A ampla divulgação dos sintomas de Covid-19 tem o óbvio objetivo de alertar a população para a possibilidade de infecção durante a pandemia. O pânico em torno da doença, porém, pode contribuir para que outros sintomas parecidos sejam confundidos com sinais do novo coronavírus (Sars-CoV-2).  

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Falta de ar é um dos sintomas do Covid-19

Entre as principais características da nova doença está a falta de ar. Apesar disso, é importante lembrar que o sintoma também pode indicar outros problemas como alergias e até uma crise de ansiedade.

Para ajudar na distinção - que pode ser muito difícil em alguns casos - o iG saúde conversou com o psiquiatra Caio Antero, da Cia da Consulta, que explica a importância de encarar todos os sinais do corpo, e não apenas o sintoma isolado.

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“Para começar, devemos entender os sintomas de cada uma das doenças. O Covid, por exemplo, não causa falta de ar no primeiro momento. Na primeira fase da doença teremos sintomas de um resfriado, coriza, nariz entupido, tosse, dor de garganta e até conjuntivite. É comum também apresentar febre febre baixa e sensação de corpo pesado ou fraco", explica.

"A falta de ar vem na segunda fase da doença, quando, por volta de cinco dias de sintomas, alguns melhoram e surgem outros como febre alta e falta de ar. Detalhe é que muitos paciente nem chegam a sentir a segunda fase”, descreve Antero. 

Assim, o especialista defende que o comportamento do vírus dentro do corpo envolve aspectos de evolução que devem ser considerados. O mesmo acontece com crises de asma ou rinite, que também causam uma respiração curta e sensação de opressão nos pulmões. Se há alérgenos no ambiente, como ácaros ou poeira, eles devem ser considerados. 

“Também vale a pena buscar um clínico se você sente estes sintomas e faz parte do grupo de risco, tem doenças respiratórias ou problemas de imunidade. Se a resposta for não, porém, você deve tentar avaliar o grau de preocupação ou medo que essa pandemia vem lhe causando”, recomenda o profissional. 

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O objetivo, vale destacar, não é negligenciar os sintomas, mas manter-se atento a uma outra possível causa de falta de ar: as crises de ansiedade .

“O paciente se percebe mais angustiado? pensa muito na doença? pensa muito no medo de morrer ou perder parentes? se sente impotente ou muito irritado com tudo que está acontecendo? se a resposta for sim, talvez você possa se consultar com um médico psiquiatra ”, explica Antero, que destaca o aumento da incidência de crises de raiz emocional causadas pelo momento de estresse generalizado. 

Nesses casos, os episódios de falta de ar acontecem devido ao aumento na frequência respiratória. “A angústia se torna tão forte que a pessoa sente a opressão (ou peso) no peito e por isso tende a achar que não consegue puxar o ar, logo começa a respirar muito rápido e sem deixar o ar sair totalmente dos pulmões , isso eleva a concentração de CO2 no sangue e agrava os sintomas físicos”, explica o médico. 

Mais uma vez, é importante seguir atento aos sintomas secundários. Se não há outras evidências da nova doença, como febre e coriza , a possibilidade pode ser descartada ou mantida em atenção, mas sem pânico.

É importante destacar, ainda, que a maioria dos problemas de saúde já podem ser investigados sem sair de casa , por meio de teleconsultas e atendimento online. A ferramenta - disponível em diferentes plataformas e especialidades médicas - permite uma conversa com o profissional de saúde e uma melhor elucidação das dúvidas. 

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