Cerca de 2% dos infectados com Covid-19 concentram 90% da carga viral da doença
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Cerca de 2% dos infectados com Covid-19 concentram 90% da carga viral da doença

Estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Colorado, em Boulder, nos Estados Unidos, constatou que cerca de 2% das pessoas infectadas com a Covid-19 portam 90% de toda a carga viral da doença. A pesquisa, publicada nesta segunda-feira na Proceedings of the National Academy of Sciences daquele país, analisou 72,5 mil amostras de saliva de moradores do campus da universidade entre agosto e dezembro de 2020.

Os “supertransmissores”, como os pesquisadores chamam as pessoas que integram a faixa dos 2%, englobam sintomáticos, mas também os assintomáticos e pré-sintomáticos, ou seja, pessoas que não apresentaram sintomas no momento da realização do teste. O estudo mostra ainda que 10% dos assintomáticos e 14% dos sintomáticos concentram 99% de toda a carga viral em circulação no ambiente, e a maior quantidade de carga viral observada na pesquisa, de 6 trilhões de vírus por mL de saliva, foi encontrada em um paciente assintomático.

As amostras, coletadas semanalmente em pessoas assintomáticas ou antes de apresentarem os sintomas para a Covid-19, passavam por um teste RT-PCR, para verificar a presença do vírus nos primeiros dias da doença. Das 72,5 mil amostras, 1.405 testaram positivo para a Covid-19. Segundo os pesquisadores, a maioria das análises são de uma única amostra por pessoa e, portanto, é possível afirmar que as 1.405 pessoas testaram positivo para a Covid-19 no período.

Diante dos resultados, os pesquisadores afirmam que a quantidade de carga viral, isto é, a concentração de vírus e, portanto, a potencialidade de contaminação dos indivíduos infectados, era maior entre pessoas assintomáticas que em sintomáticos. Esse fato levou a pesquisa a interpretar que a manifestação ou não da doença não tem relação direta com a quantidade de carga viral.

A concentração de carga viral chega a 5% do total no ambiente em pessoas que apresentam o nível máximo de vírus no organismo, equivalente a 6 trilhões de vírus por mL de saliva. Por outro lado, os 50% que apresentaram menor carga viral não produziam um grande risco de transmissibilidade, representando menos de 0,02% do total presente em determinado ambiente.

De acordo com a pesquisa, a carga viral diferente encontrada nas amostras pode ser explicada pelo fato de que os indivíduos foram testados em períodos diferentes da doença. Entretanto, a melhor explicação encontrada pelos pesquisadores foi que indivíduos produzem quantidades virais diferentes, uma vez tendo tido resultado positivo para a Covid-19.

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