Surto de hepatite em crianças não tem relação com vacina contra covid, diz governo britânico
Rachel Schraer - Repórter de Saúde da BBC News
Surto de hepatite em crianças não tem relação com vacina contra covid, diz governo britânico

O Ministério da Saúde monitora sete casos no país que podem ser de hepatite de causa desconhecida em crianças. Até o momento, estão em investigação para um possível quadro de "hepatite misteriosa" quatro pacientes no Rio de Janeiro e três no Paraná. Os casos no Brasil, no entanto, ainda dependem do resultado de mais exames para que seja possível dizer se tratar da doença.

Segundo o ministério, os Centros de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS) monitoram junto aos núcleos de epidemiologia hospitalar da Rede Nacional de Vigilância Hospitalar (RENAVEH) casos suspeitos da doença e alterações no cenário sanitário .

"A pasta orienta aos profissionais de saúde e da Rede Nacional de Vigilância, Alerta e Resposta às Emergências em Saúde Pública do Sistema Único de Saúde (VigiAR-SUS) que suspeitas sejam notificadas imediatamente", respondeu a pasta ao GLOBO.

A doença tem acometido menores de 16 anos ao redor do mundo e foi inicialmente identificada no Reino Unido, que registrou a primeira morte pela doença. Os casos começaram a ser reportados no início de abril. Até a última quarta-feira, a Organização Mundial de Saúde (OMS) havia registrado 228 casos em todo o planeta. Nenhum no Brasil. O número de mortes ainda é incerto, mas além do Reino Unido, outras três mortes foram anunciadas pela Indonésia.

Nesta quinta-feira, a Argentina, que faz fronteira com o Brasil, registrou o primeiro caso da doença. Uma criança de 8 anos, do sexo masculino, foi internada no Hospital Infantil da Cidade de Rosário. O caso foi o primeiro notificado na América Latina.

A enfermidade decorre de uma inflamação no fígado e os sintomas relacionados a ela são icterícia (coloração amarela da pele e dos olhos), diarreia, vômitos e dores abdominais. De acordo com as informações disponíveis, cerca de 10% dos casos apresentam necessidade de realização de transplante de fígado.

Diante do alerta mundial, a orientação do Ministério da Saúde é que as secretarias de estados e municípios notifiquem imediatamente casos inesperados de hepatite aguda com etiologia desconhecida em crianças e relatem qualquer alteração no cenário sanitário relacionada a essas ocorrências.

Em entrevista na última quarta-feira, o diretor regional de Emergências da OMS na Europa, Gerald Rockenschaub, afirmou considerar o tema "muito urgente":

"Estamos dando prioridade absoluta a isso e trabalhando muito de perto com o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças na gestão e coordenação. Estamos fazendo todo o possível para identificar rapidamente o que está causando isso e depois tomar as medidas adequadas, tanto a nível nacional como internacional", disse.

Até o momento, segundo a OMS, a suspeita é que a doença seja causada por um adenovírus, já que os vírus que causam as hepatites A, B, C, D ou E não foram encontrados nos pacientes. Por ser um Ponto Focal Nacional que atua em interface com Regulamento Sanitário Internacional, um instrumento que reúne todos países membros da OMS, o Brasil compartilha continuamente as informações sobre os casos com a organização.

A OMS descarta que a doença esteja relacionada à vacinação contra Covid-19. Segundo dados da organização, a maior parte das crianças acometidas não recebeu o imunizante. Uma das linhas de investigação entre especialistas é que a baixa exposição das crianças devido ao isolamento necessário na pandemia de Covid-19 pode ter fragilizado o sistema imunológico para outras doenças.

Entre as medidas para prevenir a doença, é recomendada a higiene das mãos, e etiqueta respiratória, como cobrir a boca e o nariz em caso de tosse ou espirro.

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