Testagem da Covid-19
Eduardo Valente/iShoot/Agência O Globo
Covid-19 afeta vários outros órgãos além do pulmão

Um estudo que está sendo realizado pelo Laboratório de Neuroimagem do Hospital da Clínicas da Unicamp (Universidade de Campinas), associado ao Instituto Brasileiro de Neurociência e Neurotecnologia (Brainn), está analisando os possíveis danos ao sistema nervoso que a Covid-19 , doença causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2), pode causar a longo prazo.

Pesquisas preliminares que têm sido realizadas por publicações científicas apontam que, entre os sintomas causados por esses impactos neurológicos estão a perda do olfato e, em casos mais graves, e o acidente vascular cerebral (AVC).

"É extremamente intrigante e não sabemos a razão pela qual o vírus causa tantos problemas neurológicos. A via olfatória é uma possível porta de entrada, mas não apenas ela justificaria os problemas”, explicou Clarissa Lin Yasuda, neurologista da Unicamp e uma das autoras da pesquisa ao jornal O Estado de São Paulo .

A análise será feita por meio de ressonância magnética, onde serão avaliados os pacientes que tiveram alterações neurológicas na fase aguda da Covid-19 e apresentam sintomas após a recuperação. Também farão parte da pesquisa aqueles que tiveram poucas alterações e assintomáticos.

A parceria entre a Unicamp e o Brainn também tem um projeto para identificar fatores de risco para complicações neurológicas em pessoas que adoeceram por conta do novo coronavírus. O objetivo é ajudar na prevenção desses problemas, tanto os imediatos quanto os tardios.

Desde o início da pandemia, vários pesquisadores tentam desvendar a forma como o novo coronavírus atua no corpo humano. Apesar de ser um vírus respiratório, já foi verificado que ele ataca diversos órgãos e pode levar à morte não somente pelo dano que causa ao pulmão. 

Uma publicação recente na revista científica New England Journal of Medicine mostra que pacientes com a Covid-19 podem ter perda de olfato, formigamento, encefalite e AVCs. 

Nenhum desses estudos conseguiu detectar, no entanto, a presença do novo coronavírus no líquor, líquido presente no cérebro e na medula espinhal.

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