2021 registrou uma leve recuperação, mas número exames ainda estão abaixo do normal
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2021 registrou uma leve recuperação, mas número exames ainda estão abaixo do normal

A covid-19 ainda impacta no controle de outras doenças no Brasil. Segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), em 2021, o número de mamografias feitas para identificar e diagnosticar casos de câncer de mama foi 15% menor do que em anos pré-pandêmicos.

Neste sábado, é celebrado o Dia Nacional da Mamografia, uma data criada para conscientização sobre a importância da realização do exame.

Se em 2019, eram cerca de 2 milhões de exames realizados em mulheres de 50 a 69 anos, em 2021, o número foi de 1,6 milhão. Apesar de ser considerado baixo, o resultado foi melhor que 2020 - 1,1 milhão, uma queda de 42% se comparado ao ano anterior. Os dados foram compilados em um estudo liderado pela Dra. Jordana Bessa, membro da SBM.

"No ano passado, sentimos certo 'alivio' da pandemia, chegaram as vacinas, os serviços voltaram a funcionar, fizemos uma atualização do estudo e vimos uma recuperação do número em relação a 2020. Ele é melhor, mas ainda não chegou ao habitual", afirma a especialista.

A Dra. Jornada aponta que além da pandemia, outras razões interferem na realização do exame.

"Algumas não procuram porque não tem sintomas. Mas é importante conscientizar que esse é o papel da mamografia, quando a mulher sente algum sintoma, geralmente esse nódulo já tem 4 cm de tamanho, e o tamanho da lesão influencia na possibilidade de cura, na extensão da cirurgia, se vai ser mais conservadora ou radical, na quantidade de medicamentos, quimioterapia e na quantidade de radioterapia.", afirma.

O medo da covid-19 foi o que fez com que Marli Costa Batista não realizasse o preventivo por dois anos. Depois que o vírus chegou ao Brasil, ela se isolou com a família no interior de São Paulo, e com medo de ser infectada com a doença, não foi ao médico para a consulta de rotina.

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"Eu dei uma bobeada, fiquei dois anos sem fazer o exame. Veio a pandemia e eu fiquei com muito medo. Aquela coisa nova, o mundo naquela loucura, ninguém sabia o que fazer, o que estava acontecendo. Peguei minhas filhas, meus sogros, meus cachorros e fui para a casa de campo. E nessa, fiquei quase um ano. E aí a gente se perde, me perdi no tempo, não lembrei de fazer exame, não lembrei de fazer nada", conta.

Foi a mamografia que identificou o tumor de 3m na mama. Hoje, em tratamento, diz que não se culpa. Entretanto, alerta para que as mulheres não sigam o mesmo caminho: "Se precisar esperar uns meses na fila, fique na fila. Se descoberto no começo, é mais fácil".

Questões sociais pesam

Segundo a Dra. Jordana, antes da pandemia, o acesso das brasileiras ao exame de mamografia também não ideal. Em 2018, o país contava com pouco mais de 5 mil mamógafos - o que seria um bom número, não fosse a distribuição dos equipamentos.

"Até temos um bom número de mamógrafos, cerca de 2 mil estão no SUS, e outros 3 mil na rede privada. Mas também temos um certo problema de distribuição geográfica, tem cidades que não tem mamófrago", ela explica.

De acordo com um estudo do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem(CBR), pacientes com plano de saúde tem quatro vezes mais acesso ao exame que as pacientes do SUS. "O número de mamógrafos não é tão ruim, a distribuição é", completa Jordana. E esse número pode ser mais alarmante ainda, dependendo da região.

"Nos estados de Mato Grosso do Sul, Acre, Paraíba, Amapá, Maranhão, Rondônia, pacientes com plano tem 20 vezes mais chances de conseguir uma mamografia do que uma paciente do SUS. O acesso é ainda mais difícil", conclui.

** Filha da periferia que nasceu para contar histórias. Denise Bonfim é jornalista e apaixonada por futebol. No iG, escreve sobre saúde, política e cotidiano.

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