Avanço da variante Delta já supera o dos meses iniciais da Gama no Brasil
Fusion Medical Animation/Unsplash
Avanço da variante Delta já supera o dos meses iniciais da Gama no Brasil

O início da disseminação da variante Delta do coronavírus está sendo mais rápido do que foi o da variante Gama (a cepa P.1, identificada inicialmente em Manaus) nos primeiros meses de contágio. Enquanto a Gama dobrou sua participação do segundo para o terceiro mês de presença (de 11,5% para 23,6% dos casos entre janeiro e dezembro), a Delta multiplicou sua cota por nove em período similar (de 2,3% para 21,5% entre junho e julho), segundo dados da Rede Genômica Fiocruz.

Ainda é cedo para afirmar que esses números são precisos, porque o país não produziu um grande volume de sequenciamentos genéticos de amostras coletadas em julho. Duas diferenças de contexto em relação à disseminação de Gama e Delta, porém, inspiram mais preocupação.

Primeiro, enquanto a Gama começou a se espalhar no país em uma população ainda não vacinada, a Delta já encontrou uma resistência parcial, porque entre junho e julho a taxa de população plenamente vacinada no Brasil subiu de 10% para 40%. Segundo, a variante Delta parece estar conseguindo crescer não apenas na parcela dos casos ocorridos no Brasil, mas também no número absoluto de casos.

Enquanto a Gama dobrou o número de casos num momento em que a epidemia crescia 14% ao mês no Brasil, a Delta pode ter mais do que quintuplicado, num momento em que a epidemia declina (de 2 milhões para 1,3 milhão de casos por mês).

"Pelo que essa variante já mostrou em outros países, nós podemos entender que esse aumento vai se dar aqui no Brasil também", afirma o epidemiologista Paulo Petry, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Um dado otimista, porém, é que a taxa de mortalidade pela Delta não parece ser muito maior. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 5% dos casos da Delta no país resultaram em morte — no Brasil, a taxa de mortes por casos confirmados está em 3%, mas especialistas estimam que o número seja maior. Outro ponto a comemorar é que a maioria das vacinas protege as pessoas de doença grave e morte.

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