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Das 112,5 milhões de doações coletadas em toda a esfera global, quase metade são feitas por países que abrigam apenas 19% da população mundial

Doação de sangue ainda é um desafio para a OMS em todo o mundo; no Brasil, são feitas cerca de 3,4 milhões de doações
Alexandre Carvalho/A2 Fotografia
Doação de sangue ainda é um desafio para a OMS em todo o mundo; no Brasil, são feitas cerca de 3,4 milhões de doações

Por mais que o número de pessoas que fazem doação de sangue tenha aumentado nos últimos anos, cerca de metade dessas ações são registradas apenas em países de alta renda, onde abriga somente 19% da população.

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No Dia Mundial do Doador de Sangue, lembrado nesta quinta-feira (14), a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou dados importantes sobre a como a doação de sangue acontece em todo o mundo. Segundo a entidade, anualmente, são coletadas 112,5 milhões de doações em toda a esfera global.

No entanto, a taxa registrada nos países de alta renda é de 32,1 doações para cada grupo de mil pessoas, contra 14,9 em países de renda média alta; 7,8 em países de renda média baixa; e 4,6 em países de baixa renda.

Ainda de acordo com a OMS, nas regiões mais pobres do mundo, até 65% das transfusões de sangue são destinadas a crianças menores de 5 anos. Já em países de alta renda, idosos com mais de 65 anos respondem pelo maior número de transfusões, com 76%.

Dados da organização mostram aumento de 10,7 milhões de doações voluntárias entre 2008 e 2013. Ao todo, 74 países coletaram mais de 90% de seu estoque dessa forma. Entretanto, 71 países coletaram mais de 50% por meio de doações de parentes ou doações pagas.

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Doação de sangue na América Latina

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), desde 2015, apenas 45% do sangue para transfusões coletado na América Latina e no Caribe foram obtidos por meio de doação voluntária. Embora o número represente um aumento de 38,5% em relação a 2013, ainda é muito menor do que a meta de 100% recomendada pela OMS.  

“A Opas pede aos países das Américas que redobrem os esforços para melhorar os sistemas baseados na doação de sangue voluntária e não remunerada. Isso pode evitar milhões de mortes a cada ano, incluindo as por hemorragia pós-parto, acidentes de trânsito e várias formas de câncer”, informa a entidade.

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Situação no Brasil

No Brasil, são feitas cerca de 3,4 milhões de doações de sangue por ano. Dados de 2016 indicam que 1,6% da população brasileira – 16 a cada mil habitantes – pratica a doação. Embora o percentual fique dentro dos parâmetros estabelecidos pela OMS, que é de pelo menos 1% da população, o Ministério da Saúde anunciou que tem se esforçado para aumentar a taxa.

Em 2017, a pasta investiu R$ 1,2 bilhão na rede de sangue e hemoderivados (Hemorrede). Os recursos foram destinados a estruturação da rede nacional para a modernização das unidades, qualificação dos profissionais e processos de produção da Hemorrede, além do fornecimento de medicamentos de alto custo a pacientes para atenção aos pacientes portadores de doenças hematológicas.

Atualmente, o Brasil possui 32 hemocentros coordenadores e 2.033 serviços de hemoterapia, incluindo hemocentros regionais, núcleos de hemoterapia, unidades de coleta e transfusão, central de triagem laboratorial de doadores e agências transfusionais. A doação de sangue é 100% voluntária e beneficia qualquer pessoa independente de parentesco com o doador.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil é referência em doação de sangue na América Latina, Caribe e África. Desde 2009, a experiência brasileira é utilizada em cooperações técnicas com vários países para o fortalecimento e desenvolvimento da promoção da doação voluntária de sangue, qualificação da atenção integral à pessoa com Doença Falciforme e aperfeiçoamento da produção de hemocomponentes. Honduras, El Salvador e República Dominicana são exemplos de parceiros em projetos para o fortalecimento da doação voluntária de sangue.

Por que doar sangue?

O sangue é essencial para os atendimentos de urgência, realização de cirurgias e tratamento de pessoas com doenças crônicas e oncológicas
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O sangue é essencial para os atendimentos de urgência, realização de cirurgias e tratamento de pessoas com doenças crônicas e oncológicas

É importante lembrar que o sangue é essencial para os atendimentos de urgência, realização de cirurgias de grande porte e tratamento de pessoas com doenças crônicas, como a Doença Falciforme e a Talassemia, além de doenças oncológicas variadas que, frequentemente, necessitam de transfusão sanguínea.

Para doar, é preciso ter entre 16 e 69 anos, porém, os menores de 18 anos precisam do consentimento dos responsáveis e, entre 60 e 69 anos, a pessoa só poderá doar se já o tiver feito antes dos 60 anos.

Além disso, é preciso pesar, no mínimo, 50 quilos e estar em bom estado de saúde. O candidato deve estar descansado, não ter ingerido bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores à doação e não estar em jejum. No dia, é imprescindível levar documento de identidade com foto.

A frequência máxima é de quatro doações anuais para o homem e de três doações anuais para a mulher. O intervalo mínimo deve ser de dois meses para os homens e de três meses para as mulheres.

“O sangue é insubstituível. Ainda não existe nenhum tipo de medicamento que possa substituir a doação de sangue. E quem precisa, só consegue graças à generosidade de quem doa. O importante é doar regularmente, pois em períodos de férias e seca, a tendência é diminuir os estoques. Vale lembrar que uma doação pode beneficiar até quatro pessoas”, reforçou o coordenador da área de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Flávio Vormittag.

O que impede a doação?

  • Evidências de Hepatites B e C, Aids, doenças associadas aos vírus HTLV I e II e Doença de Chagas; 
  • Uso de drogas ilícitas injetáveis; 
  • Malária; 
  • Hepatite (consultar condições); 
  • Resfriado (esperar sete dias); 
  • Gravidez, 90 dias após parto normal e 180 dias após cesariana; 
  • Amamentação (se o parto ocorreu há menos de 12 meses); 
  • Ingestão de bebida alcoólica nas últimas 12 horas; 
  • Tatuagem ou maquiagem definitiva nos últimos 12 meses; 
  • Risco de adquirir doenças sexualmente transmissíveis (esperar 12 meses); 
  • Qualquer procedimento endoscópico (aguardar 12 meses); 
  • Extração dentária ou tratamento de canal (esperar 7 disa); 
  • Cirurgia odontológica com anestesia geral (aguardar 4 semanas); 
  • Acupuntura (verificar condições) 
  • Vacina contra gripe nas últimas 48 horas;
  • Herpes labial ou genital (esperar até desaparecimento total das lesões);
  • Herpes Zoster (esperar seis meses da cura); 
  • Viagens para Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Tocantins (aguardar 12 meses);

Cuidados após a doação de sangue

  • Repouso de 15 minutos para evitar mal estar
  • Beber bastante líquido
  • Evitar esforço físico exagerado por 12 horas, especialmente com o braço utilizado na doação
  • Se tiver febre, diarréia ou outro sintoma de doença infecciosa até sete dias após a doação, comunicar imediatamente o Banco de Sangue

Para saber onde fazer a doação de sangue, basta acessar o site Movimento "Eu Dou Sangue" , que fornecesse os endereços dos bancos de sangue. 

*Com informações da Agência Brasil

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