Nos próximos meses a secretaria municipal de Saúde do Rio, a Fiocruz e o Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino farão um estudo para avaliar a segurança, eficácia e os possíveis benefícios de uma terceira dose da vacina contra a Covid-19 em todos os adultos. A pesquisa avaliará, entre outras coisas, o comportamento da dose de reforço com diferentes combinações. Para isso metade do grupo receberá o imunizante da Pfizer — como atualmente acontece com idosos — e a outra parte será imunizada com a vacina produzida pela AstraZeneca.

O estudo, já aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), prevê que a primeira etapa seja “cega”. No primeiro momento o participante não saberá qual imunizante recebeu e a vacina será escolhida de forma aleatória por um sistema eletrônico. Somente após 60 dias da aplicação será informado para a pessoa qual imunizante foi aplicado.

Nos primeiros dois meses do estudo, os candidatos serão avaliados pelo menos três vezes, mas poderá haver outras consultas caso ocorra alguma reação, por exemplo. É nesses primeiros 60 dias que os pesquisadores querem reunir informações sobre a segurança da terceira dose em diferentes faixas etárias e combinações de vacina. A previsão é que os primeiros resultados preliminares sejam coletados no início do próximo ano.

"Como é um número grande de pessoas inclusas, a ideia é ter os mais diferentes perfis de idade e pessoas com comorbidades ou não. O estudo será acima de 18 anos, mas boa parte com mais de 60 anos já receberam o reforço, então pode ser que tenhamos menos idosos. Observaremos se há diferença no reforço homólogo (todas três doses da mesma vacina,) ou heterólogo (duas primeiras doses com uma fabricante e a terceira de outra). Já temos dados de segurança, mas teremos mais detalhes por faixa etária, comorbidades e as diferentes combinações de vacinas", explica o coordenador da pesquisa José Cerbino, médico Infectologista da Fiocruz e membro do Comitê Científico da Prefeitura.

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Quem tiver interesse pode se cadastrar no site da Fiocruz ( https://livs.ini.fiocruz.br/projetos/boost01 ), onde há um termo de consentimento que deve ser assinado antes. Para essa pesquisa só pode se candidatar moradores da cidade do Rio com 18 anos ou mais. Também é preciso ter completado o esquema vacinal com duas doses há pelo menos seis meses com as vacinas da Coronavac, AstraZeneca ou Pfizer. Segundo Cerbino, os mais jovens que ainda não possui o intervalo de seis meses poderão se inscrever futuramente caso as inscrições não tenham sido completadas. Caso o candidato seja aprovado, ele deve assinar um Termo de Consentimento, que já pode ser lido no site do estudo.

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Após a primeira fase do estudo, serão selecionados cerca de três mil pessoas para serem acompanhadas durante um ano. Para essa etapa os pesquisadores querem avaliar a Imunogenicidade, ou seja, a produção de anticorpos que cada um gerará com a dose de reforço. Para isso serão coletadas quatro amostras de sangue (no dia da avaliação, um mês depois, seis meses depois e por fim, um ano após a aplicação da terceira dose).

"Veremos quais os níveis de anticorpos alcançaremos com esses reforços e a diferença em cada caso e idade. Também avaliaremos a efetividade, o quanto a dose de reforço conseguiu prevenir a infecção nesse grupo que será acompanhado durante um ano", diz o coordenador da pesquisa.

Este será o terceiro estudo sobre temas relacionados a efetividade da vacina feitos na cidade do Rio em parceria com a Fiocruz. O primeiro começou na Ilha de Paquetá — bairro da Zona Norte da cidade. Nele, todos os moradores acima de 18 anos foram imunizados com a AstraZeneca e os primeiros resultados preliminares apontam que 99% produziram anticorpos após a vacinação. Agora os pesquisadores estão debruçados em fazer diversas análises sobre os resultados por faixa etárias e de quem, por algum motivo, não produziu anticorpos.

O Complexo da Maré também foi alvo de outra grande ação que imunizou em massa os moradores da favela. Os resultados das amostras ainda são analisados pelos pesquisadores.

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