Sem uma vacina ou remédio, o combate ao novo coronavírus (Sars-coV-2) acabou dando espaço para o conhecimento empírico e até para informações irreais. Na web, receitas caseiras para "matar" a doença começaram a ganhar força. Todavia, assim como os remédios testados até o momento, as receitas não tem embasamento teórico que comprovem sua eficácia contra a Covid-19. 

Leia também: Covid-19: Mortes no Brasil chegam a 9,8 mil; casos confirmados são 145 mil

Hidroxicloroquina é uma das substâncias testadas contra o coronavírus
Fotoarena / Agência O Globo
Hidroxicloroquina é uma das substâncias testadas contra o coronavírus

Especulações envolvendo o clima e o novo coronavírus também são grandes geradores de dúvidas. Pensando nisso, o iG Saúde consultou especialistas e separou o que é verdade e o que é fake sobre a Covid-19 .  

Leia também: Com 45 mil infectados, São Paulo chega a 3.709 mortes por Covid-19

  • Remédios caseiros (comer alho, tomar Vitamina C, beber água a cada 15 minutos) podem curar ou prevenir o vírus?
alho
shutterstock
alho

“Não há evidências de que comer alho ou gengibre, beber água a cada 15 minutos ou tomar vitamina C proteja as pessoas do novo coronavírus, nem que isso cure a doença. O mesmo vale para o uso de óleos essenciais, prata coloidal e florais. Algumas postagens sugeriram que colocar óleo de gergelim em seu corpo ou pulverizar-se com álcool ou cloro matará o vírus. Isso também é falso”, afirma a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia.

No entanto, é comprovado que o papel da alimentação na manutenção e fortalecimento do organismo é crucial, pois ela é responsável por fornecer nutrientes essenciais para as funções orgânicas, inclusive as imunológicas.

“Uma alimentação equilibrada, variada, colorida, com alimentos os mais naturais e funcionais possíveis, associada a uma hidratação adequada, certamente vai ajudar o organismo a ter respostas mais favoráveis do sistema imune", explica a especialista. 

Algumas boas opções para incluir no cardápio são: vegetais folhosos escuros, legumes (em geral todos os que nascem para cima da terra e das mais diversas cores), tubérculos e raízes, leguminosas (que são as principais fontes de proteínas vegetais), cereais (particularmente os integrais), frutas, sementes oleaginosas, carnes magras e laticínios enriquecidos com probióticos, além de água, água de coco, chás e sucos funcionais.

  • Posso pegar Covid-19 ao comer um alimento?
frango
shutterstock
frango

Não há evidências de que a Covid-19 seja transmitida por meio de alimentos, porém, as embalagens merecem atenção redobrada. “No caso das embalagens, elas devem ser limpas com água e sabão, desinfetante, água sanitária ou álcool de limpeza 70”, explica a Dra. Marcella Garcez. 

  • É seguro pedir refeições por aplicativos ou delivery?
delivery
undefined
delivery

De acordo com a especialista, se uma pessoa doente manipula a comida os riscos não podem ser descartados, mas aquecer ou reaquecer alimentos deve matar o vírus.

"Como regra geral, não vimos que a comida é um mecanismo de disseminação", diz a Dra. Marcella. "O risco de contaminação da embalagem pode ser minimizado, esvaziando o conteúdo em um prato limpo, descartando a embalagem em um saco de lixo e lavando bem as mãos antes de comer", completa. 

  • Devo estocar alimentos?
delivery
shutterstock
Mercado

Logo no início da epidemia no Brasil as pessoas começaram a correr para os supermercados, todavia, evitar o pânico é algo necessário. "Não é um momento de pânico e nem de estoque demasiado de alimentos, mas como você deve evitar ir várias vezes ao mercado, é melhor que você compre o suficiente para um mês”, diz a médica.

Corroborando a especialista, a Harvard Medical School recomenda manter em casa um suprimento de duas semanas a 30 dias em alimentos não perecíveis. E se você não os usar agora, eles podem ser úteis em caso de falta de energia ou condições climáticas extremas.

  • Posso ter relações sexuais com meu parceiro (a)?
sexo
Reprodução
sexo

Beijar definitivamente poderia espalhar o novo vírus. E, embora ele não sejam tipicamente transmitidos sexualmente, é muito cedo para saber, segundo a OMS.  Além disso, o vírus já foi detectado no sêmen humano em pesquisa. 

“Cabe o bom senso. Se você e seu parceiro estão em isolamento social há mais de duas semanas, tomam o máximo de cuidado ao sair de casa apenas para as ocasiões mais necessárias, como ir ao mercado ou à farmácia, não há problema na prática sexual. No entanto, se um de vocês apresentar sintomas de coronavírus, o afastamento terá que acontecer”, afirma a Dra. Ana Carolina Lúcio Pereira, ginecologista membro da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

A médica ainda alerta os solteiros: “Mas que fique bem claro: não é o momento para busca de novos parceiros sexuais, porque não temos como saber quem está infectado (já que alguns casos são assintomáticos) e não podemos ter certeza de que alguém está cumprindo o isolamento”.

  • O coronavírus é especialmente prejudicial para mulheres grávidas?
Uma mulher grávida%2C usando uma máscara facial como medida de precaução%2C passa por um mural de rua em Hong Kong
Anthony Wallace/Getty Images
Uma mulher grávida, usando uma máscara facial como medida de precaução, passa por um mural de rua em Hong Kong

Recentemente, o Ministério da Saúde acrescentou as gestantes no grupo de risco para o novo coronavírus. Embora os estudos realizados até agora não identifiquem as grávidas como mais suscetíveis ao desenvolvimento de complicações, o órgão tomou a decisão visando redobrar a atenção com essa população. Sobre a transmissão de mãe para filho durante a gestação, um novo estudo chinês, que será publicado na edição de junho da revista científica Emerging Infectious Diseases , confirma que esse contágio é improvável.

“O estudo acompanhou uma mulher grávida com infecção confirmada por SARS-CoV-2 (Síndrome Respiratória Aguda Grave – Corona Vírus 2), que causa a doença do Novo Coronavírus, e que foi submetida à cesariana de um bebê cujo teste deu negativo na província de Zhejiang, na China. Até então, não foi observado risco de transmissão para o feto”, afirma a Dra. Ana Carolina Lúcio Pereira, ginecologista membro da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

As gestantes e os familiares devem tomar as mesmas medidas de precaução amplamente divulgadas na mídia para redução do contágio da doença. “Então, é necessário evitar contato próximo com pessoas apresentando infecções respiratórias agudas; lavar frequentemente as mãos (pelo menos 20 segundos), especialmente após contato direto com pessoas, superfícies e antes de se alimentar; se não tiver água e sabão, usar álcool em gel 70%, caso as mãos não tenham sujeira visível; evitar colocar a mão no rosto; higienizar as mãos após tossir ou espirrar; usar lenço descartável para higiene nasal; cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir; não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas; manter os ambientes limpos (com detergente, água sanitária e álcool de limpeza) e bem ventilados.”

  • O Covid-19 pode passar pela pele, entrar no corpo e me infectar?
vacina ainda não existe
Divulgação
vacina ainda não existe

"Na verdade, a nossa própria pele pode dificultar as coisas, pois ela é composta de uma variedade de diferentes micróbios, bactérias, sebo e proteínas mortas que formam uma grande barreira física. Mas pode ser possível que uma pessoa possa adquirir o Covid-19 tocando uma superfície ou objeto que contenha o vírus e, em seguida, tocando sua própria boca, nariz ou possivelmente seus olhos”, afirma a dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Como esse é um vírus do sistema respiratório, é mais comum que o contágio seja por meio de gotículas respiratórias produzidas quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou até mesmo fala. "Essas gotículas podem pousar na boca ou no nariz de pessoas próximas ou possivelmente serem inaladas pelos pulmões", diclara ela.

  • Existe o risco de o vírus ficar no meu cabelo ou barba?
Cortando a barba
Shutterstock
Cortando a barba

“Sim, existe. O vírus pode ficar nos cabelos, na barba, nas roupas ou objetos. Caso seu cabelo ou sua barba forem contaminados por gotículas respiratórias, então você precisaria tocar na parte do cabelo ou da barba que possui essas gotículas e em seguida tocar a boca, nariz ou olhos", diz a Dra. Paola. "Se você lembrar de higienizar sempre as mãos antes de tocar seu rosto, esse risco de contágio será menor”, completa. 

  • Roer unhas aumento o risco de contágio?
ansiedade
shutterstock
ansiedade

Se encostar a mão no rosto, nariz e olhos já não é indicado nesse momento de pandemia, roer as unhas é pior ainda. "Temos que levar em consideração que a parte de baixo das unhas é uma área de difícil acesso e higienização, o que faz com que elas acumulem grande sujidade e se tornem um ambiente propício para a proliferação e sobrevivência de microrganismos transmissores de patologias, como o coronavírus”, explica a dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Os germes que entram na boca representam uma das maneiras mais fáceis de contrair qualquer infecção. “Existem muitas infecções nessa época do ano, de bacterianas a virais e gripais. Mas, além disso, como agora temos o novo coronavírus, há ainda mais motivos para não roer as unhas”, acrescenta.

  • Se somente eu manuseio meu maço de cigarro, por que devo evitar fumar?
Cigarro%2C fumante
shutterstock/Reprodução
Cigarro, fumante

Os fumantes correm um risco especialmente alto na pandemia. Em um estudo chinês, país onde ocorreu o primeiro surto de Covid-19, os fumantes tiveram 14 vezes mais chances de desenvolver complicações graves do que os não fumantes. Mesmo ocasionalmente, fumar cachimbo, narguilé ou até cannabis (maconha) pode colocar a pessoa em maior risco.

“A nicotina e as toxinas do cigarro provocam a diminuição do fluxo nos vasos sanguíneos. Uma vez que a circulação está prejudicada, a quantidade de oxigênio e nutrientes que chegam aos órgãos é menor”, explica a Dra. Aline Lamaita, angiologista e membro do American College of Lifestyle Medicine.

“Por conta de todas as doenças associadas, o tabagismo é, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a principal causa de morte evitável no mundo. No Brasil, nos últimos dez anos, segundo o Ministério da Saúde, houve redução de 33,8% no número de fumantes adultos, mas uma em cada dez pessoas que reside nas capitais brasileiras ainda mantém o hábito de fumar”, diz a Dra. Aline.

Leia também: Cientistas da Itália afirmam ter desenvolvido 1ª vacina contra Covid-19

Apesar de estressante no começo, a adoção de novos hábitos, dentre eles os cuidados com a saúde mental e a atividade física diária, pode deixar esse período mais leve. “E dia após dia lembre-se que você está fazendo um bem enorme para sua saúde”, finaliza a angiologista.

    Veja Também

      Mostrar mais