Dr. Adiel Rios
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Dr. Adiel Rios

Irritabilidade intensa, crises de choro, ansiedade, tristeza e dificuldades para realizar atividades cotidianas.

Para muitas mulheres, esses sintomas aparecem todos os meses, especialmente nos dias que antecedem a menstruação.

Embora sejam frequentemente associados à tensão pré-menstrual (TPM), nem sempre representam uma alteração passageira.

Em alguns casos, podem indicar o transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) ou a piora de uma condição psiquiátrica já existente.

Uma revisão sistemática publicada em 2024 no Journal of Affective Disorders analisou 44 estudos, reunindo dados de 50.659 participantes.

Os pesquisadores identificaram uma prevalência de 3,2% de TDPM confirmado no conjunto das amostras analisadas.

Quando considerados apenas estudos comunitários com diagnóstico confirmado, o percentual foi de 1,6%.

Os resultados mostram a importância de critérios rigorosos para identificar o transtorno, evitando que sintomas pré-menstruais sejam confundidos com um diagnóstico psiquiátrico.

Segundo o psiquiatra Dr. Adiel Rios, fundador do Grupo Nutrindo Emoções, uma das principais diferenças está no comportamento dos sintomas ao longo do ciclo menstrual.

“Não é apenas a intensidade da irritabilidade ou da tristeza que precisamos observar, mas quando esses sintomas aparecem e o que acontece depois que a menstruação começa. No transtorno disfórico pré-menstrual, existe um padrão cíclico, com melhora importante após o início do sangramento. Quando o sofrimento permanece ao longo do mês, precisamos investigar outras possibilidades”, explica o especialista.

O TDPM é uma condição reconhecida pela psiquiatria e caracterizada por alterações emocionais e comportamentais que surgem predominantemente na fase anterior à menstruação.

Entre os sintomas estão oscilações intensas de humor, irritabilidade, ansiedade, tristeza, dificuldade de concentração, alterações do sono e sensação de perda de controle emocional.

Para caracterizar o transtorno, essas manifestações precisam provocar sofrimento significativo ou prejuízos na vida pessoal, profissional ou social.

Entretanto, existe outra situação que merece atenção: a exacerbação pré-menstrual.

Nesses casos, a paciente já apresenta uma condição, como depressão, transtorno de ansiedade ou transtorno bipolar, mas percebe uma intensificação dos sintomas nos dias anteriores à menstruação.

A diferença é que o sofrimento não desaparece completamente após o início do novo ciclo.

Uma revisão publicada em 2025 no The British Journal of Psychiatry investigou a relação entre transtornos pré-menstruais e transtornos de humor.

A análise reuniu 39 estudos e identificou taxas elevadas de coexistência entre essas condições, embora os pesquisadores tenham destacado diferenças metodológicas importantes entre os trabalhos.

Os resultados reforçam a necessidade de investigar o histórico psiquiátrico antes de estabelecer um diagnóstico.

“Uma paciente pode perceber que sua ansiedade ou tristeza piora antes de menstruar e acreditar que tudo se resume à TPM. Mas, se esses sintomas também estão presentes em outras fases do mês, precisamos avaliar se existe uma condição de base. Essa distinção é fundamental porque o tratamento pode ser diferente”, destaca Dr. Adiel.

O diagnóstico exige uma avaliação clínica cuidadosa.

Uma das recomendações é registrar diariamente os sintomas durante pelo menos dois ciclos menstruais, incluindo os dias em que a paciente se sente bem.

Esse acompanhamento ajuda a identificar a relação entre as alterações emocionais e as fases do ciclo, além de fornecer informações importantes para diferenciar TDPM de outras condições.

O cuidado também deve ser individualizado. Diretrizes do American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), publicadas em 2023, apresentam possibilidades terapêuticas que incluem medicamentos, intervenções psicológicas e outras estratégias, conforme a intensidade dos sintomas e as características de cada paciente.

Em pessoas com transtorno bipolar, por exemplo, o uso de antidepressivos exige atenção especial devido ao risco de desestabilização do humor em determinadas situações.

Para o psiquiatra, reconhecer os sintomas e procurar avaliação especializada são passos importantes para evitar que o sofrimento seja naturalizado.

“Sentir alterações emocionais ao longo do ciclo pode acontecer, mas quando essas mudanças comprometem relacionamentos, trabalho ou qualidade de vida, elas precisam ser investigadas. A mulher não deve ser orientada simplesmente a suportar esses dias todos os meses. Existe tratamento, e compreender a origem dos sintomas é essencial para escolher a melhor abordagem”, afirma.

A atenção à saúde mental feminina também merece destaque durante outubro, mês tradicionalmente dedicado à conscientização sobre a saúde da mulher.

Embora o Outubro Rosa tenha como foco o câncer de mama, o período pode contribuir para ampliar discussões sobre outras condições que afetam o bem-estar feminino.

Reconhecer a diferença entre TPM, TDPM e exacerbação pré-menstrual permite que sintomas frequentemente minimizados recebam a atenção necessária.

A avaliação especializada, associada ao acompanhamento do ciclo e ao histórico clínico, ajuda a identificar o problema e estabelecer estratégias de cuidado adequadas.

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