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Um terço das pessoas com mais de 18 anos diz não ter conhecimento sobre as vacinas disponíveis para essa faixa etária no sistema público e privado

De acordo com o Calendário Vacinal da SBI, há no Brasil 12 vacinas disponíveis para proteger pessoas acima de 18 anos
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De acordo com o Calendário Vacinal da SBI, há no Brasil 12 vacinas disponíveis para proteger pessoas acima de 18 anos

Durante a infância, o acompanhamento do calendário vacinal é visto como uma preocupação fundamental para o crescimento saudável da criança. Porém, com a chegada da adolescência e com a carteira de vacinação quase completa, essa importância se enfraquece e, já na fase adulta, fica ainda mais difícil encontrar alguém que saiba dizer com certeza se tomou todas as vacinas indicadas para a sua idade.

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De acordo com os dados da pesquisa internacional conduzida pelo instituto Ipsos MORI a pedido da farmacêutica GSK, é um costume dos brasileiros “esquecer” de se vacinar no período entre a infância e terceira idade. Dos participantes do estudo, 64% dos adultos acima de 18 anos confessaram que não estão com a vacinação totalmente em dia.

O levantamento mostra ainda que 33% dos brasileiros não sabem exatamente quais são os imunizantes necessários para adultos . Cerca de 10% da população acredita que a vacinação só é realmente importante enquanto se é criança, e 15% consideram que as doses são necessárias apenas em ocasiões especiais, como viagens para locais onde elas são exigidas.

Para a gerente médica de vacinas da GSK no Brasil Bárbara Furtado, há vários motivos que justificam esse tipo de comportamento da sociedade brasileira. “Além da questão cultural, de que não é preciso se preocupar com vacinação nessa fase, há também a falta de informação e acesso, já que muitas das vacinas indicadas para adultos não estão disponíveis no sistema público”.

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Vácuo no SUS

Bárbara ressalta que o pensamento de que “só porque a imunização não é ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) não é importante” existe. Porém, segundo ela, essa afirmativa não tem embasamento científico.

Até 2016, o calendário de vacinação do Ministério da Saúde apresentava um “vácuo” entre as doses, aplicadas em adolescentes, e as destinadas aos idosos, sem mencionar nenhum imunizante específico para a fase adulta.

Somente neste ano, a pasta resolveu incluir a segunda dose da Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) para pessoas de 20 a 29 anos. Antes, essa dose era aplicada apenas em pessoas com até 19 anos. A mudança se deu em decorrência dos surtos de caxumba registrados nos últimos anos no país, que atingiu especialmente adolescentes e adultos jovens. Dessa forma, as duas doses passam a ser recomendads para pessoas de 12 meses a 29 anos.

Mas, seguindo a recomendação da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) , pessoas de 20 a 59 anos deveriam tomar mais de 10 vacinas diferentes. São elas: tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola), hepatites A e B, HPV, Tríplice bacteriana (difteria, tétano e coqueluche), varicela, influenza, meningite ACWY, meningite B, febre amarela, pneumocócicas, herpes zoster e dengue.

Ao questionar os participantes da pesquisa, foi possível perceber, entretanto, que nos últimos 5 anos, poucos foram os adultos que se preocuparam em atualizar as carteiras de vacinação na rede privada. Entre os entrevistados, 58% afirmaram que se vacinaram contra gripe, seguido de 41% que se imunizou contra Febre Amarela e 27% contra Hepatite B. Outras doenças tiveram pouca adesão vacinal, como Sarampo, Caxumba e Rubéola (10%), Meningite C (7%), Meningite B (7%), Meningite ACWY (6%).

Risco à saúde

Para Bárbara, esse baixo índice de proteção é preocupante, pois pode acarretar em diversos problemas para a saúde do indivíduo e da sociedade que o cerca. Como no caso da tríplice bacteriana, que age para prevenir a coqueluche , que pode ser assintomática em adultos, mas perigosa para crianças. “Essa é uma doença que afeta principalmente os bebês a partir de seis meses de idade e, além de outras complicações, pode levar crianças a óbito”, explica a gerente médica. Isso significa que, ao ser infectado pela bactéria, o adulto poderá transmitir a doença e colocar a saúde de crianças em risco.

A vacina contra a gripe também vale atenção, conforme explica a especialista. Ainda que os adultos não estejam incluídos no grupo que tem direito à proteção - que abrange crianças, grávidas e idosos -, é importante a busca por imunização. “Não são poucos os casos de pacientes saudáveis a serem internados por gripe que apresentam complicações, muitas vezes graves, em seus quadros de saúde”.

A médica alerta ainda sobre a importância de ficar atento às mudanças que ocorrem no esquema vacinal do SUS. Em São Paulo, por exemplo, uma doença que parecia esquecida voltou a assombrar o estado de nos últimos meses. Os registros de hepatite A aumentaram mais de 900% neste ano. “A vacina entrou no calendário vacinal apenas em 2014. Então, por mais que a pessoa tenha seguido todas as recomendações vacinais no posto de saúde, se ela ainda não teve a doença e não nasceu depois de 2014 precisa tomar a dose” afirmou Bárbara.

Converse com seu médico

Entre os adultos que não estão com a vacinação totalmente em dia, quase dois terços, o equivalente a 63%, assumem que a razão é por não saberem quais as vacinas estão disponíveis para esta faixa etária.

A falta de informação por parte do sistema de saúde público e privado colabora para que os pacientes continuem sem saber onde tirar dúvidas. É possível perceber a necessidade de campanhas focadas nesse público quando se usa como exemplo a adesão da população adulta à vacinas contra febre amarela e dengue, por exemplo. As pessoas entenderam que era preciso se proteger e foram em massa aos postos de saúde para receber a imunização.

"É muito importante trazer essa discussão. É fundamental que tanto o paciente se sinta confortável para tirar suas dúvidas, quanto os médicos estejam preparados para responder", avalia Bárbara.

A especialista indica que as pessoas conversem com um médico de confiança, seja lá qual for a especialidade, e tirem as dúvidas sobre as vacinas disponíveis para cada um. "As doenças estão aí, nenhuma delas foi erradicada, e a gente precisa se prevenir de uma forma melhor do que a que fazemos hoje".

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