
Um surto do vírus Nipah na província de Bengala Ocidental, na Índia, e o risco de uma nova crise sanitária global voltam a preocupar as autoridades. Segundo as agências internacionais, cinco casos foram confirmados entre profissionais de saúde de um hospital.
Diante dos registros, aeroportos da região passaram a retomar protocolos sanitários usados durante a pandemia de Covid-19, incluindo triagem de passageiros e reforço da vigilância epidemiológica.
O Nipah é considerado um dos vírus mais perigosos em monitoramento, por reunir alta taxa de mortalidade e capacidade de transmissão entre humanos em determinadas situações. Além disso, ainda não há vacina e nem tratamento para combater a infecção.
Risco de casos no Brasil
Por isso, na avaliação da médica infectologista Melissa Valentini, é importante o monitoramento internacional, considerando as características do vírus.
"Não há risco neste momento no Brasil, até porque nós nunca tivemos um caso fora da Ásia, mas é importante esse monitoramento, principalmente de pessoas provenientes desses locais em que houve casos confirmados", avalia ela, em entrevista ao Portal iG.
A especialista destaca que o vírus Nipah já é conhecido na região da Ásia. Descoberto em 1999, já causou alguns surtos nos últimos anos e registros de mortes.
Segundo ela, ele é considerado uma zoonose, ou seja, uma infecção que pode ser transmitida de animais para seres humanos, tendo como principal reservatório hoje na natureza os morcegos frutíferos, além de porcos.

"Tanto a saliva quanto a urina desses morcegos contaminados podem transmitir a doença para humanos ou outros animais. Em surtos anteriores, também foram registrados casos de infecção por meio de porcos. E nós não temos nenhuma vacina e não temos tratamento para esse vírus", enfatiza ela.
Sintomas
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), são sintomas do Nipah, febre, dor de cabeça intensa, dores no corpo, náuseas e vômitos, comprometimento neurológico (confusão mental, convulsões e encefalite); inflamação do cérebro que pode levar ao coma ou insuficiência respiratória.
"Os sintomas são semelhantes aos da gripe até quadros mais graves, com infecção do sistema nervoso central, encefalites e meningites. Ou seja, os quadros variam de assintomáticos a quadros muito graves", acrescenta Melissa Valentini.
Ela ressalta também que a mortalidade nos quadros sintomáticos é muito alta, variando entre 40% e 75%.
"É sempre importante mantermos essa vigilância de portos e aeroportos, porque é uma doença grave e pode ser transmitida de pessoa a pessoa. Então, apesar de ela ser uma zoonose, do evento inicial ser um evento de contato com animais, ela pode ser transmitida de humano para humano, como no caso desse surto atual, em que profissionais da área de saúde se contaminaram cuidando de pacientes infectados", afirma a médica infectologista.
Também para a OMS, o cerco sanitário nos portos e aeroportos asiáticos é a primeira linha de defesa para tentar conter o que muitos especialistas temem ser o próximo grande desafio da saúde pública mundial.