Qualidade da água de SP em xeque; consumo em excesso pode fazer mal?
Agência Brasil/EBC
Qualidade da água de SP em xeque; consumo em excesso pode fazer mal?

Recentemente, um relatório realizado pela ONG SOS Mata Atlântica apontou que nenhum dos rios, córregos ou represas do estado de São Paulo possui boa  qualidade de água, o que acendeu um alerta preocupante para a população, que depende do insumo básico para o dia a dia. Com a qualidade da água colocada em xeque, pode vir a questão: é seguro consumir água com uma qualidade duvidosa? Faz mal para a saúde? O iG conversou com especialistas para explicar a situação.

O levantamento da ONG analisou 108 pontos em 88 cursos d’água do estado. A conclusão foi que 4 deles apresentaram qualidade péssima: o riacho Água Podre e os córregos Tijuca Preto e Três Pontes, na capital; e o Ribeirão dos Meninos, em São Caetano do Sul.

Como exemplo, no córrego Tijuco Preto, que fica na Zona Leste, não há tratamento de esgoto. Os dejetos das casas que ficam às margens caem direto na água.

Segundo o doutor em Saúde Pública e professor de Química e Meio Ambiente da Universidade Mackenzie, Rogerio Aparecido Machado, os efeitos nocivos à saúde humana, caso consuma esse tipo de água contaminada, pode ser sentido rapidamente.

“Se a pessoa já estiver com uma imunidade baixa ou qualquer doença, ela pode morrer”, afirma o especialista, em referência ao consumo da água contaminada com coliformes fecais.

“Se tiverem metais pesados na água, por exemplo, a médio e longo prazo, esses metais vão se acumulando no corpo da pessoa e ele pode ir perdendo a função de alguns órgãos, como o rim, o fígado ou até o sistema nervoso central”, completa o especialista.

Machado é incisivo e diz que a contaminação da água pode levar uma pessoa a óbito em pouquíssimo tempo. As impurezas na água são graves e podem levar à morte em curtíssimo prazo, como também se estender para médio e longo prazo, depende da substância".

Agrotóxicos

Segundo dados do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sigagua), órgão ligado ao Ministério da Saúde, a situação das águas nas cidades brasileiras é preocupante em relação também aos agrotóxicos. A pesquisa indicou que mais da metade dos municípios brasileiros tem rios contaminados por agrotóxicos.

Os números mostram que 27 tipos de pesticidas foram encontrados nas torneiras de mais de 2.300 cidades do país. Os agrotóxicos estavam na água mesmo após o tratamento feito pelas empresas de saneamento.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classifica a exposição a 16 substâncias agrícolas como extremamente ou altamente tóxicas. A taxa de agrotóxicos encontrados é considerada ruim em 1 de cada 4 cidades.

São Paulo

No estado de São Paulo, em particular, entre 2018 e 2020, foram encontrados contaminantes na água em 132 cidades paulistas. As substâncias químicas excederam o valor máximo permitido pelo Ministério da Saúde, órgão que define um parâmetro de controle.

Na capital paulista, substâncias foram identificadas acima do limite 13 vezes nos sistemas Guarapiranga, Cantareira, Alto Tietê e Rio Claro. Juntos, esses sistemas abastecem cerca de 17 milhões de pessoas.

“O esgoto residencial é composto por uma mistura da água proveniente dos banhos, da limpeza de louças e roupas e da descarga do vaso sanitário. Todos esses resíduos são ricos em microorganismos, agentes patogênicos, compostos tóxicos e nutrientes, que servem de alimento para bactérias e vírus. Sendo assim, não devem ser descartados de volta à natureza sem tratamento”, afirma Milton Monteiro, enfermeiro chefe do hospital HSANP, na capital paulista.

E completa: “A água não tratada é um importante veículo de disseminação de doenças. Isso fica claro em um comparativo realizado pelo Instituto Trata Brasil, que relaciona as dez piores e melhores cidades do ponto de vista do acesso ao saneamento básico”.

“Muitos acreditam que a qualidade da água é medida apenas por sua cor cristalina, porém, a água apropriada para o consumo humano deve estar também sem cheiro ou gosto, além de estar livre de bactérias e substâncias nocivas à saúde”, finaliza Monteiro.

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