Vírus da 'varíola dos macacos'
Foto: Centro de Controle de Doenças/Divulgação - 20/05/2022
Vírus da 'varíola dos macacos'

Com quatro casos detectados, a Bélgica se tornou o primeiro país a introduzir uma  quarentena obrigatória para as pessoas infectadas com a varíola dos macacos (monkeypox, em inglês). Segundo o jornal belga La Libre, a decisão foi tomada na sexta-feira pelo Grupo de Avaliação de Riscos da Bélgica (RAG) e autoridades de saúde do país. A medida é uma forma de evitar a disseminação da doença, que já foi identificada em 11 nações europeias.

A região vive o maior surto da varíola dos macacos já registrado , de acordo com o serviço médico das Forças Armadas da Alemanha. Fora da Europa, há ainda casos na Austrália, Estados Unidos, Canadá e Israel. Pela decisão da Bélgica, pessoas que tiverem o diagnóstico confirmado para a infecção serão obrigadas a cumprir um período de 21 dias de quarentena, sem contato algum com outras pessoas.

A doença, rara em países fora da África Central e Ocidental, onde o vírus é endêmico, era normalmente identificada em pacientes que viajaram ao continente africano. No entanto, os novos casos têm sido relatados em pessoas que não visitaram essas regiões, e a transmissão comunitária na Europa – quando o contágio é entre pessoas no mesmo território sem histórico de viagem ou origem definida – já é uma realidade, afirma a conselheira médica chefe da Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA), Susan Hopkins.

"Nós estamos encontrando casos que não têm contato identificado com um indivíduo da África Ocidental, que é o que vimos anteriormente neste país. A transmissão comunitária é em grande parte centrada em áreas urbanas", disse a especialista ao programa da BBC Morning Show, neste fim de semana.

Desde o início do mês, Reino Unido, França, Bélgica, Holanda, Alemanha (onde um dos infectados é brasileiro), Itália, Suécia, Espanha, Portugal, Austrália, Estados Unidos, Canadá, Israel, Suíça e Áustria registraram casos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que 92 casos e 28 suspeitos já foram identificados em países onde o vírus não é endêmico — e alertou que mais infecções provavelmente serão confirmadas em breve.

Porém, de acordo com os anúncios dos países, apenas na Europa esse número já ultrapassa 100 diagnósticos, com os lugares mais afetados sendo Espanha, Portugal e Reino Unido.

O que é a varíola dos macacos?

A varíola dos macacos é uma infecção viral rara semelhante à varíola humana, considerada leve. A transmissão normalmente acontece do animal para a pessoa em florestas da África Central e Ocidental. Casos de contágio entre seres humanos podem acontecer, mas são mais raros, aponta a OMS. Por isso, autoridades de saúde pelo mundo monitoram de perto os novos diagnósticos que parecem se espalhar com mais facilidade de pessoa para pessoa.

Embora considerada rara, a OMS explica que a transmissão entre humanos se dá pelo contato com lesões, fluidos corporais, compartilhamento de materiais contaminados e vias respiratórias. Isso inclui o contato íntimo, com uma série de registros sendo associados a locais para relações sexuais, como na Espanha, onde a maioria dos casos foram ligados a uma sauna.

"Recomendamos a qualquer pessoa que esteja tendo mudanças de parceiros sexuais regularmente, ou tenha contato próximo com indivíduos que não conhece, que procurem ajuda caso desenvolvam uma erupção cutânea", disse a conselheira da agência de saúde britânica.

Não existe uma vacina específica para a varíola dos macacos, mas os dados mostram que os imunizantes utilizados para erradicar a varíola tradicional, em 1980, são até 85% eficazes contra essa versão, de acordo com a OMS. As autoridades de saúde britânicas disseram na quinta-feira que começaram a oferecer a vacina a alguns profissionais de saúde e outras pessoas que podem ter sido expostas ao vírus.


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