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Vacina chinesa

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Esta é a primeira patente concedida pela China a uma vacina contra o coronavírus

A China aprovou a primeira patente no país para uma vacina contra o novo coronavírus. Ela pode "ser produzida em massa em um curto período de tempo", informou a imprensa local na segunda-feira (17/08).

A vacina, chamada Ad5-nCoV, usa um vírus enfraquecido do resfriado comum — um adenovírus tipo 5 — para introduzir material genético do novo coronavírus no corpo humano.

Ela foi desenvolvida pelo Instituto de Biotecnologia de Pequim e pela empresa biofarmacêutica chinesa CanSino Biologics. O objetivo dela é treinar o corpo para produzir anticorpos que reconheçam uma parte específica do coronavírus SARS-CoV-2 e a combatam.

A imprensa local afirma que ela provoca uma "boa resposta imunológica em camundongos e roedores e pode induzir o corpo a produzir uma forte resposta imunológica celular e humoral (anticorpos) em um curto espaço de tempo".

Laboratório

Reuters/BBC
A vacina foi desenvolvida pelo Instituto de Biotecnologia de Pequim e pela empresa biofarmacêutica chinesa CanSino Biologics

De acordo com uma pesquisa publicada na revista The Lancet em julho, a fase 2 do ensaio clínico, que incluiu mais de 500 pessoas, mostrou-se segura e gerou uma resposta imunológica na maioria dos receptores após uma única imunização.

Em comparação com os mais jovens, os participantes mais velhos geralmente tinham respostas imunológicas significativamente mais baixas, de acordo com o estudo publicado na Lancet.

Como resultado, os idosos podem precisar de uma dose adicional para induzir uma resposta imunológica mais forte, mas mais pesquisas seriam necessárias para confirmar esse enfoque.

Fase 3

Deve-se notar que os participantes dos testes não foram expostos ao vírus após a inoculação, portanto, é muito cedo para saber se a vacina realmente protege ou não.

Isso poderá ser verificado durante a fase 3, que envolve um número muito maior de participantes.

Tanto a segurança quanto a eficácia da vacina CanSino precisarão ser confirmadas na terceira e última fase de testes, que está programada para acontecer na Arábia Saudita.

Coronavírus

Getty Images
A vacina ainda precisa demonstrar sua eficácia contra o SARS-CoV-2

A CanSino também está sendo negociada com outros países, incluindo Rússia, Brasil e Chile para realizar a fase 3 de seus testes nesses locais.

O desenvolvimento de uma vacina geralmente leva décadas. No entanto, muitos países aceleraram o processo de ensaios clínicos para encontrar uma vacina eficaz e segura contra a covid-19 e combater a atual pandemia o quanto antes.

Na semana passada, a Rússia aprovou a Sputnik V, tornando-se o primeiro país a autorizar uma vacina contra o novo coronavírus.

No entanto, esse anúncio foi recebido com ceticismo por parte da comunidade científica internacional, incluindo a própria Organização Mundial da Saúde (OMS), já que a vacina russa ainda não havia passado pela fase 3, última etapa do processo de testes, quando é aplicada em milhares de pessoas.

Em todo o mundo, mais de 150 vacinas contra a covid-19 estão sendo desenvolvidas e testadas.

Segundo dados da OMS, 28 delas estão em fase de ensaios clínicos, sendo seis na fase 3.

Testes no Brasil

Outra vacina desenvolvida por empresa chinesa - a CoronaVac, da farmacêutica Sinovac -, está em testes no Brasil desde julho.

Ela usa cópias inativadas (mortas) do coronavírus para levar o nosso sistema imune a produzir anticorpos capazes de neutralizar o coronavírus.

Ao todo, 9 mil profissionais da saúde brasileiros devem participar, nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Brasília.

A Sinovac é uma companhia privada com sede em Pequim e que tem experiência na produção de vacinas contra febre aftosa, hepatite e gripe aviária.

A tecnologia em teste é considerada segura, porque, ao usar o vírus inativado, é mais difícil que a vacina deixe uma pessoa doente.

A Sinovac diz ter a expectativa de produzir por ano 100 milhões de doses da vacina contra o novo coronavírus.

No Brasil, a empresa fez uma parceria com o Instituto Butantan, que é ligado ao governo de São Paulo. De acordo com o governador paulista, João Doria (PSDB), a CoronaVac pode estar disponível em janeiro do ano que vem.

No final de julho, uma coalizão entre a empresa alemã BioNTech, a americana Pfizer e a chinesa Fosun Pharma anunciou o início dos testes combinados de fase dois e três para uma vacina contra o coronavírus. Ela também usa a técnica de RNA mensageiro para obter uma resposta imune.

Serão 30 mil voluntários nos Estados Unidos e em outros países, entre eles Argentina, Brasil e Alemanha.

O governo de Donald Trump comprou 100 milhões de doses por US$ 1,9 bilhão, com a opção de comprar mais 500 milhões se quiser, e o governo do Japão garantiu 120 milhões para o país.

A expectativa é que sejam fabricadas mais de 1,3 bilhão de doses até o final do próximo ano.


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