4 sinais para detectar precocemente o lipedema
Lipedema afeta cerca de 10% mulheres, mas ainda é um problema pouco conhecido (Imagem: New Africa | Shutterstock)
4 sinais para detectar precocemente o lipedema

Durante o final de semana, a modelo e influenciadora digital Yasmin Brunet, participante do Big Brother Brasil 2024, revelou aos demais participantes do programa que tem lipedema, condição caracterizada pelo acúmulo de tecido gorduroso com aumento desproporcional em áreas como coxas, culotes, quadris e pernas, e precisará passar por cirurgia.

Assim como a participante do BBB 24, muitas mulheres apresentam essa condição. Segundo a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, cerca de 10% das mulheres sofrem com o problema, no entanto, passam a vida inteira como uma ‘falsa magra’, isto é, magra da cintura para cima, mas com pernas grossas, por desconhecerem a condição, que ainda é uma enfermidade pouco conhecida até para os médicos.

“Muitas vezes, acredita que esse é o padrão de corpo familiar, já que o lipedema realmente pode afetar várias mulheres da família, então não pensa que pode ser um problema. E, como até pouco tempo o lipedema não era considerado uma doença, a literatura científica sobre seus mecanismos ainda é muita escassa. Dessa forma, a própria comunidade médica ainda está tomando consciência sobre a doença e se capacitando para o tratamento”, explica a médica.

Essa falta de conscientização sobre a doença e a confusão com outros problemas atrasa o diagnóstico e o tratamento, porém, alguns sinais podem ajudar e identificar a presença do lipedema, como indica a Dra. Aline Lamaita:

1. Acúmulo de gordura desproporcional

O lipedema é uma doença caracterizada pelo acúmulo de tecido gorduroso com aumento desproporcional no tamanho dos membros. “A doença afeta principalmente áreas como coxas, culotes, quadris e pernas, mas, eventualmente, pode atingir também os braços, porém, com menos frequência. Além disso, o lipedema é sempre simétrico”, diz a médica, que ressalta que pessoas com sobrepeso devem ficar especialmente atentas ao lipedema, visto que pode ser difícil notar o aumento do tamanho dos membros inferiores.

2. Gordura difícil de ser eliminada

É muito comum que o lipedema seja confundido com obesidade, o que causa grande frustração nas pacientes quando as estratégias comumente empregadas nesses casos não funcionam. “O grande problema é que a gordura do lipedema é doente e, frequentemente, não reduz somente com hábitos básicos como dietas e prática de atividade física. Esse deve ser outro sinal de alerta para buscar ajuda profissional”, aconselha a Dra. Aline Lamaita.

3. Sensibilidade ao toque

A dor ao toque é um dos principais sinais do lipedema. “Não é incomum que a portadora de lipedema estranhe ao se submeter a uma drenagem linfática ou massagem relaxante, já que a experiência, que deveria ser agradável, geralmente é acompanhada de dor e sensibilidade ao toque”, afirma a especialista, que ainda destaca aumento da frequência de hematomas espontâneos e maior tendência ao acúmulo de líquido como outros sintomas da doença.

4. Nódulos

O lipedema pode causar nódulos visíveis na pele, conferindo à região afetada um aspecto semelhante à celulite. “Fique atenta também à evolução desses nódulos: se eles crescerem, o tamanho das pernas aumentar e a pele começar a dobrar, como se fosse flácida, provavelmente trata-se de lipedema”, detalha a especialista.

Maneiras de tratar o lipedema

Ao notar esses sinais, o mais importante é buscar auxílio médico, pois, apesar de ser uma doença crônica, isto é, sem cura, o lipedema pode ser controlado quando devidamente abordado. A Dra. Aline Lamaita destaca que um bom tratamento de lipedema começa pelo cirurgião vascular, mas o acompanhamento com endocrinologista, nutricionista, fisioterapeuta e, eventualmente, ortopedistas e cirurgiões plásticos também é fundamental.

“Mudanças no estilo de vida com adoção de uma alimentação anti-inflamatória e prática regular de atividade física são estratégias importantes para controlar a evolução do lipedema. Mas outras medidas devem ser adotadas, como uso de meias de compressão e medicamentos e realização de sessões de fisioterapias, tratamentos vasculares e até lipoaspiração para retirada do tecido doente”, conta a profissional.

Quando a lipoaspiração é indicada?

Ao contrário do que muitos pensam, o tratamento do lipedema não se restringe a realização da cirurgia de lipoaspiração. “A imagem da lipoaspiração como grande solução para o lipedema é uma ideia simplista. Não basta apenas retirar essa gordura, pois não se trata simplesmente de um acúmulo de gordura qualquer. O lipedema é uma doença sistêmica, então somente fazer uma lipoaspiração não resolve”, diz a Dra. Aline, que explica que a lipoaspiração realmente faz parte dos pilares de tratamento contra o lipedema, mas não é necessária nem indicada em todos os casos e sempre deve ser acompanhada do tratamento clínico.

Por Maria Claudia Amoroso

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