Quanto antes o vírus do HIV for detectado%2C menor são as chances de transmissão
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Quanto antes o vírus do HIV for detectado, menor são as chances de transmissão

A comunidade médica teme que a pandemia gerada pelo novo coronavírus (Sars-coV-2) possa impactar o combate a outra pandemia, a de HIV .

De acordo com o Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, do Ministério da Saúde, os estados têm informado que, devido à sobrecarga em função da Covid-19 , houve uma queda relevante nas ações de prevenção, incluindo a testagem do HIV.

O documento também informa que "observou-se que, de janeiro a maio de 2020, houve uma redução de 17% no número de pessoas que iniciaram a terapia antirretroviral (TARV), em comparação com o mesmo período do ano anterior". 

"A falta de diagnóstico em tempo hábil é muito preocupante, pois se sabe que as pessoas vivendo com HIV são enormemente beneficiadas pelo tratamento antirretroviral e que, mesmo sem acesso precoce, podem permanecer assintomáticas ou paucisintomáticas (com poucos sintomas) por anos. Isto trará o risco de ter o diagnóstico só quando do aparecimento de doença definidora da Aids, além do aumento da possibilidade de transmissão do HIV exatamente pela falta de diagnóstico e não uso de medicamentos antirretrovirais eficazes", alerta Dirceu Greco, infectologista, professor emérito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), presidente da Sociedade Brasileira de Bioética e vice-coordenador da Comissão Internacional de Bioética (2018-2021) Unesco, Paris.

Para Rico Vasconcelos, infectologista da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), a interrupção no cuidado contínuo desse nicho pode impactar o controle do HIV e os avanços que foram conquistados ao longo das últimas quatro décadas. "Esse cuidado vai desde a educação em saúde sexual, passando pela promoção da prevenção, distribuição de preservativos, PrEP, PEP, autotestes, testagem rápida de HIV, chegando até o tratamento de quem já vive com esse vírus", comenta Vasconcelos.

Recentemente, a OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou uma pesquisa em que prevê os possíveis efeitos da interrupção de programas e da prestação de serviços de HIV no número de mortes e de novas infecções por esse vírus na África Subsaariana, em decorrência da pandemia da covid-19.

Em uma das projeções, o estudo aponta que a interrupção no fornecimento do antirretroviral no período de seis meses poderia levar a 500 mil mortes por causas relacionadas com a Aids entre 2020 e 2021. Esta matéria contém informações do Viva Bem .

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