver. Se você esperar a agenda ficar vazia para cuidar de você, provavelmente nunca vai acontecer. Em algum momento, precisa entender que saúde e bem-estar também ocupam espaço na agenda.”
A lógica, segundo ele, é semelhante à utilizada na administração de uma empresa: aquilo que é considerado prioridade precisa receber tempo e atenção de forma intencional.
Performance como projeto de longo prazo
Mais do que utilizar hábitos de wellness como uma ferramenta para aumentar produtividade imediatamente, Renan afirma que o objetivo é construir uma relação sustentável com o trabalho.
Essa perspectiva também questiona uma cultura empresarial que, durante anos, valorizou jornadas excessivas como demonstração de comprometimento.
“Eu continuo extremamente focado e gosto de trabalhar. O que mudou foi entender que viver permanentemente no limite não é necessariamente sinal de alta performance.”
Para ele, existe uma diferença importante entre intensidade e consistência.
“Você pode operar no limite durante alguns meses. O desafio é conseguir continuar tomando boas decisões, liderando, crescendo e mantendo energia durante dez ou vinte anos. Para mim, alta performance de verdade tem muito mais relação com consistência do que com exaustão”, afirma.
A busca passa, portanto, menos por fazer o máximo possível todos os dias e mais por construir uma rotina que permita manter elevado nível de execução ao longo dos anos.
“Eu quero fazer o que faço bem e continuar fazendo isso por muito tempo. Crescer profissionalmente não deveria exigir destruir outras áreas da vida no processo. Para mim, esse equilíbrio também faz parte do que significa ter sucesso”, conclui.
