
O Brasil ocupa o primeiro lugar mundial em número de cirurgias plásticas estéticas, segundo dados de 2025 apresentados pela International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS). Foram aproximadamente 2,3 milhões de intervenções cirúrgicas no país, em um cenário de quase 17,9 milhões de cirurgias estéticas realizadas mundialmente.
A posição brasileira chama atenção não apenas pelo volume de procedimentos, mas também pelos cuidados necessários antes e depois de uma intervenção. Afinal, o que determina a segurança de uma cirurgia plástica? E por que o acompanhamento médico não termina quando o paciente deixa o centro cirúrgico?
Para o cirurgião plástico Gilberto Carlos da Silva Filho, também cirurgião geral e professor de Medicina da Universidade de Rio Verde (UniRV), a segurança depende de uma série de decisões que começam na avaliação inicial e continuam durante a recuperação.
“Quando se fala em cirurgia plástica, existe uma tendência de concentrar a atenção na técnica ou no resultado estético. Para o cirurgião, entretanto, existe um paciente que precisa ser avaliado integralmente. Histórico clínico, fatores de risco, extensão do procedimento, condições para recuperação e acompanhamento pós-operatório fazem parte do mesmo processo”, afirma Gilberto Carlos.
O que deve ser avaliado antes de uma cirurgia plástica?
A decisão de realizar um procedimento não depende apenas do desejo de modificar determinada característica física. O histórico de saúde, as condições clínicas e os possíveis riscos precisam fazer parte da avaliação.
Também é necessário considerar as expectativas do paciente e verificar se o procedimento pretendido é adequado para aquele caso.
“Nem sempre o procedimento que o paciente imagina inicialmente é aquele que oferece a melhor relação entre objetivo, segurança e resultado. Uma indicação responsável também significa reconhecer limites, discutir expectativas e, quando necessário, modificar ou até contra indicar uma cirurgia”, explica.
De acordo com os dados apresentados pela ISAPS, as cirurgias das pálpebras lideraram o ranking mundial de procedimentos cirúrgicos estéticos em 2025. Na sequência, aparecem lipoaspiração, aumento das mamas, mastopexia e abdominoplastia.
Apesar das diferenças entre essas intervenções, todas exigem avaliação médica e planejamento compatível com as condições individuais do paciente.
Por que o pós-operatório é tão importante?
O resultado de uma cirurgia não depende exclusivamente do que acontece durante a operação. A recuperação envolve processos biológicos, como cicatrização e adaptação dos tecidos, que variam de pessoa para pessoa.
Por isso, o acompanhamento pós-operatório é uma parte essencial do tratamento. Ele permite observar a evolução do paciente, identificar possíveis complicações e orientar os cuidados necessários durante a recuperação.
“A Cirurgia Plástica não pode ser separada dos princípios da cirurgia como um todo. Quando você acompanha pacientes complexos e diferentes necessidades de reconstrução, entende que resultado estético, função, cicatrização e segurança fazem parte do mesmo raciocínio. Essa visão influencia desde a indicação até a condução do pós-operatório”, afirma Gilberto Carlos.
O especialista destaca que uma cirurgia tecnicamente bem executada também depende do controle de fatores de risco e do cumprimento das orientações médicas após o procedimento.
Cirurgias combinadas exigem atenção redobrada?
A realização de diferentes procedimentos em uma mesma operação é uma possibilidade considerada em determinados planejamentos cirúrgicos, especialmente nas intervenções de contorno corporal.
Entretanto, a combinação de técnicas precisa levar em conta a extensão da cirurgia, o tempo operatório, as condições clínicas e a capacidade de recuperação do paciente.
A decisão deve ser individualizada, já que nem todas as pessoas apresentam as mesmas condições para se submeter a procedimentos de maior complexidade.
“Tecnologia e refinamento técnico permitem fazer muito mais hoje, mas não substituem raciocínio clínico. Saber operar é fundamental; saber quando operar, como preparar aquele paciente e como conduzir sua recuperação é igualmente importante”, diz.
Segurança vai além do resultado estético
Com formação em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica, Gilberto Carlos teve experiências em serviços voltados ao atendimento de queimados e à reconstrução de deformidades craniofaciais.
Atualmente, sua atuação concentra-se especialmente em cirurgias mamárias e de contorno corporal. Desde 2017, também participa da formação de novos médicos como professor da UniRV, ministrando disciplinas como Clínica Cirúrgica, Técnica Operatória e Urgências.
Para o especialista, a popularização da cirurgia plástica reforça a necessidade de discutir não apenas os resultados desejados, mas também os critérios utilizados para indicar e acompanhar cada intervenção.
“O resultado que aparece depois é consequência de uma sequência de decisões tomadas antes, durante e depois da cirurgia. Segurança não é uma etapa isolada do procedimento. É uma lógica que precisa acompanhar todo o tratamento”, conclui.
