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Empresa oferece transfusões de sangue de jovens entre 16 e 25 anos como remédio contra a velhice; milionários chegam a pagar US$ 8 mil por plasma, embora agência federal americana negue benefícios e alerte para riscos

Transfusões de sangue de jovens virão moda entre milionários norte-americanos
Thinkstock/Getty Images
Transfusões de sangue de jovens virão moda entre milionários norte-americanos

Na falta de uma fonte da juventude, uma empresa do Vale do Silício, na Califórnia, passou a vender transfusão de sangue de pessoas jovens trazendo a possibilidade de conseguir “reverter o envelhecimento” de quem receber o sangue. A prática passou a ser adotada por ricos americanos que chegam a pagar US$ 8 mil (mais de R$ 29 mil) por transfusão.

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Cerca de 100 pessoas, que começaram a ser conhecidas como ‘vampiros’, fizeram inscrição para receber transfusão, segundo o médico Jesse Karmazin, fundador da Ambrosia, a startup que investiga os efeitos do sangue de pessoas mais jovens.

Os sangues doados são provenientes de pessoas entre 16 e 25 anos e as transfusões são oferecidas para pessoas a partir de 35 anos, porém a maioria dos inscritos tem acima de 60, de acordo com Karmazin.

O médico explica que as pessoas vão à clínica e recebem o plasma jovem na veia, que é o fluído sanguíneo, sem as células. "Acreditamos que o tratamento reverte o envelhecimento e funciona para uma série de males associados à  velhice , como doenças do coração, diabetes e Alzheimer", explicou.

Apesar disso, a empresa deixa claro que nada é comprovado. O objetivo da empresa está sendo o de recrutar centenas de pessoas que aceitem passar por pesquisas, que possam mostrar que as transfusões podem ajudar a combater os sintomas ligados ao envelhecimento.

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O co-fundador da empresa e pagamentos online PayPal, Peter Thiel, é um dos adeptos da técnica e não esconde seu fascínio pela ideia da vida eterna. A estimativa é de que o multimilionário já gastou milhares de dólares com as transfusões de sangue jovem.

A técnica é baseada em estudos conhecidos como parabiose, em que animais jovens que nasceram ligados e que compartilhavam da mesma circulação sanguínea, começaram a trazer a possibilidade de que o sangue novo de camundongos pudesse rejuvenescer camundongos mais velhos.

Porém, não são todos que enxergam a prática com bons olhos. Preocupada com a atividade, uma agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), alertou para que os consumidores fiquem longe das transfusões, já que os efeitos são incertos.

"Não há benefício clínico comprovado de infusão de plasma de doadores jovens para curar, mitigar, tratar ou prevenir essas condições, e existem riscos associados ao uso de qualquer produto de plasma", declarou a agência em comunicado. “Os usos relatados desses produtos não devem ser considerados seguros ou eficazes. Nós desencorajamos fortemente os consumidores a buscar essa terapia fora dos ensaios clínicos, sob o conselho de revisão institucional apropriado e supervisão regulatória”.

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Apesar de alguns estudos limitados sugerirem que a prática é capaz de combater doenças como Alzheimer, Parkinson, doenças cardíadas e esclerose múltipla, a FDA apontou que diversos riscos envolvem a transfusão de sangue sem o total conhecimento do que o procedimento pode trazer. Problemas com vírus e rejeição do organismo foram apontados pela agência, além do perigo em prometer o “elixir” da juventude àqueles que estão dispostos a qualquer coisa para conseguir.

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