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De acordo com pesquisa, fatores emocionais contribuem para doenças cardiovasculares delas - principais afetadas pelo problema

Às vésperas do Dia Mundial do Coração , que no dia 29 pede atenção para a prevenção das doenças cardiovasculares - mal que, apenas em 2019, matou mais de 290 mil pessoas no Brasil -, um estudo aplicado pela Fundación MAPFRE atentou para um dado que foge do senso comum sobre o problema: os fatores de risco dessas doenças entre as mulheres.

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Saúde do coração das mulheres é tema de pesquisa

De acordo com a pesquisa, que levou em consideração avaliações de 500 unidades de saúde de todo o país, o principal agravante para as mulheres está na relação entre doenças cardíacas e saúde mental, que é ainda mais acentuada no Brasil e as atinge diretamente. 

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Para o cardiologista José Francisco Kerr Saraiva, presidente da Socesp e responsável pelo Centro de Pesquisa da entidade, é fundamental que fatores emocionais sejam levados em consideração ao avaliar uma tendência à manifestação de doenças cardíacas no grupo feminino. 

“Os mecanismos clássicos de avaliação do risco cardiovascular não consideram o estresse percebido, que deve, sim, ser somado a hábitos alimentares, prática de exercícios físicos, tabagismo e consumo de álcool”, aponta Kerr. 

Os motivos que inserem as mulheres no grupo mais afetado por doenças como estresse e ansiedade são complexos e envolvem desde discriminação de gênero até o papel que, hoje, 49% delas desempenha como chefes de família. 

De acordo com o estudo, 51,6% das mulheres passaram por, pelo menos, uma situação estressora muito importante no último ano, enquanto 37,3% dos homens apontaram algum evento deste tipo. Ao apurar a natureza desses eventos, a pesquisa constatou que a maioria das situações, para as mulheres, envolve estresse domiciliar e finanças. 

A pesquisa ainda traz outros recortes interessantes sobre o modo de vida da mulher brasileira e a forma como isso afeta a saúde do coração , como o fato de que elas apresentam mais dificuldades em parar de fumar (8% a mais que os homens) e praticam menos exercícios regulares, o que constitui um modelo mais perigoso para essas doenças.

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Em compensação, o grupo feminino ganha quando o assunto é alimentação: 65,2% das mulheres afirmou ingerir frutas, legumes e verduras pelo menos uma vez ao dia.