Doenças psicossomáticas são prioridade à vacinação no Rio
Tamires Ferreira
Doenças psicossomáticas são prioridade à vacinação no Rio


O governador do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, tem mostrado esforço para conseguir vacinar toda a população carioca antes do Carnaval de 2022.  Na capital, o plano de vacinação inclui quadros psicossociais, entre elas a bipolaridade, a esquizofrenia e a depressão profunda, nas prioridades para receber o imunizante contra a Covid-19.

Procurada pelo iG Saúde, a Secretária Municipal de Saúde do Rio de Janeiro explica que a Lei Brasileira de Inclusão estabelece a caracterização de "deficiência" a partir da constatação de "impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial". Por isso, a vacinação deste grupo é baseada nas definições descritas no Decreto 5.296/2004, do qual fazem parte a deficiência mental, a intelectual e a psicossocial.

Mas a pasta salienta que, se utilizando medicamentos a pessoa é capaz se relacionar com outros em igualdade de condições, ela não tem deficiência psicossocial e, consequentemente, não tem prioridade à vacina.

"A pessoa com deficiência psicossocial é aquela que, apesar do tratamento e medicação recebidos, mantém uma condição de vulnerabilidade a longo prazo que a incapacita a ter uma participação plena e efetiva na sociedade, em igualdade de condições com as demais pessoas", explica nota enviada ao iG Saúde.

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O clínico-geral e psiquiatra Lucas Bifano apoia a abrangência deste grupo e explica que não há cura para uma doença psicossocial. "Aqui entram os grupos dos esquizofrênicos, dos bipolares, dos depressivos maiores, ansiedade generalizada, são doenças que podem ser controladas, assim como hipertensão e diabetes, mas que podem ter seu pico negativo, levando aos sintomas novamente". Segundo o médico, estas são doenças permanentes, apesar de poderem ser controladas.

"Hoje em dia, vemos muitos casos de ansiedade de grau mais baixo e depressão leve, mas as psicossociais, como a esquizofrenia, bipolaridade e depressão maior, são extremamente limitantes. A pessoa não consegue ter um convívio social, nem com a própria família, seja com filho, marido, o que acarreta diversos fatores que até mesmo debilitam a imunidade", diz Bifano, que considera importante que doenças psicossomáticas, ou psicossociais, concedam prioridade à vacinação também em outros estados.

Fora isso, Bifano afirma que pessoas que já tinham uma dificuldade grande na questão social tiveram agravamento do quadro. "Essas pessoas são afetadas como consequência de um transtorno maior, às vezes é uma doença considerada moderada, mas ela tem sintomatologia grave por causa disso, porque a pessoa está confinada, ficou confinada boa parte do tempo e, no contexto da pandemia, está diante de uma doença que leva à morte de forma verdadeira, e não uma doença que imaginam que pode levar à morte", explica.

Para comprovar que você tem uma doença psicossomática e se vacinar no município do Rio, é necessário apresentar algum comprovante que demonstre pertencer ao grupo, como exames, receitas, relatório médico e prescrição médica.

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