
A hipertensão arterial, também conhecida como pressão alta, é uma condição crônica marcada pelos níveis elevados da pressão sanguínea nas artérias. Ela ocorre quando os valores atingem ou superam 140/90 mmHg, ou seja, "14 por 9". Esse quadro obriga o coração a trabalhar com mais esforço para garantir a circulação adequada do sangue pelo organismo.
Considerada um dos principais fatores de risco para doenças graves, a hipertensão está associada a complicações como acidente vascular cerebral ( AVC), infarto, aneurisma e insuficiência cardíaca e renal.
Segundo o Ministério da Saúde, em cerca de 90% dos casos a doença tem origem hereditária, mas fatores ligados ao estilo de vida, como alimentação, sedentarismo e consumo excessivo de sal, também possuem influência direta. No Brasil, a condição é responsável por cerca de 388 mortes por dia.
Dessa forma, para entender melhor quando é necessário se preocupar com a pressão arterial e como monitorá-la de forma correta, o Portal iG conversou com Pedro Caetano, médico cardiologista membro titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Coordenador do Centro de Terapia Intensiva do Hospital São João de Deus, em Santa Luzia (MG), professor na Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais ( FCCMMG).
Segundo o cardiologista, embora os valores de 14 por 9 sejam indicativos de pressão alta, ele faz uma importante ressalva: "Uma única medição superior a 140/90 mmHg não significa que o paciente seja hipertenso".
Para o diagnóstico de hipertensão, é necessário que os valores sejam consistentemente elevados em mais de uma medição.
O especialista ainda diz que de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a classificação dos valores da pressão é a seguinte:
Pressão normal: abaixo de 120 por 80 mmHg
Pressão limítrofe (atenção): entre 130–139 / 85–89 mmHg
Hipertensão: a partir de 140 / 90 mmHg
Com que frequência se deve aferir a pressão?
Pedro explica que para aqueles sem diagnóstico de hipertensão e sem fatores de risco, o recomendado é medir a pressão arterial pelo menos uma vez por ano, preferencialmente durante consultas de rotina ou em campanhas de saúde.
O especialista também orienta que, para aqueles que já apresentaram elevações leves na pressão, possuem histórico familiar de hipertensão ou fatores de risco como excesso de peso, sedentarismo ou estresse frequente, o ideal é medir a pressão a cada 3 a 6 meses.
No entanto, ele destaca que não é necessário medir a pressão todos os dias se ela sempre foi normal. Esse hábito pode gerar ansiedade, o que pode acabar provocando uma elevação na pressão arterial e mascarar um possível problema.
Atenção aos sintomas

A hipertensão arterial é conhecida como uma doença silenciosa . De acordo com o cardiologista, a fama dessa condição surge porque na maioria das vezes não provoca sintomas, especialmente nas fases iniciais. Por esse motivo, o acompanhamento médico regular se torna a melhor forma de diagnóstico e prevenção.
Pedro Caetano ainda destaca: “No entanto, quando a pressão começa a se elevar de forma mais significativa ou descontrolada, alguns sinais de alerta podem surgir e não devem ser ignorados, principalmente se aparecerem de maneira súbita ou intensa”.
Entre os sinais de alerta que devem ser observados, estão:
- Dor de cabeça forte e persistente
- Tontura ou sensação de desmaio
- Visão embaçada
- Falta de ar
- Dor no peito
- Palpitações
- Náuseas ou vômitos sem causa aparente
Em casos de pressão muito elevada, ou seja, acima de 180 por 120 mmHg, especialmente associada a esses sintomas, trata-se de uma urgência médica.
"É fundamental buscar atendimento imediato, pois há um risco aumentado de complicações graves como infarto, AVC e insuficiência cardíaca", alerta o especialista.
Como monitorar a pressão em dias estressantes?
Para quem não é hipertenso, o ideal é usar o bom senso. "Evite medir a pressão repetidamente ao longo do dia, o estresse gerado pode elevar a pressão e mascarar o real valor", explica Caetano.
Além disso, ele recomenda que, caso esteja estressado, o ideal é descansar por 5 a 10 minutos antes de realizar a aferição. Monitorar a pressão uma ou duas vezes, em momentos tranquilos, é o suficiente. Se a pressão se normalizar após o repouso, provavelmente é apenas uma reação temporária ao estresse.
Entretanto, para quem já tem o diagnóstico de hipertensão, o monitoramento deve ser feito de forma mais estruturada. O cardiologista sugere que o paciente faça a aferição em casa, preferencialmente em um ambiente calmo. A recomendação é conferir a pressão duas vezes pela manhã e duas vezes à noite, durante alguns dias consecutivos.
"Anote os valores para discutir em consulta. Evite tomar decisões por conta própria, como aumentar ou suspender a medicação", conclui.