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Técnica pioneira, desenvolvida pela Universidade Federal do Ceará, está em fase de testes; além de ser mais barato, método promete ser menos dolorido

Pele de tilápia, que vai para o lixo, é a nova aposta entre os pesquisadores cearenses para tratamento de queimaduras
Creative Commons/Wikimedia
Pele de tilápia, que vai para o lixo, é a nova aposta entre os pesquisadores cearenses para tratamento de queimaduras

Um novo método para o tratamento de queimaduras está dando o que falar entre os profissionais da saúde da região Nordeste. O procedimento, pioneiro em todo o mundo e desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), está sendo utilizado em alguns pacientes, em fase de testes, e os resultados são animadores, já que as dores das vítimas e os custos médicos são menores do que quando aplicado o método original.

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A prática consiste em usar a pele de tilápia em queimaduras graves, pois o material vindo do peixe mantem as feridas úmidas e é capaz de transmitir colágeno, proteína que estimula a cicatrização. Ainda segundo os desenvolvedores da técnica, a substância também apresenta resistência a doenças em níveis comparáveis à pele humana.

Até então, era comum a utilização de pele de porco congelada e tecido humano para esse fim. Mas, pela escassez desses subsídios, os hospitais públicos brasileiros muitas vezes precisam optar pelo uso de bandagens de gaze, uma alternativa pouco prática, pois necessita ser trocada regularmente, e dolorosa.

Tratamento

Para realizar a terapia, os médicos utilizam a pele de tilápia para cobrir a parte da pele do paciente que fora atingida e, só assim, passar uma bandagem por cima. O uso de qualquer creme é dispensado, e a quantidade de analgésicos diminui, enquanto a cicatrização é acelerada: em 10 dias é possível retirar a bandagem e a pele do peixe, que já deverá ter secado e se descolado da queimadura, podendo ser descascada com as mãos.

No entanto, antes de aplicar nos 56 pacientes que já foram tratados com o método, ainda em fase de testes, o material foi tratado e esterilizado, para evitar a contaminação por qualquer vírus, e remover o odor do peixe. Esse processo foi realizado em São Paulo. Ao receber as substâncias higienizadas de volta, os profissionais da UFC embalaram e refrigeraram as peles, que ficam armazenadas no laboratório da instituição. Os pedaços do peixe têm duração de dois anos.

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Por estar em fase de pesquisa, o uso em queimaduras de segundo grau ainda está sendo analisado. Nem todos os pacientes que chegam ao hospital podem ser tratados com a técnica, pois depende de um critério que envolve idade e estágio dos machucados.

A iniciativa da pesquisa partiu da reflexão da descoberta de que 99% da pele deste peixe vai para o lixo. Pensando nisso, os cientistas da UFC deram entrada em um estudo, em 2015, com a ajuda do Instituto Dr. José Frota para tentar aproveitar o material na área da saúde.

Segundo as estimativas feitas pelos participantes da pesquisa, outra grande vantagem do tratamento é o fato de ele ser 75% mais barato do que o creme utilizado para cuidar de pacientes queimados no Brasil.

Muito comum nos rios e criadouros brasileiros, a tilápia cresce rápido e seu cultivo está se expandindo, devido a demanda por peixes de água doce com sabor moderado.

Próximos passos

Apesar de ainda não haver a comercialização do procedimento e do material utilizado, os pesquisadores acreditam que a nova técnica deverá ser acessível em termos financeiros, e poderá servir como um incentivo para o uso da pele, que antes era descartada.

Mas, para ser considerada uma alternativa efetiva no tratamento de queimaduras em unidades públicas de saúde, ainda é preciso encontrar um laboratório para produzir o material, ser registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para, só então, ser comercializado.

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