
Dor no fundo da boca, gengiva inchada e dificuldade para mastigar costumam levantar uma suspeita: será que chegou a hora de arrancar o siso?
Apesar de ser uma associação comum, sentir dor não significa necessariamente que o terceiro molar precise ser retirado.
A decisão depende da posição do dente, da origem dos sintomas e das condições de saúde bucal de cada paciente.
Segundo o cirurgião-dentista Flávio Pinheiro, a extração costuma ser indicada quando o siso apresenta complicações ou risco elevado de desenvolvê-las.
Entre as situações estão falta de espaço para nascer corretamente, dentes inclusos ou parcialmente erupcionados, infecções recorrentes, cáries, doenças periodontais, formação de cistos e danos aos dentes vizinhos.
A avaliação odontológica pode incluir exames de imagem para verificar a posição do dente, o formato das raízes e sua proximidade com estruturas importantes da boca.
Por que o siso pode doer mesmo sem ter nascido?
O siso não precisa estar totalmente visível para causar desconforto.
Essa situação pode provocar uma inflamação chamada pericoronarite.
Dentes inclusos, que permanecem dentro do osso ou sob a gengiva, também podem estar associados a alterações que exigem investigação.
Por isso, a intensidade da dor não deve ser o único critério para decidir pela cirurgia.
Em determinadas situações, é possível tratar o problema sem remover o dente.
Em outras, a extração pode ser necessária para evitar a repetição das complicações.
É necessário retirar os quatro sisos?
Não existe uma regra que determine a retirada obrigatória dos quatro terceiros molares.
Quando o siso está bem posicionado, nasceu completamente, participa adequadamente da mastigação, não apresenta doenças e permite uma boa higienização, ele pode permanecer na boca.
Mesmo nesses casos, o acompanhamento odontológico continua importante para identificar possíveis mudanças ao longo do tempo.
A avaliação pode começar ainda na adolescência ou no início da vida adulta, período em que o desenvolvimento dos terceiros molares costuma ser acompanhado.
Entretanto, a idade não determina sozinha a necessidade da extração.
A posição do dente interfere na cirurgia?
A complexidade do procedimento varia de acordo com as características de cada siso.
Um dente totalmente erupcionado e de fácil acesso pode ter uma remoção relativamente simples, enquanto dentes inclusos, inclinados ou próximos de nervos exigem planejamento mais cuidadoso.
Exames de imagem ajudam o cirurgião-dentista a avaliar essas condições e identificar possíveis riscos antes da intervenção.
Também é possível retirar os quatro sisos em um único procedimento, dependendo da saúde do paciente e da complexidade das extrações.
Embora essa escolha possa concentrar a recuperação em um único período, ela não é indicada automaticamente para todas as pessoas.
Quais sintomas exigem atenção após a extração?
Dor, inchaço e dificuldade para abrir a boca ou mastigar podem ocorrer nos primeiros dias depois da cirurgia.
A intensidade depende de fatores como a posição do dente, a manipulação dos tecidos e a existência de inflamação anterior.
O principal ponto de atenção é a evolução dos sintomas.
Quando a dor aumenta depois de alguns dias, especialmente acompanhada de mau cheiro, gosto desagradável, febre, secreção, sangramento persistente ou piora do inchaço, é necessário procurar avaliação odontológica.
Uma das possíveis complicações é a alveolite, condição que pode provocar dor intensa após a extração.
Os cuidados nas primeiras 72 horas
O período inicial de recuperação exige atenção às orientações do profissional.
Esforços físicos, bochechos vigorosos e o hábito de cuspir repetidamente devem ser evitados, pois podem prejudicar a formação e a manutenção do coágulo que protege o local operado.
A alimentação geralmente precisa ser adaptada, com preferência por alimentos macios e temperaturas adequadas à orientação recebida.
A higiene bucal deve continuar, respeitando os cuidados necessários na região da cirurgia.
O cigarro também deve ser evitado, já que pode comprometer a cicatrização e aumentar o risco de complicações.
E quando o siso está inflamado?
A presença de inflamação ou infecção pode modificar o planejamento da extração.
Dependendo da intensidade do quadro, o dentista pode recomendar o controle inicial do problema antes de realizar a cirurgia.
Em outras situações, a própria remoção do dente pode integrar o tratamento, desde que existam condições clínicas adequadas.
Para Flávio Pinheiro, o ponto principal é que a decisão não deve ser automática.
Um siso dolorido nem sempre precisa ser extraído, assim como a ausência de sintomas não garante que esteja livre de problemas.
A avaliação individualizada permite identificar a causa das alterações e escolher a conduta mais adequada, evitando tanto procedimentos desnecessários quanto o adiamento de tratamentos importantes.
