Vacina heterogênea oferece proteção extra contra a Covid-19, diz estudo
Isabela Silveira
Vacina heterogênea oferece proteção extra contra a Covid-19, diz estudo

Um nova pesquisa publicada na última quinta-feira (5) demonstrou que uma vacina experimental constituída a partir de diferentes compostos químicos tem capacidade de estimular grande produção de anticorpos, inclusive no nariz e na boca, que são as principais portas de entrada para o coronavírus. Os resultados indicam que a combinação oferece proteção extra para suplementar a imunidade da corrente sanguínea, estimulada pelas vacinas já conhecidas.

Segundo a Medical Xpress, a estratégia proposta pelos cientistas da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, envolve diminuir a atividade de uma enzima produzida pelos glóbulos brancos quando eles estão respondendo ao desafio imposto pela vacina convencional: a elastase. Os pesquisadores observaram que, quando altamente ativa, essa enzima não só decompõe parte dos agentes do imunizante, mas também degrada pedaços de células que participam da resposta imunológica.

A partir de análises, os pesquisadores descobriram que suprimir a elastase em uma vacina, através de um inibidor a base de alumínio (alúmen), desencadearia em benefícios duplos: ampliar e acelerar a resposta imunológica na corrente sanguínea e desencadear os tipos específicos de anticorpos necessários para a proteção das membranas mucosas (nariz e boca).

Vale mencionar que substâncias a base de alumínio são baratas de se obter ou produzir e podem ser armazenadas em temperatura ambiente, o que pode ser útil para países em que o armazenamento refrigerado necessário para as vacinas existentes é um desafio.

Em meio aos testes, os pesquisadores constataram que os sais de alumínio são determinantes no desenvolvimento de anticorpos baseada na corrente sanguínea à vacinação, apesar de prejudicarem a imunidade mediada por outras células. Desse modo, para que a ação do mecanismo não fosse tão alta a ponto de sair do controle, eles chegaram a uma vacina experimental composta pela proteína spike SARS-CoV-2 (o vírus que causa Covid-19) e o antígeno a base de alumínio em doses controladas.

“Os benefícios da combinação são amplos. Além de fornecer proteção na corrente sanguínea como a maioria das vacinas, podemos também oferece maior proteção para as portas e janelas do corpo, que se comunicam com o exterior”, disse Prosper Boyaka, um dos autores da pesquisa.

Boyaka explica que a proteção adicional da vacina heterogênea acontece porque, mesmo que o indivíduo não alcance imunidade total ao ser vacinado, o composto de alumínio adicionado para inibir a enzima dos glóbulos brancos limita a quantidade de patógeno (vírus) que entra no corpo. Desse modo, os anticorpos internos podem eliminar a infecção com mais facilidade.

Você viu?

Enquanto verificavam suas hipóteses, os pesquisadores descobriram que o composto supressor de enzimas usado no estudo estimulou também a produção de células reguladoras de inflamação, especializadas em culturas de células imunes humanas e em células do baço de suínos. Foi por meio dessa observação que os cientistas desconfiaram que a estratégia do estudo, verificada primeiro em camundongos, poderia ter potencial para melhorar também as respostas imunológicas de humanos, porcos e outras espécies de animais.

A equipe acredita que os frutos do experimento devem, em breve, resultar em uma vacina humana contendo o inibidor de elastase. A novidade poderia expandir a disponibilidade de imunizantes contra a Covid-19 em todo o mundo ou até mesmo ser usada para aumentar a eficácia das vacinas existentes. Acrescenta-se a isso o fato do alúmen ser um material barato e acessível, o que seria positivo para países em que a vacinação está atrasada por falta de recursos.

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários