Com jornadas exaustivas e riscos multiplicados, médicos e enfermeiros estão na linha de frente contra a Covid-19 . Além deles, porém, uma equipes menos conhecidas são fundamentais para garantir o funcionamento do sistema de saúde em todo o mundo: limpeza, nutrição, cozinha, transporte e atenção básica estão envolvidas no funcionamento de um hospital. 

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Profissionais de limpeza, assistência e cuidados básicos são fundamentais para o funcionamento do sistema de saúde

“A abordagem multidisciplinar apresenta avanços significativos para a saúde integral e qualidade de vida dos pacientes. Essa equipe, formada por profissionais de diferentes especialidades , garante resultados mais eficientes: uma terapia mais racional, menores efeitos adversos e, consequentemente, menor custo. Sim, pois quanto mais efetivo for o tratamento, mais rápido e menos custoso ele se tornará”, explica Elcio Nogueira, do Hospital Santa Cruz, em São Paulo. 

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É importante destacar ainda que a Organização Mundial de Saúde ( OMS ), em sua definição ampla, refere-se a saúde como o bom funcionamento dos aspectos social, mental e físico, reforçando assim a importância do cuidado que vai além da simples medicamentação. 


Um hospital requer limpeza e rigor em seu funcionamento 

Para a troca e atendimento adequado de pacientes sem interrupção de fluxo e atraso na prestação de socorro, profissionais específicos são necessários. Entre eles estão os maqueiros , que realizam o transporte seguro de pacientes na chegada, saída e para a realização de procedimentos hospitalares . Com unidades hospitalares lotadas durante a pandemia, a função assume ainda o risco de contaminação pelo contato direto com pacientes. 

Além disso, uma equipe de limpeza é necessária em todos os momentos em que o hospital recebe pacientes, além das três etapas diárias de limpeza. Desinfecção de quartos e corredores é uma das funções realizadas por um grupo especializado, que garante a segurança sanitária dos demais funcionários do hospital além de evitar o espalhamento de infecções em qualquer centro médico.


Alimentação dos pacientes envolve diferentes etapas 

O preparo dos alimentos que serão consumidos por cada paciente, levando em consideração restrições alimentares e propriedades nutritivas de cada oferta é um trabalho minucioso e fundamental, que depende diretamente da equipe de cozinheiros e nutricionistas do hospital. Prontos, os alimentos devem ser entregues pelo copeiro ou copeira hospitalar, que atendem leitos de enfermaria e apartamentos diariamente.

O copeiro também é responsável, em muitos casos, pela montagem e divisão dos pratos e refeições antes que eles cheguem aos pacientes e acompanhantes. Durante a pandemia, a equipe de alimentação possui uma demanda ainda maior relacionada à higiene dos alimentos e superfícies que fazem parte dos processos de preparo e distribuição. 

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Primeira fase do atendimento é fundamental

Ao chegar em qualquer hospital ou pronto-socorro por conta própria, devemos procurar a recepção . O processo de montar uma ficha inicial dos pacientes com rápida triagem e encaminhar cada caso ao seu atendimento específico poupa tempo e pode ser fundamental na hora de prestar atendimento aos que mais precisam. A atividade, porém, é extremamente exposta às centenas de pessoas que buscam os centros de saúde durante a pandemia. 

“A cada cinco ou dez minutos eu uso um lenço com álcool gel no balcão e também existe uma orientação que pede que as pessoas não encostem nem se aproximem, mas mesmo de máscara eu trabalho com medo. Não vejo meus pais faz dois meses, pois não posso arriscar pisar na casa deles”, desabafa Elisa Santos, que trabalha como recepcionista em um grande hospital no centro de São Paulo. “Pessoas acham que só porque não somos médicos, não precisamos de todos os equipamentos, mas às vezes um paciente infectado chega aqui e nós sequer temos como saber”, diz. 

Além dos recepcionistas, a função de segurança ou  vigilante dos hospitais enfrenta os mesmos desafios: jornadas mais longas e exposição frequente aos pacientes que pode estar infectados com o novo vírus. 


Os cuidados no atendimento ao paciente 

Quando há necessidade de internação em uma unidade hospitalar, o paciente recebe cuidados de uma equipe diversificada de saúde. Os técnicos de enfermagem, por exemplo, dedicam uma atenção frequente, que pode envolver várias visitas ao dia. A equipe de enfermagem, que engloba ainda auxiliares e os próprios enfermeiros , é responsável pelo contato mais próximo com o paciente: auxílio motor, administração e preparação de medicamentos e observação frequente dos pacientes. 

A equipe médica , por sua vez, trabalha em conjunto com o núcleo de enfermagem para interpretar os dados de evolução ou piora de cada quadro, investigar o comportamento da patologia e responsabilizar-se pela medicação e alta de cada quadro. Em casos variáveis, os médicos também estão presentes em suas especialidades para a realização de procedimentos como anestesias e cirurgias. 

Os cuidados durante o tempo de internação também envolvem uma terceira área da saúde: a psicologia, que ajuda na recuperação de pacientes graves ou que estão há muito tempo confinados em um quarto de hospital. A função do psicólogo também é necessária em situações específicas e traumáticas que podem comprometer a saúde mental dos pacientes. 

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Profissionais auxiliam na recuperação 

O ambiente hospitalar, por vezes, se depara com situações adversas que podem demandar a intervenção de um assistente social . Esse profissional é responsável por um trabalho humanizador no ambiente, interferindo tanto na recuperação dos pacientes quanto na relação da família com o momento que, muitas vezes, significa sofrimento. Esse trabalho é mais frequentemente requisitado por pacientes que precisam de um tempo razoável no hospital. Durante uma pandemia, a função ganha destaque por auxiliar na mudança de protocolos e procedimentos para uma adaptação de emergência. 

Além disso, a recuperação motora de alguns pacientes depende de intervenção profissional antes da alta. Nessa função, os hospitais contam com uma equipe de fisioterapeutas que realizam acompanhamento durante e - em determinados casos - após a internação. “Muitas gente esquece que os fisiotrapeutas fazem parte da equipe fixa dos hospitais, mas existe uma demanda que não pode ser realizada por nenhum outro profissional e cuja exclusão pode comprometer muito seriamente os pacientes”, explica Lucas Novaes, que atua como fisioterapeuta no Hospital das Clínicas da UFMG. 

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