SP lança plano de enfrentamento da Sífilis Congênita
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SP lança plano de enfrentamento da Sífilis Congênita

Com o objetivo de reforçar as ações de combate à doença que afeta gestantes e bebês, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) lançou nesta semana o Plano Municipal de Enfrentamento da Sífilis Congênita.

A SMS mobilizou uma força-tarefa com diversas áreas para reduzir o aumento progressivo de novos casos detectados na capital. A taxa de sífilis congênita em 2020 é estimada em 7,2 para cada mil nascidos vivos.

Foram apresentadas ações estratégicas, técnicas e práticas para atingir o objetivo do plano, que é reduzir 5% ao ano o coeficiente de incidência da sífilis congênita no município de São Paulo. A meta é chegar ao índice de eliminação de transmissão vertical, definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que estipula um resultado menor ou igual a 0,5 caso por mil nascidos vivos.

“A secretaria adotou uma série de medidas, desde estabelecer protocolo municipal de atenção à sífilis a linhas de cuidado. Não falta diretriz. Não faltam insumos e espaços de qualificação técnica. E tudo isso para dar uma resposta equânime à sífilis nos diferentes territórios”, afirmou Maria Cristina Abbate, coordenadora de IST/Aids de São Paulo.

Medidas

Para o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, o plano de enfrentamento tem um significado extremamente importante, “tanto no que diz respeito à preparação dos nossos profissionais de saúde, quanto no combate integrado desse agravo, pois a capital estará mais capacitada para lidar com os usuários nos diferentes eixos do plano.”

Outras medidas contempladas são reforçar a testagem de sífilis para 100% das pessoas gestantes que buscam o serviço de pré-natal; tratar adequadamente as gestantes diagnosticadas com a doença em tempo oportuno; atender aos parceiros sexuais de forma conjunta; oferecer tratamento e acompanhamento a recém-nascidos expostos à doença e realizar o tratamento adequado dos casos de sífilis adquirida.

O teste e o tratamento para sífilis são realizados nas 469 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nas 82 Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAS)/UBSs integradas, das 7h às 19h, nos 26 hospitais municipais que funcionam 24 horas por dia, além dos 27 estabelecimentos da Rede Municipal Especializada em Infecções Sexualmente Transmissíveis e Aids (ISTs/Aids). A unidade mais próxima pode ser consultada por meio da plataforma Busca Saúde.

Segundo a Divisão de Vigilância Epidemiológica da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), a capital registrou 1.154 casos de sífilis congênita, de janeiro a dezembro de 2018, o que representa um aumento de 212% em relação a 2010.

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O número de pessoas gestantes notificadas com sífilis teve alta de 687%, entre 2010 e 2020, de 882 para 6.067 casos. A capital soma, ao todo, 36.568 registros neste período. A taxa de detecção chega a 41,2 por 1.000 nascidos vivos, o que reflete também que as gestantes estão sendo diagnosticadas. Já os casos de sífilis adquirida aumentaram em 5%, entre 2018 e 2019, de 16.227 para 17.132.

Para reduzir esses números, a SMS adotou uma metodologia do Ministério da Saúde (MS), que será lançada em breve, e classifica as regiões com as medalhas de bronze, prata ou ouro no enfrentamento à doença.

Consequências da sífilis

A sífilis é uma doença transmitida por via sexual e materno-fetal, causada pela bactéria Treponema pallidum. A doença é exclusiva do ser humano e é curável. Se não tratada, pode evoluir para formas mais graves, comprometendo os sistemas nervoso e cardiovascular. Em gestantes, pode levar a desfechos como aborto, morte de um feto após 20 semanas de gestação, baixo peso, prematuridade, entre outras enfermidades.

A sífilis congênita pode resultar ainda em alterações no desenvolvimento do bebê, comprometimento neurológico com deficit intelectual, deficiência visual e auditiva, alterações ósseas e de dentição.

Dados da doença no Brasil

De acordo com o Boletim Epidemiológico de Sífilis, do MS, em 2019 foram notificados 152.915 casos de sífilis adquirida em todo o país, com taxa de detecção de 72,8 casos por 100 mil habitantes. A maior parte das notificações ocorreu em indivíduos entre 20 e 29 anos de idade (36,2%). Houve redução de 4,5% na taxa de detecção nacional em relação a 2018, que apresentou taxa de 76,2 por 100 mil habitantes. Em gestantes, foram 61.127 casos em 2019, com redução de 3,3% em relação ao ano anterior (63.182 casos).

Em 2019 foram registrados 24.130 casos de sífilis congênita. No Brasil, em geral, nos últimos dez anos, houve um progressivo aumento na taxa de incidência de sífilis congênita: em 2009, a taxa era de 2,1 casos por mil nascidos vivos e em 2018 chegou a nove casos, reduzindo para 8,2 em 2019. A identificação precoce da doença e o tratamento adequado impedem a transmissão da sífilis durante a gestação para o bebê.

Quanto aos óbitos, em 2019 foram registrados 173 por sífilis congênita (em menores de um ano de idade). No Brasil, nos últimos dez anos, houve aumento no coeficiente de mortalidade infantil por sífilis que passou de 2,2 por 100 mil nascidos vivos em 2009, para 5,9 em 2019. Em 2018, o coeficiente de mortalidade infantil por sífilis foi de 8,9 por 100 mil nascidos vivos.

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