Covid-19: Qual a melhor estratégia de imunização em massa? Especialistas avaliam
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Covid-19: Qual a melhor estratégia de imunização em massa? Especialistas avaliam

Com a imunização contra a Covid-19 caminhando no Brasil a passos lentos, e ainda com a possibilidade do governo federal mudar a estratégia para priorizar apenas as primeiras doses, surgiu uma dúvida na cabeça da população: qual o índice de proteção caso não se tome a segunda dose no intervalo correto? O  iG conversou com especialistas para tentar entender a questão.

Contexto

No início deste ano, o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que o governo federal queria priorizar a primeira dose da vacina contra a Covid-19 para fazer a imunização em massa da população. Somente depois dessa fase, seria iniciada a segunda aplicação no país. Pazuello fez a afirmação quando se referia ao uso da vacina do laboratório AstraZeneca, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford e a Fundação Oswaldo Cruz ( Fiocruz )

"Com duas doses, (a proteção) vai a 90 e tantos por cento, com uma dose vai a 71%. E com 71% talvez a gente entre para a imunização em massa, uma estratégia que a SVS (Secretaria de Vigilância em Saúde) vai fazer, para reduzir a pandemia", explicou, na ocasião.

Após a declaração sobre a possível mudança de estratégia, o assunto esfriou e não apareceu mais na pauta do ministério da Saúde, pelo menos não de maneira oficial. Entretanto, o anúncio deixou muitas pessoas confusas e ficaram algumas dúvidas no ar, que o iG vai tentar responder agora:

Se tratando de estratégia de imunização, qual seria a melhor opção: imunizar o máximo de pessoas possível com a primeira dose ou priorizar os grupos mais necessitados e já imunizá-los com a segunda dose também?

Para a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, Maria Fernanda Rios Grassi, a melhor estratégia de imunização é a que está sendo utilizada atualmente, em que os grupos prioritários são priorizados e já recebem as duas doses do imunizante disponível contra a Covid-19.

"Na verdade, você utilizar uma única dose para imunizar o maior número de pessoas possíveis e não ter a garantia da segunda dose não é uma boa estratégia (...) como nós estamos tendo essa escassez de vacinas, então neste caso realmente o mais certo é imunizar os mais suscetíveis e as categorias profissionais mais necessárias com as duas doses", afirma.

O especialista em biotecnologia e virologia, da CROP Biotecnologia, Lucas Ribeiro, complementa dizendo que o protocolo de cada imunizante deve ser respeitado, e que, portanto, as distâncias entre as doses devem ser respeitadas porque houveram estudos que verificaram a eficácia da vacina.

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"No caso da coronaVac, por exemplo, não tem estudos que nos permitem ter uma conclusão de maior eficácia se o intervalo entre a primeira e a segunda dose for maior (...) nesse momento, tomar uma decisão desse nível não é aconselhável porque os dados científicos nos mostram uma eficácia maior de acordo com os protocolos já estabelecidos".

Brasil usa, atualmente, duas vacinas para imunizar a população contra a Covid-19
Agência Brasil
Brasil usa, atualmente, duas vacinas para imunizar a população contra a Covid-19

Cientificamente, existe algum prejuízo em imunizar uma pessoa apenas com a primeira dose e não a segunda? A pessoa vai ficar menos protegida caso não tome a segunda?

Maria Fernanda Rios Grassi afirma que "imunizando uma pessoa apenas com uma dose não vai haver uma resposta imune ótima". "Temos que lembrar que, mesmo com as duas doses, não existe 100% de proteção contra a infecção. O que as vacinas protegem é contra a forma grave da doença (...) é importante lembrar também, portanto, em tomar as vacinas no tempo certo. No caso da coronaVac são 28 dias e no caso da AstraZeneca até 3 meses", afirmou.

Ela ainda complementou que se o tempo recomendado entre uma dose e outra for excedido, a pessoa não perderá todo o efeito, porém a resposta imune será menor. "Não se perde a primeira dose, mas para ter um bom estimulo do sistema imune a gente tem que respeitar esses intervalos porque eles foram estabelecidos através de estudos", disse.

Lucas Ribeiro concorda com a afirmação. Segundo ele, não vacinar as pessoas dentro do prazo estabelecido conforme os protocolos de cada imunizante pode gerar um efeito pouco prático no sistema imunológico do indivíduo.

"Uma espera maior entre o intervalo para receber a segunda dose pode oferecer uma proteção parcial, uma vez que o sistema imune da pessoa está recebendo a vacina após o intervalo recomendado. Isso pode fazer com que ela não produza uma quantidade elevada de anticorpos para que a eficácia seja alcançada", diz o especialista.

Intervalo entre as doses

Coronavac, Jansen, Butantan, Astrazeneca, Pfizer. São tantos nomes diferentes que a confusão é natural muitas vezes. Mas, para deixar claro, apenas duas vacinas estão em aplicação no Brasil atualmente: a CoronaVac, que é fabricada pelo Instituto Butantan e a Oxford/AstraZeneca, envazada pela Fiocruz.

As vacinas aplicadas atualmente no Brasil possuem características diferentes e são produzidas com tecnologias diferentes. Por isso, o intervalo entre as doses também varia. Confira:

  • CoronaVac: A vacina CoronaVac possui intervalo de 14 até 28 dias
  • AstraZeneca: A vacina AstraZeneca possui intervalo de até 12 semanas

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