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Incluir fibras e muita água no dia a dia já são dicas conhecidas, mas o paciente também deve "obedecer" ao intestino e ficar atento à posição para evacuar

Prisão de ventre pode interferir até na vida social do paciente que não se sente confortável para sair de casa
Pixabay
Prisão de ventre pode interferir até na vida social do paciente que não se sente confortável para sair de casa

Evacuar menos de três vezes por semana ou ter fezes muito duras ou em pouca quantidade frequentemente podem ser sinais de que você está com prisão de ventre. A constipação, que ainda é tabu para algumas pessoas, é causada, em 90% dos casos, por conta de hábitos de vida inadequados.

De acordo com a Dra. Luciana Lobato, gastroenterologista e professora da Unifesp, não comer fibras, deixar de ingerir líquidos e não atender ao “chamado do intestino” para evacuação são fatores que contribuem para a prisão de ventre . Nestes casos, o tratamento é mais simples.

A pessoa que não consegue ir ao banheiro direito deve, primeiro, corrigir os hábitos de vida. Ela precisa ingerir por volta de dois litros de água e de 25 a 35 gramas de fibras ao dia.  Segurar o cocô também está proibido, já que esta ação pode gerar um acúmulo de bolo fecal e também ressecamento, o que vai deixar a evacuação mais difícil e dolorosa. Esse hábito também pode indicar ao organismo que não é necessário indicar a vontade de evacuar quando se há pequenas quantidades de bolo fecal. Incluir uma atividade física ao dia a dia, como uma simples caminhada, é outra forma de ajudar o intestino.

Essa é a maior dificuldade de uma paciente que preferiu não divulgar o nome à reportagem do iG . “É complicado para quem tem o problema e, assim como eu, não conta com uma rotina de horários bem definidos, porque você não consegue criar um hábito para o seu organismo se acostumar como alguns médicos sugerem.”

Como fazer cocô

A posição que nós sentamos para evacuar também pode influenciar negativamente no resultado final. Ficar ereto, em uma inclinação de 90º, pode impedir o fluxo de resíduos. Já o simples hábito de elevar os pés permite uma inclinação menor e um relaxamento do quadril e da musculatura pélvica, favorecendo a evacuação.

Empresa criou o Eficiex, que pode ser encaixado à privada para ensinar posição correta para evacuar
Eficiex/ Divulgação
Empresa criou o Eficiex, que pode ser encaixado à privada para ensinar posição correta para evacuar

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Já existem até aparelhos específicos para que as pessoas fiquem em posição de cócoras mesmo sentada no vaso sanitário comum. Trata-se de um banquinho que é encaixado em frente à privada e onde é possível colocar os pés ao invés do chão.

Sinais de alarme

Se após 30 dias das mudanças de hábito o quadro não melhorar, é preciso ficar atento a outros sintomas, como emagrecimento, sangue nas fezes e falta de apetite. Caso isso ocorra, é preciso buscar ajuda de um profissional.

A constipação também pode ser causada por doenças do intestino, inclusive câncer, pelo uso de medicamentos analgésicos e para o mal de Parkinson, hipertireoidismo, diabetes e doenças de chagas, além de outros problemas – já no caso das mulheres grávidas, a dificuldade para evacuar está relacionada às alterações hormonais e também por possíveis mudanças erradas de hábitos alimentares.

Tratamento

No caso da paciente que já sofre há dez anos com a constipação o problema maior é conseguir criar uma rotina para o organismo. Já que isso não é possível, ela usa medicamentos quando não consegue ir ao banheiro, mas Dra. Luciana alerta que isso deve ser feito com cuidado.

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“Se o remédio faz parte dos chamados laxativos irritativos o quadro de constipação pode até piorar a longo prazo. O produto é um estimulante da célula intestinal, mas se usado por muito tempo pode acabar matando essas células”, explica a especialista. Já os laxativos de fibras, que são formadores de bolo, já não fazem tão mal ao organismo.

Se o problema não for tratado, pode acabar evoluindo para quadros de hemorroidas, causar fissuras anais e até hérnia umbilical.

Alimentação do paciente de prisão de ventre deve ser rica em fibras, que podem ser encontradas nas verduras cruas
Pixabay
Alimentação do paciente de prisão de ventre deve ser rica em fibras, que podem ser encontradas nas verduras cruas


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