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Isolamento social exige um cuidado especial com a saúde mental de idosos

Embora a necessidade do isolamento social para os grupos de risco do Covid-19 seja inquestionável, alguns problemas secundários acompanham a medida e merecem atenção. Entre os mais graves, estão os danos da quarentena à saúde mental dos idosos, que - de acordo com as orientações da Organização Mundial de Saúde - não devem sair de casa ou receber visitas enquanto durar a pandemia. 

''Apesar de morar bem próximo, restringimos que os netos visitem os avós'', conta o advogado Fábio Grein, morador de São Paulo, que diz ter adotado medidas de proteção antes mesmo da determinação de calamidade pública no estado."'Tanto os netos quanto os avós reclamaram, mas é uma medida necessária que tivemos que tomar'' afirma. 

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Preocupado com o sentimento de solidão dos pais, Fábio diz que usa a tecnologia como aliada. ''Estamos fazendo chamadas de vídeo todos os dias, assim os netos matam a saudade dos avós e vice-versa'', diz. 

De acordo com Natan Chehter, geriatra pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, atitudes simples como a do advogado podem fazer a diferença na vida dos idosos que precisam enfrentar sozinhos a angústia do isolamento. 

O profissional ainda destaca o dado que aponta os idosos com mais de 70 anos como o grupo com maiores taxa de suicídio no país, segundo dados do boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde em 2018.

“O idoso estar em isolamento social não quer dizer que ele precise estar sem contato nenhum com a família. Esse contato hoje é simplificado pela tecnologia. Caso ele seja familiarizado ou existam condições de introduzi-lo às chamadas de vídeo, ótimo. Se ele prefere uma ligação por telefone, é válido também”, explica Natan. 

Além disso, o psiquiatra Luiz Scocca, do Hospital das Clínicas da USP, reforça que existe, sim, um risco de agravamento nos quadros de depressão, ansiedade e até dependência de álcool e drogas em alguns casos. Por isso, o profissional destaca a importância de atividades prazerosas durante esse período, com as quais a família também pode ajudar. 

“A família pode fornecer esse entretenimento. Comprar livros pela internet, enviar títulos de filmes. Isso é importante pois tem dois significados: o do incentivo ao entretenimento em si e o próprio cuidado que se está tendo a distância, que será imediatamente percebido”, defende. 

Ajuda necessária

Scocca pede uma atenção especial aos os idosos que possuem qualquer problema cognitivo e orienta que, em casos mais graves, o mais indicado é um acompanhante eu cuidador de confiança. “Os idosos que apresentam problemas cognitivos são um quadro muito mais complicado. Eles podem ficar irritados, ansiosos, ter muito mais insônia e até entrar em surto neste período de quarentena”, explica. 

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“Para essas pessoas não vai ter jeito. Muitas vezes vai ser necessário um serviço profissional ou o cuidado direto da própria família. Essas pessoas vão precisar estar mais expostas, mas é fundamental que os cuidadores tomem o máximo de cuidados de prevenção , como o uso constante de máscaras - mesmo que de pano - que eu em particular acho muito importante”.

Outro aspecto que contribui para a saúde mental e não pode ser esquecido, é a prática de exercícios físicos. Os profissionais destacam a presença de especialistas e canais no Youtube voltados para o público mais velho, além de exercícios simples que ainda representam mexer o corpo.

“Subir escadas, cozinhar , lavar louça… tudo isso são coisas que contribuem para o bom funcionamento do corpo”, incentiva Natan Chehter. Segundo ele, é importante fazer o mínimo adaptações possível à rotina que o idoso já costumava ter. 

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