Entenda o que é o Transtorno Opositivo Desafiador (TOD)
TOD pode desenvolver comportamentos desafiadores nas crianças (Imagem: szefei | Shutterstock)
Entenda o que é o Transtorno Opositivo Desafiador (TOD)

O TOD é um transtorno do neurodesenvolvimento de diagnóstico independente, mas é frequentemente estudado em conjunto com o transtorno déficit de atenção e hiperatividade (TDA-H) ou com o transtorno de Conduta (TC). A característica principal do TOD é estar incluído nos Transtornos Disruptivos, onde a criança apresenta um padrão de comportamento negativo, desafiador, desobediente e hostil, todos com intensidade, frequência e duração acima do esperado para sua idade e, em alguns casos, o descontrole emocional pode levar a agressividade e episódios de violência verbal e física.

Causas do TOD

A causa do TOD é desconhecida ainda, mas pesquisadores identificaram diversas linhas de abordagem, um estudo atual sugeriu que a exposição pré-natal à álcool, nicotina, entre outros teratógenos aumentam as chances de a criança ter o problema, e muitos pais de crianças com TOD sofrem de transtornos emocionais, como ansiedade e depressão.

Sintomas do transtorno 

Geralmente os sintomas são classificados como birra, mas a questão é bem mais complexa. Os primeiros sinais costumam surgir durante os anos de pré-escola e, raramente, mais tarde, após o início da adolescência. É uma comorbidade de início e curso continuo.

Com frequência o TOD precede o desenvolvimento do TC, mas em números mínimos, também pode preceder o transtorno de ansiedade e depressivo maior, e nos que possuem sua classificação dentro dos sintomas de humor raivoso/irritável respondem pela maior parte de riscos para os transtornos emocionais. Entre alguns dos indícios estão:

  • Humor raivoso/irritável;
  • Perde a calma com frequência;
  • É sensível ou facilmente incomodado;
  • Tem raiva e ressentimento com frequência; 
  • Apresenta um comportamento questionador/desafiante;
  • Frequentemente questiona figuras de autoridades ou, no caso de crianças e adolescentes, adultos;
  • Incomoda deliberadamente outras pessoas;
  • Culpa os outros por seus erros ou mau comportamento.

Classificação dos subtipos de TOD

Atualmente vem se buscando distinguir os dois subtipos e suas dimensões, que foram abordados por pesquisadores da Universidade de Calgaria (Canadá), que relatam que há dois subtipos:

  • Sintoma de Afeto Negativo (ODDNA) – Sensível, raivoso, rancoroso e/ou vingativo;
  • Sintoma Comportamento Oposição (ODDB) – Argumentador, desafiador, intolerante.

O bebê por instinto usa o choro para conseguir o que quer, e conforme ele vai crescendo modula esse comportamento, utilizando a comunicação para receber suas demandas. Até os três anos esse comportamento vai se intensificando à medida que vão sendo alcançados seus feitos e a criança passa a querer chamar a atenção gritando, chorando e  se jogando no chão, mas ao ser direcionada ela consegue se moldar ao querer dos pais, essas atitudes tendem a sumir até os 4 anos e meio de idade, sendo uma criança neurotípica. 

Uma criança com TOD age dessa forma não só no ambiente familiar, começando a se estender ao convívio social. Quando chega aos 5 anos é onde geralmente esse comportamento se torna mais preocupante para os pais, pois nesse período cerca de 60% dos responsáveis por crianças com TOD não conseguem controlar as crises e uma das primeiras questões a serem eliminadas não é os sintomas, mas o convívio social, já que os adultos deixam de frequentar locais públicos, festas, reuniões e atividades, receosos que o filho (a) tenham crises. 

Níveis de TOD

  • Leve: os sintomas se limitam a apenas um ambiente (em casa, na escola, no trabalho, ou com os colegas);
  • Moderado: alguns sintomas estão presentes em pelo menos dois ambientes;
  • Grave: alguns sintomas estão presentes em três ou mais ambientes.

Formas de tratar o transtorno 

O Transtorno opositivo Desafiador quando isolado é tratado com terapia psicológica específica para modelação de comportamento, sendo a Cognitiva Comportamental, e o treinamento parental em conjunto para que todos os procedimentos utilizados nas terapias sejam reforçados em casa. O TOD não tem uma cura específica, e sim uma redução significativa dos sintomas, chegando a possibilidade de autorregulação por parte da criança/jovem.

Quando a criança apresenta o transtorno como uma comorbidade concomitante ao TDA-H se faz necessário a introdução de medicação para controlar os sintomas pertinentes ao TDA-H, e minimizar os efeitos coligados dos transtornos. 

Em alguns casos também é necessário aderir ao tratamento farmacológico em associação ao tratamento terapêutico como forma de reduzir, tornar o tratamento eficaz e seguro. Nesse ponto de vista, reduzir e/ou eliminar os sintomas de agressão e outros comportamentos disruptivos é de extrema importância.

Ainda não há estudos que comprovem efetivamente a eficácia real dos fármacos, mas sim a redução dos sintomas. Levando em consideração cada caso, analisando os efeitos adversos, alterando as dosagens e monitorando o processo, pode-se chegar ao fármaco mais propício.

Maneiras de ajudar pessoas com TOD

Em um primeiro momento pode parecer bem difícil lidar com os comportamentos e sintomas do TOD, principalmente quando se inicia as atividades escolares, mas se todos se prepararem, existem várias possibilidades de se alcançar êxito. 

Compreender o comportamento 

  • Identifique os sintomas do TOD;
  • Converse sempre com a criança sobre suas reações;
  • Reconheça a necessidade de manter o controle;
  • Ensine formas positivas de lidar com a frustração.

Ajustar e iniciar as técnicas parentais. 

  • Aprenda a se comunicar de forma clara e eficiente;
  • Não reaja de maneira raivosa;
  • Não culpe a criança/jovem ou o veja como um problema na sua vida;
  • Assuma a responsabilidade pelos seus próprios sentimentos e atitudes, torne-se um exemplo; 
  • Seja consistente, não é não, regras e limites devem ser claras e obedecer ao único comportamento aceitável;
  • Ajuste seus pensamentos, pois são eles que comandarão suas reações, substitua os negativos pelos positivos, veja que a criança/jovem precisa de ajuda e você é a referência;
  • Identifique os estressores tanto familiar como ambientais;
  • Ajude a identificar as emoções, tanto as suas como as da criança, não tente ser forte o tempo todo;
  • Deixe sempre claro a importância do respeito e dos limites;
  • Comece o tratamento o mais breve possível, estudos mostram que 67% das crianças com TOD se tornam assintomáticas no prazo de 3 anos caso iniciem o tratamento correto;
  • Trate outros problemas de saúde mental, investigue se há outras comorbidades além do TOD;
  • Participe de palestras, programas e atividades de treinamento;
  • Entre em grupos de apoio;
  • Caso seja necessário, não relute em iniciar tratamento farmacológico.

*Por Emanoele Freitas 

Neurocientista especializada em Transtornos do Neurodesenvolvimento e Psicopatologia. Entre os livros lançados está “Transtornos do Neurodesenvolvimento – Conhecimento, planejamento e inclusão” (Wak Editora) .

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