O governador do Estado, João Doria, prometeu 46 milhões de doses da vacina até o fim de 2020
Foto: Governo de SP
O governador do Estado, João Doria, prometeu 46 milhões de doses da vacina até o fim de 2020

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta quarta-feira (28) a importação de insumos chineses da CoronaVac, vacina desenvolvida pela farmacêutica Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo. Por unanimidade, a diretoria da agência permitiu a importação de 120 bolsas com 200 litros cada do produto. 

A solicitação foi feita pelo Butantan para importação, em caráter excepcional, da matéria-prima para fabricação da vacina contra Covid-19 atualmente em estudo clínico em fase III, ainda sem registro no Brasil.

Após o anúncio da Anvisa, o governador João Doria (PSDB) comemorou a aprovação da importação da vacina nas redes sociais.

"Essa era uma autorização que constava no processo que contemplava a vacina já pronta e também a matéria-prima. As vacinas já prontas já foram autorizadas e agora estamos autorizando a vinda para o Brasil de matéria-prima, que é claro terá todo o atesto de segurança do manuseio desse material assumido pelo próprio Instituto Butantan, que é claro tem condições para isso, para que possa ter o início os ajustes da fase de produção", explicou o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o contra-almirante Antonio Barra Torres, em entrevista à CNN.

Apesar da autorização, a Anvisa impôs uma serie de condições ao Butantan para a chegada da matéria-prima. O Butantan terá de ficar responsável pelo produto no Brasil, seguindo todas as normas de biossegurança e só poderá aplicar a vacinaa se obtiver registro da Anvisa. Se isso não ocorrer, o instituto deverá destruir o produto.

"Essas condições nós entendemos que na verdade estamos explicitando no documento situações em que o instituto tem plenas condições de atender. Temos que lembrar que estamos lidando com um material, no caso o vírus inativado, mas um material biológico que precisa ter um controle muito bem feito e rigoroso. São detalhe que falam da segurança, do transporte e do seu manuseio", pontuou Barra Torres.

Críticas sobre "atraso" da Anvisa

O diretor do Butantan, Dimas Covas, nos últimas dias têm feito queixas públicas de que a agência estaria retardando a autorização, solicitada ainda em setembro.

A Anvisa negou retardar a análise do pedido e disse que seria feito em cinco dias úteis, prazo que foi cumprido com a decisão tomada nesta quarta-feira. O pedido foi discutido em Circuito Deliberativo, uma instância de votação online dos diretores da Anvisa.

Na semana passada, a Anvisa já tinha liberado a importação de 6 milhões de doses da CoronaVac, que já virão envasadas e prontas para o uso.

Em coletiva de imprensa, o governador de São Paulo, João Doria, anunciou que as 6 milhões de doses da vacina deverão chegar ao País "no mais tardar" até a próxima segunda-feira, em voo especial. O governo do estado de São Paulo aguarda ainda a conclusão dos testes clínicos e autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para início da aplicação do imunizante.

Politização 

A CoronaVac ganhou as principais manchetes dos jornais na última semana após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmar que não compraria a "vacina chinesa". 

A decisão do presidente veio após o Ministério da Saúde, anunciar a negociação para adquirir as 46 milhões de doses da vacina do Butantan. 

Contrariado, Bolsonaro mandou cancelar a compra – e o ministério, por sua vez, divulgou novo posicionamento afirmando que não havia intenção de compra.

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