Mudanças bruscas na temperatura aumentam a incidência de problemas respiratórios
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Mudanças bruscas na temperatura aumentam a incidência de problemas respiratórios

Com a chegada do inverno, é comum que haja um aumento nos casos de doenças e problemas respiratórios . Fatores como a diminuição da umidade do ar e as pessoas passarem mais tempo em lugares fechados favorecem a invasão do organismo e a transmissão de gripes, resfriados e viroses. Nesse momento, uma dúvida comum que surge entre as pessoas é se uma gripe pode evoluir para um quadro de pneumonia.

Embora sejam doenças diferentes, ainda existe a possibilidade de agravamento do quadro em decorrência de uma gripe ou até mesmo após uma infecção pelo vírus da Covid-19.

"O paciente pode pegar uma gripe e, por causa da infecção viral, se tiver alguma comorbidade, alguma doença de base ou algum outro problema de saúde, pode facilitar a infecção por uma bactéria que leve à pneumonia", afirma a Dra. Thatiane Nakadomari, infectologista do Hospital São Vicente Curitiba (PR).

"A gripe é uma facilitadora no processo de pneumonia. O mesmo para a Covid-19. Ela pode levar a uma pneumonia viral, mas para causar uma pneumonia bacteriana, que precise de antibiótico, a Covid-19 é um agente facilitador, não a principal causadora da doença", explica a médica.

A melhor maneira de evitar que ocorra essa piora em uma condição considerada mais "simples" é pela vacinação , tanto da gripe quanto da Covid. A imunização, de acordo com a médica, impede a infecção pela doença ou faz com que a pessoa tenha um quadro mais leve dela.

"No caso da pneumonia, existe vacina, mas não para todas as pneumonias. Mas, a bactéria que mais causa pneumonia comunitária hoje em dia é Streptococcus pneumoniae, e para essa bactéria existe uma vacina que é antipneumocócica. E existem ainda vacinas para outras bactérias que são aplicadas na infância", esclarece Nakadomari.

Em São Paulo, a imunização contra a gripe pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas acima de 50 anos foi prorrogada até 24 de junho.  Confira aqui a lista de postos de vacinação e os horários de funcionamento.

Quais os sintomas?

Para identificar se uma gripe evoluiu para uma pneumonia, a médica aponta alguns sintomas comuns que se deve ter mais atenção. Normalmente, o paciente começa com sintomas gripais acompanhados de dor no peito, tosse carregada — com catarro espesso, mais amarelado —, falta de ar e febre acima de 37,8ºC.

De acordo com a infectologista, esses geralmente são os sinais de uma pneumonia, mas também podem ser de outras infecções virais, por isso é sempre importante consultar um médico caso haja suspeita da doença.

"Se a pessoa está com os sintomas, tem suspeita de que está com pneumonia, a primeira coisa que se deve fazer é procurar um Pronto Atendimento ou o seu médico, caso consiga consulta para o mesmo dia, pois a pneumonia normalmente é um quadro bacteriano grave", explica. "O médico fará o exame físico e, se achar necessário, pedirá exames de imagem. Se for confirmado uma pneumonia bacteriana, começará o tratamento com antibiótico."

Segundo a médica, apesar de a pneumonia normalmente ser bacteriana e não ser transmissível pelo ar, é importante que, no frio, as pessoas continuem usando máscaras em locais fechados e aglomerados , para evitar o contágio de outras doenças. Além disso, ela também chama a atenção para as pneumonias virais, como as causadas pelos vírus da Covid-19 e Influenza, que podem ser transmitidas pelo ar, e conseguem ser evitadas com o uso do aparato de proteção.

"O frio não faz aumentar o risco de contágio, mas faz com que as pessoas se aglomerem mais, fiquem em ambientes mais fechados, menos ventilados, e por esse motivo fica mais fácil de transmitir os vírus", afirma. "Principalmente por isso que, nesta época, é importante usar máscaras em locais fechados e aglomerados para evitar a circulação dos vírus."

Tratamento

O tratamento para a doença depende das condições do paciente. Durante a consulta, o médico vai avaliar se a pessoa consegue realizar o tratamento de casa ou se precisará ficar internada. "Se o paciente tiver alguma complicação, for idoso, tiver alguma doença, como insuficiência cardíaca, asma, pode ser necessário internar. Mas se for um paciente que está estável, não tem sinais de gravidade, pode ser feito o tratamento em casa com antibiótico via oral."

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** Letícia Moreira é jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero. No Portal iG, trabalha nas editorias de Último Segundo e Saúde, cobrindo assuntos como cidades, educação, meio ambiente, política e internacional.

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