
As convulsões sofridas pelo ator Henri Castelli no BBB 26, reality show da TV Globo, podem ter sido causadas por privação de sono, estresse físico e emocional, além de desidratação.
O Portal iG ouviu especialistas sobre os fatores que podem desencadear convulsão.
O neurocirurgião Jackson Daniel, apontou também, como outras possíveis causas, alterações de eletrólitos ou até condições neurológicas pré-existentes.
O estado de saúde de Henri Castelli chamou a atenção desde a manhã desta quarta-feira (14), quando ele teve uma convulsão, durante a Prova do Líder. A prova de resistência já durava cerca de 10 horas quando o ator passou mal.
Ele foi atendido no local e depois encaminhado a um hospital. Poucas horas depois, retornou à rotina do programa e explicou aos colegas do confinamento que teve uma crise epilética.
Logo depois, Henri Castelli passou mal novamente e teve outra convulsão.
Fatores
"Em situações de esforço prolongado, com fadiga intensa e poucas pausas, o corpo entra em um estado de estresse extremo. Esse cenário pode facilitar a ocorrência de descargas elétricas desorganizadas no cérebro e levar a um episódio convulsivo", explica o médico Jackson Daniel.
Ainda segundo o especialista, não é algo comum, mas também não chega a ser imprevisível.
"Quando o organismo é levado ao limite, com cansaço excessivo, pouco descanso e desequilíbrios metabólicos, o risco de alterações neurológicas aumenta. A convulsão pode ser um sinal claro de que o corpo e o cérebro ultrapassaram um limite fisiológico", completou.
O médico aponta ainda, entre os sinais mais característicos da convulsão, movimentos involuntários e repetitivos, rigidez muscular, perda de consciência e alterações no olhar, como os olhos virarem para cima.
Após o episódio, a pessoa pode apresentar confusão mental, desorientação e dificuldade para retomar a consciência plena.
Atendimento adequado
Reconhecer esses sinais rapidamente, segundo o neurocirurgião, é fundamental para garantir um atendimento adequado. O atendimento imediato deve priorizar a segurança do paciente.
"É importante evitar quedas e lesões, manter as vias aéreas livres e acionar rapidamente uma equipe médica. Não se deve colocar objetos na boca da pessoa durante a convulsão. O foco é protegê-la até que o episódio termine e ela possa ser avaliada por um profissional de saúde", destaca.
Investigação da causa
Após uma convulsão, o especialista ressalta que é fundamental investigar a causa, normalmente por meio de exames de sangue para avaliar eletrólitos e metabolismo, além de um eletroencefalograma para analisar a atividade cerebral.
Em alguns casos, exames de imagem, como tomografia ou ressonância magnética, também são indicados para descartar alterações estruturais.
O médico enfatiza ainda que, quando o episódio é isolado, tratado rapidamente, e não há uma doença neurológica associada, a maioria das pessoas se recupera sem sequelas.
"O ponto-chave é identificar o que desencadeou a convulsão e corrigir esses fatores. O acompanhamento médico nos dias seguintes é essencial para definir o prognóstico e orientar os cuidados necessários", finalizou o neurocirurgião Jackson Daniel.
Existe prevenção?
Ao Portal iG, a médica intensivista Maria Julia Q. Piai explica que uma primeira crise é difícil de prevenir, porque dificilmente se sabe quando uma convulsão pode ocorrer. A profissional diz que cerca de até 10% da população pode ter um episódio convulsivo ao longo da vida.
"Mas, em pacientes que já apresentaram episódios convulsivos anteriores ou que tenham diagnóstico de epilepsia, é fundamental evitar noites mal dormidas, uso de bebida alcoólica, luzes piscantes e se hidratar bem. E nos pacientes com diagnóstico de epilepsia, utilizar a medicação corretamente é importante para adequado controle das convulsões", completou.
Segundo Maria Julia, o paciente que está convulsionando perde normalmente a consciência e tem espasmos musculares vigorosos.
"A tentativa de colocar qualquer objeto na boca do mesmo pode levar a lesões tanto ao paciente quanto a quem está tentando ajudar, que pode ser mordido no processo", conclui a médica intensivista.