Paulo Gustavo precisou ser submetido a uma terapia chamada  ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea)
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Paulo Gustavo precisou ser submetido a uma terapia chamada ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea)

A médica cardiologista Ludhmila Hajjar  afirmou que a terapia chamada ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea), adotada pelo ator Paulo Gustavo para tratamento da Covid-19, foi barrada no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2015. A afirmação foi feita em uma entrevista à CNN Brasil.

"Muita gente não tem a chance de ser tratado numa ótima estrutura, como Paulo Gustavo, nem tem chance de ter a ECMO, dispositivo relativamente caro", disse. "Não se consegue fazer ECMO em alta escala no SUS", acrescentou a médica, que chegou a ser cotada para o Ministério da Saúde este ano.

Na entrevista, Ludhmila contou que, em 2015, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) não autorizou o uso da ECMO no sistema público de saúde. "Sempre se pondera muito o custo, a efetividade, o momento que o país está passando e a economia. Hoje, eu diria que boa parte das vidas que estão sendo salvas no Brasil se devem a esse dispositivo".

Ela defendeu a ECMO e garantiu que a técnica pode salvar muitas vidas. "Pessoas que não tinham a menor chance de estarem vivas hoje, mas estão em suas casas porque tiveram a possiblidade de implantar a ECMO", disse.

A cardiologista voltou a pedir que os brasileiros respeitem as medidas de distanciamento social. "Infelizmente, a Covid hoje não escolhe idade, sexo, raça, pessoa. Ela se alastrou de uma maneira tão perigosa que todas as pessoas passaram a ser consideradas como do grupo de risco, inclusive para formas graves da doença". 

Entenda como funciona a ECMO

A ECMO pode ser usada em pessoas de todas as idades, desde recém-nascidos até idosos, e possibilita substituir a atividade só do coração ou do pulmão.

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A ECMO é um coração artificial e um pulmão artificial  para o paciente, que usa um circuito de tubos, bomba, oxigenador e aquecedor que fica instalado fora do corpo. Por conta das complicações de pacientes com Covid-19, o uso da técnica aumentou entre os pacientes mais graves para poupar esses órgãos enquanto a cura acontece.

Em entrevista ao iG, Luiz Guilherme Velloso, cardiologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, explicou como a ECMO veno-venosa funciona. "É uma técnica em que o sangue é retirado do corpo e bombeado para fora do por uma veia. O sangue passa por uma bomba e por uma membrana de oxigenação extracorpórea, aonde ele elimina o gás carbônico e é oxigenado, o que seria a função do pulmão. Após passar por essa membrana, ele é reinjetado no corpo, devidamente oxigenado e livre do gás carbônico". 

Pode ser utilizada em pós-operatório de cirurgia cardíaca, doenças pulmonares graves, quadros de insuficiência cardíaca, trauma ou infecção grave, entre outros.

Segundo o médico, o tempo médio do tratamento com o pulmão artifical em pacientes mais graves é de cinco a sete dias. Por ser mais jovem, o cardiologista diz que as chances de recuperação do ator Paulo Gustavo são grandes. "Um organismo mais jovem e sem doenças associadas tem mais armas para lutar contra uma forma tão grave da Covid". 

Luiz Guilherme Velloso destaca que quando o pulmão sofre uma lesão infecciosa, inflamatória ou traumática, ele tem comprometida sua função que é basicamente oxigenar o sangue e remover o gás carbônico para permitir o funcionamento adequado do organanismo. "Para pulmões pouco lesados, o respirador artificial muitas vezes é a solução para que o órgão melhore. Em alguns casos, uma ventilação artifical com uma quantidade de oxigênio maior do que a da atmosfera pode ser suficiente", explica.

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