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Segundo a Frente Nacional dos Prefeitos, com a saída dos cubanos 3.243 municípios correm o risco de ficar sem nenhum médico a partir de 2019

Programa Mais Médicos foi lançado em 2013. Cuba anunciou saída do programa após críticas de Bolsonaro
Karina Zambrana/Ministério da Saúde
Programa Mais Médicos foi lançado em 2013. Cuba anunciou saída do programa após críticas de Bolsonaro

De acordo com a Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), com a decisão do Ministério da Saúde de Cuba de rescindir a parceria com o programa Mais Médicos, mais de 29 milhões de brasileiros poderão ficar desassistidos da atenção básica de saúde.

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Em razão disso, as duas entidades apelaram para que o presidente eleito Jair Bolsonaro reveja sua decisão de aplicar novas exigências para a permanência dos cubanos no país, o que, de acordo com as autoridades de Cuba, foi o que motivou o fim do convênio com o Mais Médicos .

"As entidades pedem a revisão do posicionamento do novo Governo, que sinalizou mudanças drásticas nas regras do programa, o que foi determinante para a decisão do governo de Cuba. Em caráter emergencial, sugerem a manutenção das condições atuais de contratação, repactuadas em 2016, pelo governo Michel Temer, e confirmadas pelo Supremo Tribunal Federal, em 2017", diz a nota.

Os profissionais de nacionalidade cubana representam, atualmente, mais da metade dos médicos do programa, o que poderá acarretar em "um cenário desastroso" para pelo menos 3.243 municípios. "Dos 5.570 municípios do país, 3.228 (79,5%) só têm médico pelo programa e 90% dos atendimentos da população indígena são feitos por profissionais de Cuba", informa a nota.

O Conasems e a FNP lembram ainda que o Mais Médicos é amplamente aprovado pelos usuários, com 85% de satisfação em relação à melhoria na assistência em saúde após a implantação do programa.

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"Cabe destacar que o programa é uma conquista dos municípios brasileiros em resposta à campanha 'Cadê o Médico?', liderada pela FNP, em 2013. Na ocasião, prefeitas e prefeitos evidenciaram a dificuldade de contratar e fixar profissionais no interior do país e na periferia das grandes cidades", afirmam prefeitos e secretários de saúde na nota.

Segundo as entidades, a cooperação com o governo de Cuba impactará negativamente no sistema de saúde, aumentando as demandas por atendimentos nas redes de média e alta complexidade, além de agravar as desigualdades regionais, já que a maioria dos médicos está espalhada no interior das regiões Norte e Nordeste.

"O cancelamento abrupto dos contratos em vigor representará perda cruel para toda a população, especialmente para os mais pobres. Não podemos abrir mão do princípio constitucional da universalização do direito à saúde, nem compactuar com esse retrocesso", encerra a nota.

Jair Bolsonaro afirmou que pretende manter o programa, mas substituir os mais 8 mil profissionais cubanos por brasileiros ou estrangeiros de outras nacionalidades. Ele disse que os cubanos que quiserem atuar no país devem revalidar os diplomas e se adequarem a novas regras.

O presidente do Conasems, Mauro Junqueira, afirmou que pediu ao ministro da Saúde, Gilberto Occhi, que o próximo edital de reposição de vagas, que previa a contratação de 1,6 mil profissionais, seja ampliado para 10 mil vagas, a fim de minimizar o impacto da saída dos cubanos. O edital poderá sair já na semana que vem.

"Minha impressão é de que os médicos cubanos devem ir embora até o fim de dezembro. Temos que ter agilidade do ministério de fazer esse chamamento", afirmou Mauro Junqueira.

O presidente do Conasems lembra que os atuais editais do programa priorizam médicos brasileiros formados no país, seguido de médicos brasileiros formado no exterior, estrangeiros e só em último lugar a contratação de cubanos. Mesmo assim, uma demanda emergencial de tantos profissionais pode dificultar a reposição das vagas.

"A partir de segunda, vamos ter 10 mil vagas no Mais Médicos . Será que vamos ter 10 mil médicos para colocar no lugar?", questionou.

* Com Agência Brasil

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