Anvisa envia ameaças feitas a servidores ao Supremo
Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Anvisa envia ameaças feitas a servidores ao Supremo

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF), na última sexta-feira (24), arquivos com as ameaças a servidores do órgão, que se intensificaram após a liberação da vacina da Pfizer contra a Covid-19 para crianças a partir de cinco anos. As informações foram solicitadas pelo ministro Alexandre de Moraes, que é responsável pelo inquérito na Corte. O documento é sigiloso.

Ontem, Moraes também concedeu prazo de 48 horas para que o presidente Jair Bolsonaro e o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, prestem esclarecimentos sobre o fato de o chefe do Executivo ter dito que pediria a divulgação do nome dos responsáveis por autorizar a vacinação na faixa etária de 5 a 11 anos.

Conforme mostrou o GLOBO, o teor das mensagens contra diretores e técnicos da Anvisa na última semana envolve ameaças como "considere este aviso como último". O número de e-mails intimidatórios ultrapassa 150, para além das ligações. Em um deles, o autor chama um servidor de "fdp", "safado" e "assassino".

"Olhe para as tuas mãos, estão sujas de sangue, seu assassino desgraçado. Você é mais um comunistinha sem caráter, traíra do presidente e sem vergonha na cara, usando essa gravatinha vermelha, cor de sangue das criancinhas que você está assassinando", afirma e-mail, do dia 18 de dezembro.

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Os pedidos de informação feitos por Moraes são uma resposta a um requerimento do senador Randolfe Rodrigues (Rede -AP) que acionou o Supremo após Bolsonaro defender em uma transmissão pela internet, na quinta-feira da semana passada, a divulgação dos nomes dos integrantes da agência. Na ocasião, em nota, o presidente da Anvisa e os quatro diretores da agência disseram ser alvos de "ativismo político violento".

Randolfe Rodrigues afirmou que Bolsonaro "fez questão de propalar aos quatro ventos que não concordava com a decisão técnica da Agência, inclusive ameaçando os profissionais, integrantes do corpo técnico do órgão, que votarem pela aprovação do uso da vacina no público infantil".

Segundo o senador, a intenção do presidente "não é exatamente aquela mais alinhada à transparência no trato da coisa pública, mas a de constrangimento dos servidores e a de construção de um cenário de demérito à decisão da agência".


“O que o presidente quer, na verdade, é promover uma onda de desinformação, com a propagação de notícias falsas que visem desestimular os pais a vacinarem seus filhos contra a Covid-19. Aliás, nada muito diferente daquilo que vem fazendo desde o início da pandemia — a tal ‘gripezinha’ que vitimou mais de 600 mil brasileiros e gravemente sequelou tantos outros — inclusive desde o início da campanha de imunização — em que, na visão do Presidente, muitos ‘se transformaram em jacarés’, afirmou o senador, em requerimento.

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