Registro da vacinação contra a Covid-19
Eduardo Lopes/ Fotos Públicas
Registro da vacinação contra a Covid-19

A vacinação de crianças e adolescentes no Brasil teve a sua menor taxa desde 1995. A cobertura vacinal de crianças vem sofrendo uma queda desde 2019 e, em 2020, registrou o seu pior índice.

O levantamento, que foi feito pela agência de dados Fiquem Sabendo, apontou também que a vacina BCG, aplicada em recém-nascidos para a prvenção da tuberculose, atingiu 100% do seu público-alvo até 2015. Esse cenário não se manteve nos anos seguintes e sofreu uma queda considerável, que resultou num total de 73% em 2020. A mesma diminuição da cobertura de imunização houve com a vacina contra a hepatite B, que registrou 90% do público vacinado em 2015, mas apenas 63% em 2020.

Da mesma forma, os imunizantes contra meningite, difteria, tétano, sarampo, poliomielite e hepatite A não chegaram a 80% das crianças que deviam ter sido vacinadas em 2020. Antes essas vacinas tinham cobertura entre 95% e 112% do público-alvo estimado.

Segundo especialistas, essa queda na cobertura vacinal pode ser explicada por diversos fatores e pode ter graves consequências no futuro, como o ressurgimento de doenças hoje praticamente erradicadas.

Em entrevista à Rádio Brasil Atual, a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), afirmou que a queda na vacinação se deve, em grande parte, à difusão de informações falsas por movimentos antivacina. Os erros de planejamento do governo atual também são uma das causas dessa queda, já que levaram a falta de algumas vacinas e também prejudicaram a adesão da população à vacinação no tempo certo.

“O que está acontecendo desde o início desse governo é que não se tem investimento para estimular as pessoas a procurarem a vacinação, para que elas se informem e diga da necessidade. (…) E a gente começa a ver isso se refletindo no surgimento de doenças que já não víamos, por exemplo, o sarampo. É muito preocupante", afirma Ethel.

A epidemiologista ainda afirma que, apesar das intenções de acelerar e aumentar a imunização de outras doenças além da covid-19, houve pouco engajamento por parte do Ministério da Saúde, com "poucas campanhas falando sobre, um investimento pequeno".

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"É muito relevante as crianças se vacinarem", diz a coordenadora da Rede Análise Covid-19, Mellanie Fontes-Dutra. Ela ressalta que o calendário vacinal é tem como principal objetivo garantir a melhor proteção para as crianças conforme seu desenvolvimento, sendo assim, é muito importante vacinar no tempo certo.

“Existe todo um esquema de vacina que se toma nos primeiros meses de vida até a vida toda. E nessa primeira fase da vida a criança precisa dessa proteção para poder ter um desenvolvimento saudável ainda mais com seu sistema imunológico amadurecendo”, explica a coordenadora.

Mellanie ainda reforça que é importante munir as famílias dessas crianças com informações para que elas sejam vacinadas "com as vacinas disponíveis para a idade dela, que retorne caso haja uma segunda ou terceira dose para assegurar que essa criança vai ter toda a proteção possível para lidar com possíveis exposições a agentes infecciosos".

É ainda mais importante vacinar as crianças quando as coberturas de algumas doenças estão em baixa, diz a coordenadora. "É aí que a gente tem que voltar a vacinar com força de novo. Porque quando a gente vacina e as coberturas estão alta a transmissão cai e todo mundo fica mais seguro”, acrescenta.

Campanha de multivacinação


Ethel Maciel ainda complementa que é válida a atuação de escolas e creches como centros de conscientização e fiscalização da imunização, principalmente em tempos em que acontece essa queda nas taxas de vacinação.

A Campanha Nacional de Multivacinação vai até 30 de novembro e busca completar a vacinação de crianças e adolescentes até 15 anos. Entre as vacinas aplicadas na campanha multivacinação estão a BCG, contra Hepatites A e B e contra poliomielite, a Pentavalente, a Meningocócica C e a Tetraviral, entre outras.

Cerca de 45 mil postos de vacinação atuam na campanha, com as doses dos 18 imunizantes que compõem o Calendário Nacional de Vacinação. As famílias devem levar as crianças e as cadernetas de vacinação à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para que o documento seja conferido e não falte nenhuma vacina para as crianças e adolescentes.

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