Médicos registram teste de covid-19 em província chinesa
Zhang Boyu/Xinhua News/Governo da China 18.03.2022
Médicos registram teste de covid-19 em província chinesa

Enquanto grande parte dos brasileiros abandonam o uso de máscaras contra a covid-19, uma notícias preocupantes sobre a pandemia chamam atenção do outro lado do mundo. Nesta semana, China e Coreia do Sul bateram recorde de novos casos - a última, teve mais de 620 mil infecções segundo a Agência de Controle e Prevenção de doenças da Coreia (KDCA).

O pico - o maior desde o início da pandemia em 2020 -, é resultado da chegada da variante Ômicron à região, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse, porém, não é o único fator que pode ser apontado como responsável pelo momento preocupante pelo qual os países passam, como aponta o infectologista Bernardo Almeida.

"A Ásia, vamos usar Hong Kong como exemplo, tem uma população 70% vacinada, mas os idosos acima de 70, 80 anos, não estão vacinados. Justamente a população mais vulnerável à infecção e as complicações não estão plenamente vacinados como as outras faixas etárias. Isso explica porque a imunidade vacinal atinge um pico: entrou um vírus mais transmissível, a política do covid-19 zero passou a não ser mais eficiente e isso fez com que eles estejam no pior momento da pandemia".

Na China, o governo decidiu adotar a política da "covid zero", uma forma de negar que seja possível "coexistir" com o vírus, o que já implicou em lockdowns em cidades inteiras sem que um único caso fosse detectado.

"Eles acabam sendo reféns da própria opção de ação, o covid zero, que é uma opção lógica, faz sentido - não se tolera a circulação do vírus aqui -, porém você acaba dependendo somente da imunidade vacinal. Sem a circulação do vírus, o contexto difere dos Estados Unidos, do Brasil, onde houve vacinação mas também houve uma circulação viral", completa o especialista.

Para Bernardo, como parte da população não teve a percepção real do colapso que ocorreu em Wuhan - que entrou rapidamente  em lockdown -, alguns abdicaram de procurar pelas vacinas.

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"Isso fez com que uma parte da população não fosse atrás. Os idosos têm lá suas limitações, eles não tinham a motivação que o resto do mundo teve. Isso explica em partes. Pode ser que tenha influência do movimento antivacina, mas não é o principal fator", comenta.

Outra questão importante é o tipo da vacina: na China, os imunizantes mais utilizados são os que utilizam vírus inativado, e conferem uma eficácia menor se comparados aos de RNA mensageiro, como a Pfizer.

Situação exige atenção

Para Carla Kobayashi, infectologista do Hospital Sírio-Libianês, o cenário atual é cheio de incertezas. No entanto, qualquer movimentação que diz respeito a pandemia, por menor que seja, demanda atenção.

"A grande discussão é: será que isso vai refletir no Brasil em breve? Provavelmente sim, mas dizemos com bastante incerteza. Não dá para afirmar que estamos blindados. Acho difícil a gente ter essa resposta, nenhum país vai estar blindado de novas ondas, e sim, temos que ter cautela nas flexibilizações, seja em cenário nacional, estadual ou até mesmo nas prefeituras", alerta.

"Toda vez que a gente tiver um aumento de casos em outro país, temos inevitavelmente o risco do aumento de casos aqui, seja pelo aumento dos viajantes ou pela circulação de variantes. Agora temos a discussão do subtipo da variante Ômicron se tornando cada vez mais incidente. E começa toda uma discussão na OMS, se a proteção que temos vai ser capaz de evitar uma nova infecção."

** Filha da periferia que nasceu para contar histórias. Denise Bonfim é jornalista e apaixonada por futebol. No iG, escreve sobre saúde, política e cotidiano.

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