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Região, que costumava ser livre do vírus da doença, teve 13 casos no Paraná e um em Santa Catarina neste ano; campanha começa em 14 de agosto

O Ministério da Saúde identificou um risco alto de ocorrer um surto de febre amarela na região Sul no próximo verão e antecipou para 14 de agosto o início de uma campanha de vacinação direcionada para Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A possibilidade de o vírus se espalhar na área foi antecipada pelo colunista Lauro Jardim, do GLOBO.

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Valdecir Galor/SMCS
A vacinação contra a febre amarela vai ser antecipada na região Sul do Brasil e comerá no dia 14 de agosto

De acordo com os dados mais recentes do ministério, o Brasil teve 82 casos neste ano (até 21 de maio), com 14 mortes. Os episódios da febre amarela ficaram concentrados em São Paulo (68 casos, especialmente no Vale da Ribeira, ao Sul do estado), mas houve registros também no Paraná (13 casos) e Santa Catarina (um caso).

A incidência na região Sul não era comum, o que despertou o primeiro sinal de alerta. "Os estados do Sul não eram da área de recomendação para vacinação contra febre amarela há bem pouco tempo", afirma o diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Júlio Croda.

"A partir do momento em que o vírus migrou da região Centro-Oeste para Minas Gerais, São Paulo, Paraná e, agora, Santa Catarina, há risco avançado de novos surtos, principalmente nas regiões onde a cobertura é baixa. O estado com menor cobertura vacinal é Santa Catarina, com 34,4%", completa.

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Aliados aos casos concretos, estudos sobre rotas de disseminação do vírus mostraram que há dois caminhos prováveis: alcançar o litoral de Santa Catarina e descer até o Rio Grande do Sul; e se espalhar pelo oeste do Paraná, alcançando a tríplice fronteira com Paraguai e Argentina.

A projeção sobre a trajetória do vírus é baseada em um modelo desenvolvido pela Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), órgão do governo de São Paulo. O estudo leva em conta indicadores como a quantidade de macacos infectados, as características da região (zonas urbanas próximas a matas são propensas à disseminação) e o percentual da população que tomou a vacina .

Com os dados em mãos, foi montada a campanha, que vai começar com ações em Curitiba, no dia 14, e em Castro (PR), no dia seguinte. A partir de outubro, a  vacinação  vai se espalhar por outras regiões do país.

"No primeiro momento, a gente pretende fazer ações direcionadas, principalmente em Santa Catarina e nessa região que é caminho de Cascavel (PR) e Foz do Iguaçu (PR). Vamos fazer ação específica na tríplice fronteira, em colaboração com outros países, já que o Brasil está na presidência do Mercosul", diz Croda.

"A gente possui vacina em quantidade suficiente para nossa população e para fazer uma programação de vacinação em conjunto com outros países nessa região de fronteira. Se a gente não vacinar agora, principalmente Santa Catarina, que tem menos cobertura, a gente pode ter um número elevado de casos, e como a febre amarela tem letalidade alta, associado com óbitos também", ressalta o diretor.

Surto iniciou-se no Norte

O surto mais recente de febre amarela no Brasil, que começou no fim de 2016, teve origem na região Norte, chegou ao Centro-Oeste e se espalhou pelo Sudeste a partir de Minas Gerais. A “temporada” mais recente foi caracterizada por episódios na parte sul do estado de São Paulo.

Houve notificações também na região metropolitana de Curitiba e em Joinville (SC) — Santa Catarina não tinha registro da doença em humanos desde 1966. De acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde, a maior parte dos 82 infectados em 2019 trabalhava em áreas rurais ou tinha algum grau de exposição em regiões silvestres.

Na comparação com o ano passado, os números atuais representam uma queda de 93,7% — houve 1.309 casos no país entre janeiro e maio de 2018. Segundo o Ministério da Saúde, a meta é que a cobertura chegue a 95% da população residente nos locais onde a vacina contra a febre amarela é recomendada.

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Moradores do Nordeste, por exemplo, onde não há recomendação para a vacina, por não haver transmissão, também deverão tomar a vacina da febre amarela caso se desloquem para o Sul do país. A pasta recomenda a imunização a partir dos nove meses de idade.