Criança recebe vacina oral contra a Polio, a famosa gotinha.
Agência Brasil
Criança recebe vacina oral contra a Polio, a famosa gotinha.

Órgãos estaduais de saúde dos Estados Unidos identificaram o vírus da poliomielite nas águas residuais em Rockland, subúrbio de Nova York, o mesmo lugar onde em meados de julho, as autoridades confirmaram o primeiro caso de pólio em mais de uma década.

A coleta, feita em junho, entretanto, significa que o vírus estava presente na comunidade, pelo menos, um mês antes do primeiro caso ser confirmado. A informação divulgada nessa segunda-feira acendeu o alerta nas autoridades públicas que pediram para que todas as pessoas, sejam adultas ou crianças, que não tenham se vacinado, procurem um posto médico para receber o imunizante.

"Nos Estados Unidos, temos a sorte de ter disponível a proteção crucial oferecida pela vacinação contra a poliomielite, que protegeu nosso país e os nova-iorquinos por mais de 60 anos. Dada a rapidez com que a poliomielite pode se espalhar, agora é a hora de todos os adultos, pais, e guardiões se vacinarem e levar seus filhos o mais rápido possível", afirmou a Comissária Estadual de Saúde, Mary T. Bassett.

Autoridades de Nova York disseram que estão abrindo clínicas de imunização para ajudar os moradores não vacinados a tomarem suas doses.

A pólio é muitas vezes assintomática e as pessoas podem transmitir o vírus mesmo quando não pareçam doentes. Mas também pode produzir sintomas leves, semelhantes aos da gripe, que podem levar até 30 dias para aparecer, acrescentaram as autoridades.

Pode atacar em qualquer idade, mas a maioria das pessoas afetadas são crianças de três anos ou menos.

Risco de retorno da doença

A baixa cobertura vacinal está por trás dos recentes casos de pólio identificados em países que já haviam eliminado há doença há muitos anos, como os Estados Unidos. Basta lembrar que apenas neste ano, pelo menos três países registraram a presença do vírus.

Além desse caso registrado nos EUA, Israel apresentou uma série de infecções no início do ano e o vírus foi encontrado no Reino Unido pela primeira vez em quarenta anos. Também houve um surto da doença no Malawi, na África, após a infecção de uma criança de 3 anos pelo polivírus selvagem tipo 1. No Brasil, especialistas e autoridades de saúde, incluindo a Fiocruz, não param de alertar sobre o risco de retorno da doença.

A poliomielite é uma doença que foi considerada eliminada na região das Américas e em outras partes do mundo. Entretanto, não foi erradicada do mundo, pois o vírus silvestre continua a circular em países como Afeganistão e Paquistão.

Um relatório recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) em conjunto com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) escancara o maior retrocesso nas taxas de vacinação infantil nos últimos 30 anos. Para as instituições, o declínio é associado a fatores como o aumento da desinformação no contexto da pandemia da Covid-19, os desafios logísticos pela emergência sanitária e o número crescente de crianças que vivem em áreas de conflito e vulnerabilidade.

O Brasil não cumpre, desde 2015, a meta de imunizar 95% do público-alvo, patamar necessário para que a população seja considerada protegida contra a doença. Segundo informações do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI), a cobertura vacinal com as três doses iniciais da vacina está muito baixa: 67% em 2021.

No país, o esquema de vacinação contra a pólio é composto de cinco doses. As três primeiras são feitas com a vacina de vírus inativada. Ela é aplicada via injeção aos 2, 4 e 6 meses de idade e protege contra os três tipos conhecidos desse vírus. Para completar, devem ser dadas duas doses de reforço com a vacina atenuada, a famosa gotinha. A primeira, entre os 15 e os 18 meses de idade e, a última, aos 4 anos idade.

Em pessoas que já tomaram a vacina inativada, a gotinha é considerada segura e eficaz. No entanto, as pessoas que recebem a vacina oral, que contém uma versão enfraquecida do vírus, podem transmiti-lo para pessoas não vacinadas.

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