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Mastologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo fala sobre fatores de risco, periodicidade da mamografia, importância do exame e outros pontos

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que cerca 60 mil novos casos de câncer de mama são diagnosticados por ano no Brasil e, além disso, 12 mil mulheres morrem por conta da doença. No Outubro Rosa, diversas ações são colocadas em práticas para orientar o público feminino e ajudar na prevenção desse tipo de câncer.

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O câncer de mama mata 12 mil mulheres por ano e, por isso, é importante prestar atenção em alguns fatores sobre a doença

Atualmente, o câncer de mama é o segundo tipo que mais afeta mulheres no país, o que representa, em média, 25% de todos os cânceres que afetam esse público. Assim como outras doenças, o diagnóstico feito de forma precoce, em seus estágios iniciais, deixa o tratamento ainda mais efetivo. 

Segundo Alfredo Barros, mastologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, a primeira gestação tardia, a redução do número de filhos e os curtos períodos de amamentação deixaram a mulher exposta a um maior número de ciclos menstruais. Isso gerou, como consequência, o intenso e repetido estímulo hormonal estrogênico. 

"Esse estímulo promove a multiplicação de células mamárias, geneticamente modificadas, na direção do câncer. Além disso, a ausência de gestação implica que o tecido mamário deixe de receber proteção de certos hormônios da placenta como a gonadotrofina coriônica, que tornam as células da mama refratárias à lesão do DNA cromossomal, evento inicial do determinismo do câncer", explica.

Diante dos dados e das informações apresentadas, o especialista aponta cinco fatos importantes relacionados à doença. Confira:

1. Fatores de risco

Alguns fatores elevam o risco de desenvolver câncer de mama: obesidade, sedentarismo, bebidas alcoólicas em excesso, dieta rica em gordura e reposição hormonal prolongada na menopausa. “Pode-se diminuir a chance de formação do câncer de mama evitando estes fatores e aumentando a ingestão de verduras e frutas”, explica o mastologista. 

“Os vegetais contêm substâncias flavonoides, que dificultam a ligação dos estrogênios com proteínas receptoras no tecido mamário. Também é muito provável que agrotóxicos, pesticidas, poluentes orgânicos de diversos tipos e anabolizantes nos alimentos contribuam para a lesão no DNA e a proliferação celular", continua.

2. Importância da mamografia

Para o diagnóstico na fase pré-clínica, a mamografia é fundamental. Afinal, o exame reconhece tumores a partir de 1 milímetro, muito antes dele se tornar perceptível ao toque. Isso acontece por meio da identificação de sinais de suspeição, microcalcificações ou pequenos nódulos. 

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"Quanto mais precoce for o diagnóstico , maior será a chance de cura, menor a extensão da cirurgia e mais simples o tratamento complementar. Desde a primeira divisão celular anômala até um nódulo chegar a ser palpável com 1 centímetro, existe um intervalo aproximado de 10 anos”, destaca o profissional.

“Se o tumor for descoberto nesse período, as possibilidades de cura oscilam ao redor de 95%", ressalta. A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) indicam que a mamografia seja feita anualmente a partir dos 40 anos. 

3. Cuidado redobrado com casos na família

Barros destaca que, quem tem casos de câncer de mama na família, deve redobrar o cuidado. Diante disso, nas pacientes com alto risco familiar, a mamografia precisa ser iniciada antes. Elas ainda devem passar por ultrassonografia e ressonância magnética. 

"Geralmente, solicita-se a mamografia nas pacientes de alto risco depois da idade correspondente a 10 anos antes quando foi diagnóstico o câncer na mãe ou nas irmãs, por exemplo", detalha.

4. Autoexame também é importante

Assim como a mamografia, o autoexame também é importante. O exame físico das mamas realizado pelo especialista permite o diagnóstico precoce de tumores a partir de 1 centímetro de diâmetro. 

"Já o autoexame das mamas, realizado pela própria paciente, todos os meses na semana após a menstruação, identifica nódulos geralmente maiores que 2 centímetros de diâmetro e deve ser ensinado e praticado especialmente para quem não tem acesso à mamografia. Tem a virtude de estimular a atenção com o próprio corpo e o autocuidado", afirma.

5. Não tenha medo

O médico destaca que enfrentar a doença com racionalidade pode levar a uma atitude pragmática sadia e, além disso, faz a pessoa adotar medidas preventivas que sejam úteis. 

"Quando a mamografia é repetida anualmente o medo do câncer vai diminuindo porque a mulher sabe que depois de um exame normal qualquer anormalidade que surgir no próximo ano deverá ser muito inicial e, portanto, curável", aponta

Barros também destaca que a mama é um órgão muito especial para a mulher e desempenha papel essencial para a autoestima e a autoimagem. “Por isso, é possível uma mudança de hábitos para redução de risco e é muito importante o diagnóstico precoce para um tratamento altamente eficiente e geralmente não mutilante”, alerta.

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“Os próximos outubros serão certamente mais cor-de-rosa se recomendações simples como as aqui mencionadas forem seguidas por mais e mais mulheres", finaliza o especialista ao falar sobre câncer de mama