Trump
Reprodução/CNN
De olho em reeleição, presidente norte-americano autoriza novo tratamento para combater pandemia

Na véspera da Convenção Nacional do Partido Republicano, que oficializará sua candidatura à reeleição nos EUA, o presidente Donald Trump anunciou uma autorização da emergência para o uso de uma terapia conhecida como plasma convalescente, alentada como eficaz no tratamento contra o Covid-19 , mas que ainda não é consenso entre os cientistas.

A terapia consiste em injetar plasma de pacientes que se recuperaram em pessoas doentes, apostando na transferência dos anticorpos presentes nos que já tiveram contato com a Covid-19 . Apesar de apresentar bons resultados iniciais, como nos testes da Clínica Mayo e dos hospitais metodistas de Houston, especialistas questionam a maneira como os estudos foram conduzidos. Ao mesmo tempo, o responsável pela agência responsável pela autorização do uso de medicamentos, a FDA (Agência de Alimentos e Medicamentos), deixou claro que não era um tratamento definitivo para a doença.

"Isso não é o mesmo que uma aprovação, é uma autorização para uso", afirmou Stephen Hahn, afirmando que os testes ainda ainda estão sendo realizados.

Na mesma entrevista, o secretário de Saúde , Alex Azar, disse que a terapia será "mais uma" no arsenal para enfrentar a pandemia, que deixou 176 mil mortos no país. Ele fez ainda um apelo para que pessoas que se curaram da doença doem plasma, afirmando que elas poderiam "salvar uma vida".

Na semana passada, a FDA suspendeu na última hora uma autorização similar, alegando ter poucas evidências dientíficas sobre a eficácia do tratamento. Em resposta, Trump acusou a agência e o “Estado profundo” de agirem para atrasar os processos de aprovação de tratamentos e vacinas para a Covid-19, sugerindo que a ação teria fundo eleitoral.

Cientistas e representantes da agência rejeitaram as acusações. Em junho, a FDA retirou uma autorização de emergência relativa ao uso da hidroxicloroquina como droga para o tratamento da Covid-19 , alegando que os possíveis efeitos benéficos da substância não superavam os riscos. A hidroxicloroquina foi, por meses, propagandeada por Trump como um um medicamento eficaz, mesmo não havendo evidências científicas. Na época, o presidente também pressionou a FDA a liberar o tratamento de forma emergencial. 

A menção de Trump ao “Estado profundo” se refere a uma ideia conspiratória de que haveria forças agindo dentro do governo que comandariam o país de forma autônoma, sem relação com as autoridades eleitas. A teoria é bastante popular em grupos de extrema direita, como os identificados com o chamado movimento QAnon, e que apoiam de forma aberta a reeleição de Trump .

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