Dra. Ariane Bonucci
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Dra. Ariane Bonucci

A perda auditiva nem sempre começa com a incapacidade de ouvir sons.

Em muitos casos, os primeiros sinais aparecem de maneira discreta, como dificuldade para compreender palavras, necessidade de aumentar o volume da televisão ou esforço excessivo para acompanhar conversas.

Por serem graduais, essas mudanças podem passar despercebidas e atrasar a procura por avaliação especializada.

A fonoaudióloga Dra. Ariane Bonucci, mestre em Ciências Médicas e especialista do Espaço da Audição, explica que uma pessoa pode continuar ouvindo vozes e sons do ambiente, mas apresentar dificuldades para interpretar determinadas palavras, principalmente em locais movimentados, restaurantes e reuniões familiares.

Segundo a profissional, reconhecer essas alterações precocemente é importante para preservar a comunicação, a autonomia e a qualidade de vida, especialmente durante o envelhecimento.

Seis sinais que merecem atenção

Entre os principais indícios de possíveis alterações auditivas estão a dificuldade para entender palavras, os pedidos frequentes para repetir frases, o aumento do volume da televisão, a dificuldade para acompanhar conversas em ambientes ruidosos, as respostas que não correspondem às perguntas e o afastamento de situações sociais.

Ariane explica que essas mudanças podem ocorrer lentamente, fazendo com que a pessoa desenvolva estratégias para compensar a dificuldade sem perceber que sua audição está comprometida.

A expressão "eu escuto, mas não entendo" exemplifica uma situação comum: o indivíduo consegue perceber que alguém está falando, mas não compreende todas as informações transmitidas.

Isso acontece porque determinadas alterações auditivas comprometem a percepção de frequências importantes para a compreensão da fala, especialmente de alguns sons consonantais.

Familiares podem identificar o problema primeiro

Em diversas situações, familiares e pessoas próximas percebem as mudanças antes de quem apresenta a dificuldade auditiva.

Pedidos constantes de repetição, respostas inadequadas durante conversas e a necessidade de utilizar aparelhos eletrônicos em volumes elevados são comportamentos que merecem atenção.

Outro aspecto importante é o isolamento social.

Quando acompanhar conversas se torna cansativo ou constrangedor, algumas pessoas passam a evitar encontros familiares, reuniões e atividades coletivas.

De acordo com a fonoaudióloga, esse afastamento nem sempre é reconhecido como consequência de uma possível dificuldade para ouvir.

Perda auditiva e envelhecimento exigem acompanhamento

A saúde auditiva merece atenção em todas as fases da vida, especialmente entre pessoas expostas frequentemente a ruídos intensos e durante o envelhecimento.

A avaliação com um otorrinolaringologista e a realização de exames, como a audiometria, permitem investigar alterações e identificar possíveis comprometimentos da audição.

A periodicidade dos exames deve considerar fatores individuais, histórico de exposição ao ruído, sintomas e orientação profissional.

Além dos impactos na comunicação, estudos associam a perda auditiva não tratada a um maior risco de declínio cognitivo.

Essa associação não significa que toda pessoa com dificuldade auditiva desenvolverá demência, mas reforça a importância do diagnóstico e do acompanhamento.

Diagnóstico precoce amplia possibilidades de tratamento

Identificar alterações auditivas no início permite investigar suas causas e definir a conduta mais adequada para cada paciente.

Dependendo do diagnóstico, o tratamento pode envolver acompanhamento médico, intervenções específicas ou utilização de aparelhos auditivos.

Quando indicados, esses dispositivos podem melhorar o acesso aos sons da fala, favorecer a comunicação e contribuir para a participação em atividades sociais.

A especialista ressalta que o cuidado deve considerar não apenas os resultados dos exames, mas também as dificuldades enfrentadas no cotidiano.

Perda repentina de audição exige atendimento urgente

Diferentemente das alterações graduais, a redução súbita da capacidade auditiva deve ser tratada como uma situação que exige avaliação médica urgente, principalmente quando ocorre em apenas um ouvido.

Nesses casos, não é recomendado aguardar uma melhora espontânea ou deixar a investigação para uma consulta de rotina.

O início rápido do tratamento pode influenciar as possibilidades de recuperação, dependendo da causa.

Para Ariane Bonucci, a prevenção e a atenção aos primeiros sintomas são fundamentais para preservar aspectos importantes da vida cotidiana.

“Cuidar da audição é cuidar da comunicação, das relações, da independência e também da forma como queremos envelhecer”, afirma.

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