Rio de Janeiro registra falta de vacina e volta a cobrar Ministério da Saúde
Eduardo Lopes/PMC
Rio de Janeiro registra falta de vacina e volta a cobrar Ministério da Saúde


A cidade do Rio volta a conviver, nesta quinta-feira (19), com o fantasma da falta de doses da vacina contra a Covid-19. Em diversos postos, já não era possível ser imunizado desde o início da tarde, como atestam vários relatos nas redes sociais. A Secretaria municipal de Saúde (SMS) reconheceu o problema e afirmou que quem tem 19 anos, faixa etária prevista para hoje, também poderá se vacinar amanhã, junto com os cariocas de 18 anos, última idade restante antes da conclusão do calendário para adultos.

"Devido ao atraso na liberação de novas doses, algumas unidades da cidade já estão com os estoques esgotados. Jovens de 19 anos que eventualmente não consigam se vacinar hoje (19), por falta de doses no postos, poderão se vacinar amanhã, junto com as pessoas de 18 anos", informou a SMS pelo Twitter.


O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, usou a mesma rede social para voltar a cobrar do governo federal a entrega de novas remessas do imunizante. O ritmo de distribuição das vacinas por parte do Ministério da Saúde tem sido alvo de constantes críticas da Prefeitura do Rio, que alega demora para que as doses saiam dos estoque federais. A pasta, por sua vez, garante que repassa as vacinas para os estados no menor prazo possível. No entanto, como O GLOBO mostrou na última semana, lotes do imunizante da Janssen ficaram até 40 dias armazenados antes de chegarem ao destino final.

"Ficamos aguardando a semana toda a chegada de doses do Ministério da Saúde. Neste momento, as unidades (estão) com estoque crítico para aplicar a primeira dose de D1", escreveu Soranz no Twitter, marcando o perfil oficial do Ministério da Saúda na mensagem. Não houve resposta.

Enquanto isso, as queixas sobre a falta de imunizante se multiplicam. "São 14h e não tem vacina para primeira dose no Palácio do Catete", reclamou uma jovem no Twitter, citando em seguida o prefeito Eduardo Paes: "Bora pressionar o Ministério da Saúde aí. Bota na Justiça também!". "Fui em dois lugares e não tinha (vacina) em nenhum", chiou outra internauta. "Eu querendo tomar a minha dose e não pude. Fui em cinco lugares e nada", desabafou uma terceira carioca. Relatos semelhantes, às centenas, tomaram conta das redes sociais nesta quinta-feira.

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Como consequência, os postos nos quais ainda havia vacinas ficaram sobrecarregados. Na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, o movimento era pequeno até o fim da manhã. A chegada de doses do imunizante da Pfizer no início da tarde garantiu que o atendimento prosseguisse até o fim do dia, mas logo grandes filas começaram a se formar no local.

O avanço da vacinação é considerado a principal arma para conter a disseminação na cidade da variante Delta, apontada por especialistas como mais contagiosa. O cenário é tão preocupante que Eduardo Paes chegou a classificar o Rio como "epicentro da pandemia no Brasil" na última sexta-feira. Por mais de uma vez, a campanha municipal de vacinação precisou ser interrompida devido à falta de vacinas.

"O que aconteceu em outros momentos quando esse epicentro estava em Manaus e Rio Grande do Sul? Mandaram mais recursos. Do ponto de vista terapêutico, temos estrutura. Mas mandem mais doses para o Rio de Janeiro", disse o prefeito na ocasião, em mais um capítulo do cabo de guerra com o Ministério da Saúde.

Após concluir a vacinação de todos os cariocas maiores de idade nesta sexta-feira, já alguns dias mais tarde do que o previsto inicialmente devido às pausas no cronograma, a cidade do Rio planeja iniciar a imunização de jovens entre 15 e 17 anos já na próxima semana. A expectativa, condicionada à constância da chegada das doses, é terminar esse grupo etário até o fim do mês de agosto.

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