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Pesquisa realizada pela Federação Internacional de Diabetes com mais de 12 mil pacientes em 133 países mostra a relação da doença com o coração

Coração
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Doenças cardiovasculares são responsáveis por 80% das mortes diabéticos

Uma pesquisa feita pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) revelou que, dos mais de 400 milhões de casos de diabetes no mundo, 90% apresentam ao menos um fator de risco cardiovascular. O levantamento ainda mostra que 80% das mortes de pacientes com diabetes estão relacionadas às doenças cardiovasculares.

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De acordo com o documento, os problemas ligados ao coração lideram as causas de mortes e incapacidade entre pessoas com diabetes tipo 2, tipo mais comum da doença e que aumenta em até quatro vezes a propensão a ataques cardíacos ou AVC (Acidente Vascular Cerebral). Mesmo diante desses números, a pesquisa sugere que o assunto ainda é desconhecido por pacientes e pouco difundido nos consultórios.

No Brasil, mais de 12 milhões de pessoas têm diabetes - uma população equivalente à maior cidade da América Latina, São Paulo. Na última década, houve um aumento de mais de 61,8% nos casos registrados pelo Ministério da Saúde , fazendo com que os brasileiros figurem na lista daqueles que mais sofrem com a doença no mundo5. O número de óbitos por diabetes, por sua vez, saltou de 54.877 para 61.398 mortes por ano, no período entre 2010 e 2016; um aumento de 11,8% de acordo com os últimos dados disponíveis pelo Ministério da Saúde.

A pesquisa do IDF consultou mais de 12 mil pacientes em 133 países. Destes, 600 brasileiros que vivem com a doença foram ouvidos, sendo 37% homens e 63% mulheres, entre 20 e 79 anos. Entre todos os entrevistados brasileiros, 18% nunca tiveram conhecimento sobre os possíveis riscos da doença para o coração, e 23% sequer lembram de terem comentado a respeito com seus médicos.

A falta de informações durante o tratamento é um dos grandes desafios para estabelecer uma nova realidade no controle do diabetes, segundo o médico cardiologista , Dr. José Francisco Kerr Saraiva.

"Aprendemos muito sobre a importância do controle da glicemia para evitar a progressão das doenças cardiovasculares e outras complicações relacionadas ao diabetes. No entanto, percebemos que isso não é suficiente. É preciso falar sobre o combate ao excesso de peso, a pressão arterial e o colesterol elevados, que inicia por mudanças no estilo de vida. Com todas essas medidas somadas, podemos diminuir em até 80% a chance de um paciente vir a ter um problema ligado ao coração", ressaltou.

A pesquisa do IDF ainda revelou que 63% dos entrevistados brasileiros apresentavam múltiplos fatores de risco para doenças cardiovasculares e/ou já tinham sofrido algum evento cardiovascular.

Para Jung Hyun Yoon, gerente médica da Novo Nordisk, farmacêutica especializada no tratamento da diabetes, as inovações a favor da medicina também atuam como importantes aliadas para estabelecer um novo olhar sobre o controle do diabetes.

“A sociedade tem conhecimento das complicações ditas microvasculares do diabetes, como amputação de membros, danos renais e comprometimento da visão, mas não tem a mesma noção em relação à dimensão dos riscos cardiovasculares da doença e que podem até levar as pessoas à morte. Por isso, o controle adequado do diabetes, aliando estilo de vida saudável e tratamento com medicamentos apropriados, graças aos avanços da medicina, permite hoje que o paciente viva não apenas melhor, com mais qualidade de vida, mas também por mais tempo”, destacou.

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Em toda a América Latina, o diabetes já atinge 28 milhões de pessoas. No Brasil, uma a cada 12 pessoas adultas vive com a doença. Nos Estados Unidos, a situação é ainda pior: a cada 80 segundos, um adulto com diabetes é hospitalizado por conta de problemas no coração. Numa pesquisa com pacientes norte-americanos de 45 anos com diabetes tipo 22, apenas metade reconheceu seus riscos ou já falou sobre eles com seus médicos.