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Para especialistas, paciente e médico devem decidir juntos sobre qual melhor solução terapêutica; atendimento multidisciplinar também é fundamental

Presidente do Congresso Brasileiro de Reumatologia 2017 fala sobre as novidades no tratamento de artrite reumatóide
Divulgação/Facebook
Presidente do Congresso Brasileiro de Reumatologia 2017 fala sobre as novidades no tratamento de artrite reumatóide

Os protocolos utilizados pelos reumatologistas no tratamento de artrite reumatoide foram atualizados. As novas diretrizes aplicadas aos pacientes com a condição foram apresentadas pela Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) durante o 34º Congresso Brasileiro de Reumatologia, em Florianópolis, que termina neste sábado (16).

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“O propósito deste documento foi estabelecer diretrizes consensuais para o tratamento da artrite reumatoide no Brasil e embasar os reumatologistas brasileiros. Isso pode ser feito através das evidências obtidas na literatura médica e da experiência de uma comissão de especialistas no assunto, considerando o contexto sócio-econômico brasileiro e mantendo a autonomia do médico na indicação e escolha das alternativas terapêuticas disponíveis”, afirma Georges Christopoulos, presidente da SBR.

De acordo com a nova abordagem de tratamento, um dos pontos que devem ser trabalhados com o paciente é o atendimento multidisciplinar. “Eu sempre digo que o reumatologista, habitualmente, fala para reumatologista e ouve de reumatologista. O grande problema é que as doenças reumáticas são doenças sistêmicas que envolvem vários órgãos, então é importante que haja um intercâmbio. Muitas vezes as doenças reumáticas são diagnosticadas de formas errôneas por outras especialidades por conta da falta dessa troca com médicos de outras áreas”, explicou o presidente do congresso, o médico reumatologista Ivânio Pereira.

Paciente

Além da conversa entre os médicos, o diálogo entre paciente e médico também é de extrema importância, e foi definido como mais um protocolo durante a consulta médica. O especialista deve incluir “orientações sobre hábitos de vida, controle rigoroso das comorbidades e atualização do cartão de vacinas”, conforme divulgou a SBR.

As decisões sobre como deve ser encaminhado o tratamento também foram ressaltadas como fundamentais durante esse processo. É importante que quem vai ao consultório também participe, baseado nas informações e esclarecimentos de seu diagnóstico, para escolher, junto do especialista, a melhor opção terapêutica.

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“As decisões devem ser compartilhadas. Não é que o médico está se isentando, mas ele quer que o paciente participe para que, lá na frente, o paciente não se queixe de que pediu uma coisa e foi trabalhada outra. Então, essa é uma questão cultural que temos que desbravar”, defendeu Lívia Gonçalves, gerente médica autoimune do laboratório farmacêutico Lilly.

A última inclusão no protocolo terapêutico é de que o objetivo do tratamento tenha foco no estado persistente de remissão clínica - quando não há sinais da doença -  ou, quando não for possível, na baixa atividade da enfermidade. Para isso, os médicos apresentaram, durante os simpósios e palestras, diversas novidades em procedimentos e técnicas, além de terem promovido discussões sobre o tema.

Sem cura

A artrite reumatoide é uma condição que atinge aproximadamente 2 milhões de brasileiros. Autoimune, inflamatória, sistêmica e crônica, a doença é mais comum entre as mulheres, a incidência aumenta com a idade e o maior pico é entre os 30 e 50 anos. Apesar de não haver cura, o tratamento faz toda a diferença para a qualidade de vida do paciente. Sem ajuda médica, 20 a 30% das pessoas acometidas pela enfermidade podem ficar permanentemente incapazes de realizar suas atividades após três anos do diagnóstico.

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