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Ainda que as conclusões não sejam muito claras, estudo afirma que quanto maior a quantidade de lítio na água, menores são os riscos de ter Alzheimer

Pesquisador alerta que, antes de usar o metal na água para prevenir demência, é preciso procurar um médico
shutterstock/Reprodução
Pesquisador alerta que, antes de usar o metal na água para prevenir demência, é preciso procurar um médico

Pessoas que consomem água potável com níveis mais altos de lítio poderão ter menor risco de desenvolver demência. Pelo menos é essa a conclusão de uma pesquisa recente, publicada na revista “JAMA Psychiatry”, feita por cientistas da Universidade de Copenhague, na Dinamarca. O lítio, que hoje é usado como uma droga para tratar o transtorno bipolar e depressão, é um metal natural também encontrado na água da torneira, embora a quantidade varie de região para região.

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Mas o que essa substância tem a ver com a demência ? Segundo a pesquisa, ao adicionar o metal à água potável, o elemento químico pode proteger o cérebro, da mesma forma que o flúor é serve para proteger os dentes.

A análise, baseada em uma avaliação de 800 mil pessoas na Dinamarca, é o primeiro de a fazer essa relação. De acordo com o artigo publicado, "Este é o primeiro estudo, que temos conhecimento, que se propôs investigar a associação entre o lítio na água potável e a incidência da doença”.

Conforme a constatação dos estudiosos, quanto maior o consumo da substância a longo prazo, menor será a incidência da condição mental.

Resultados

A equipe testou amostras de água de 151 obras hidráulicas dinamarquesas.

Em seguida, analisou os registros médicos de mais de 73 mil cidadãos com demência e mais de 733 mil sem a doença e calculou seus níveis de exposição ao elemento químico.

Porém, resultados não foram inteiramente claros. As concentrações mais altas do metal foram ligadas a um risco diminuído da doença, mas os níveis médios apresentaram maior risco do que os mais baixos.

 Comparado com pessoas cuja água potável continha baixos níveis (de dois a cinco microgramas de lítio por litro), aqueles que consumiram quantidades moderadas (entre 5,1 e 10 microgramas por litro) eram 22% mais propensos a sofrer da condição.

 Enquanto isso, aqueles que tinham níveis elevados (15 microgramas por litro ou mais) eram 17% menos propensos a ter a condição.

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Considerações

 Para o professor emérito de farmacologia na Universidade de Oxford David Smith, as descobertas são interessantes, mas ainda não há provas suficientes de que a adição da substância aos reservatórios de água seria uma boa ideia.

"Este é um estudo de alta qualidade em uma grande população. A consistência da associação foi significativa, no entanto, não era uma relação linear. Assim, o estudo não tem implicações para a saúde pública, ou seja, não devemos começar a adicionar lítio à nossa água da torneira porque não saberíamos o valor a ser utilizado", alertou Smith.

Ele disse que a pesquisa foi importante, com estudos de ressonância magnética que mostram que a adição do metal à água aumentam o volume de partes do cérebro que estão envolvidas em doenças como o Alzheimer .

Mas ele também apontou que outro elemento contido na água, o cálcio, também pode ter efeito. "Resultados semelhantes de uma relação não-linear foram relatados para o cálcio na água potável em um estudo chinês”, ressaltou o professor.

A Sociedade de Alzheimer declarou que, na teoria o metal pode funcionar como um tratamento para a doença de Alzheimer, mas é preciso de mais pesquisas adicionais.

Apesar de a pesquisa apontar resultados que indicam que o lítio poderia prevenir a demência, James Pickett, chefe de pesquisa, admite que ainda é preciso mais estudos para afirmar que o uso do metal poderia, realmente, ser usado como uma medida de saúde pública. "Em doses elevadas, ou mesmo em doses baixas, em algumas pessoas o lítio pode ser tóxico, por isso é importante consultar um médico antes de considerar usá-lo como suplemento", finalizou.

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